A minha coluna

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E AS FÉRIAS???

 A democracia tinha ainda poucos meses. Depois de tantos anos de mordaça, a maravilha de podermos ouvir quem quiséssemos a dizer o que quisesse sem medo de ser preso era como que um êxtase coletivo. Que por vezes atingia o delírio pela ingenuidade de se pensar que tudo seria possível assim, do nada…

Nessa altura contava-se, um pouco como anedota, que um popular, ao chegar a um dos diários comícios ou sessões de esclarecimento de uma qualquer força política ou sindicato, porventura já acompanhado duns copitos, ao querer saber o que se passava dirigiu-se a um dos da plateia e perguntava repetidamente: “Que é que ele disse? Eu cheguei agora e não ouvi nada…

Diga lá o que é que ele disse…”.

Incomodado por estar a ser cortado na audição do discurso o interlocutor, para o calar, atirou: “Está a dizer que agora só vamos trabalhar um mês por ano…”. Uns segundos depois de assimilar a resposta o interrogatório continuou: “Um mês? E as férias?”.  Esta piada, demasiado ingénua para o “stand-up comedy” de hoje, tem-me sido involuntariamente ressuscitada ao ouvir algumas reivindicações de certos grupos profissionais como aumentos de ordenados na ordem dos 400 euros e a reforma aos 57 anos. A princípio ainda pensei que esta dos 57 era para os mineiros, que passam uma vida nas profundezas a respirar poeiras e a dar cabo da saúde. Mas não. Era da saúde, mas de outros profissionais.

Balha-me Deus!

A GREVE DÁ CÁ UMA FOME

Vai ser moda. Primeiro foi aquele enfermeiro fortezinho, presidente de um sindicato democrático, mas que ninguém conhecia, que decidiu ir dormir sem comer para um banco de jardim em frente ao palácio do “Ticelito” e passava a vida a dar entrevistas de cigarro na mão a dizer que estava a fazer greve de fome. Greve de fome não digo. Mas parar de fumar, comer menos e fazer exercício talvez fosse conselho que no centro de saúde um colega lhe daria. Mas vamos ao que interessa. Dois dias depois alguém lhe terá telefonado a perguntar se sentia o cheiro dos pastéis de Belém que se faziam ali ao lado e o homem, depois dos tais cinco minutos de fama que muitos conquistam num daqueles concursos patéticos das sete da tarde, lá teve um pouco de tino e resolveu ir embora. A imagem ficou. Se o vir na rua conheço-o. O nome não, mas o homem terá ficado com muito maior autoestima. Agora vai para lá um agente da PSP sem farda para fazer o mesmo. Diz que não vai comer, mas nem vai ser necessário que alguém lhe telefone. Com o cheiro dos pastéis um destes dias desaparece para dar lugar a outro.

Balha-.me Deus!

FALTAM FUNCIONÁRIOS OU OS FUNCIONÁRIOS FALTAM?

As duas coisas. Nuns casos faltam funcionários. Quer dizer: Não há funcionários que cheguem. Noutros casos eles “hão” mas estão de baixa. Muitos. Alguns há anos. Por isso é preciso contratar mais. E alguns desses novos, se contratados, um destes dias irão também faltar o que vai fazer com que, passados uns tempos, os funcionários voltem a não ser suficientes. Até porque alguns vão ficar de baixa anos seguidos e só a interrompem para ir pedir… férias…

Balha-me Deus!

DEZASSEIS SINDICATOS?

No primeiro noticiário da manhã ouvi que hoje, quarta-feira, vai haver uma manifestação de polícias sem farda convocada por vários – vários, sublinhe-se – sindicatos de polícias. Sem farda a coisa perde brilho. As imagens na TV seriam muito mais bonitas com o brilho dos botões e dos crachás. Como aconteceu com aquela manifestação dos bombeiros chefiados por aquele senhor que era amigo do Bruno de Carvalho e que também fala grosso. Isso sim, são manifestações bonitas, com capacetes amarelos, estandartes e fanfarras. Ou como a dos sapadores de Lisboa que têm uns lindíssimos capacetes vermelhos. Agora manifestações sem farda? É que nem respeitam o facto de na profissão de polícia haver 16 – dezasseis, um-seis – sindicatos. Mais sindicatos do que agentes em algumas esquadras… E todos com os seus sindicalistas a terem direito a folgas, licenças e outras benesses previstas na Lei. Depois queixamo-nos que não há polícias que cheguem…

Balha-me Deus!

 

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