A iniciativa “Tome um poema pela sua saúde” é uma das novidades do programa da Campanha Poesia à Mesa de 2019. E, a julgar pelo entusiasmo quer da organização do festival de poesia, quer do próprio Centro de Saúde (CS) de S. João da Madeira que a acolheu “de braços abertos”, será para continuar já na edição do próximo ano.  

“Não sou eu que decido essas coisas, mas acho que é para repetir”, afirmou em exclusivo ao labor Paulo Condessa, ontem, no final de ter declamado poesia no CS, acrescentando: “Estamos entusiasmados com a resposta de alguns pacientes”. Segundo o comissário da Poesia à Mesa, “algumas pessoas acham estranho, mas a maioria sorri e fica comovida”. 

Aliás, o performer fez questão de partilhar com a nossa reportagem o facto de uma paciente, que o ouviu na semana passada, ter pedido para lhe entregarem um poema de Miguel Torga – “Insónia” –  para ele recitar esta semana e que esta última quarta-feira houve uma outra que lhe disse “muito obrigada por esta ‘luz’ que me trouxe ao meu dia”. 

O labor também quis saber algumas opiniões in loco. Caso da de Maria de Oliveira Carvalho, de 82 anos, que, embora hesitante no início, lá acabou por admitir que “me fez rir um bocadinho”. “É uma maneira de distrair um bocado as pessoas que estão à espera”, completou. Por sua vez, Maria Natália, de 27 anos, achou “romântico”. 

“Ver a cultura a entrar nas nossas instalações é uma lufada de ar fresco”

Entre 13 e 20 de março, os médicos do Centro de Saúde de S. João da Madeira, com a colaboração dos enfermeiros, passaram duas mil “receitas poéticas”, para além das receitas ditas normais, aos utentes que por ali passaram, conforme adiantou a câmara ao nosso semanário. Ainda nos dias 13 e 20, houve lugar à declamação de poesia. 

De acordo com Bruno Costa, enfermeiro do CS sanjoanense, a adesão a esta ação “foi mesmo muito boa para uma primeira vez”. Daí dar “os parabéns a quem se lembrou disto”. 

Ao nosso jornal, o profissional de saúde sublinhou o quanto é positivo “aliar a poesia ao estado de saúde”. Não se trata de algo inovador. Aliás, até há o livro “Poemas da Saúde e da Doença – Poemas de Fernando Pessoa aos nossos dias”, da autoria de Pedro Quintas e José Fanha, recomendado pelo Serviço Nacional de Saúde, como chamou a atenção. Mas, na ótica de Bruno Costa, “ver a cultura a entrar nas nossas instalações é uma lufada de ar fresco”. 

Ministra da Cultura vai ouvir e declamar poesia na Viarco

No âmbito da iniciativa “Poesia na Fábrica”, o Dia Mundial da Poesia vai ser celebrado hoje, dia 21 de março, pelas 10h30, com a presença de Graça Fonseca, ministra da Cultura, para ouvir e declamar poesia na fábrica de lápis Viarco.

A “Poesia na Fábrica” é uma das ações que do festival literário, promovido pelo Município, em que as máquinas e as linhas de produção param para se ouvir poesia.

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