No âmbito do Musicatos, este sábado, dia 30, pelas 21h30

 Quando, como e por que nasceu o Grupo de Percussão da ARMAB?

Este grupo teve a sua origem em 2010 na Academia de Música (AM) da Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca (ARMAB). Nesse ano, a AM decidiu criar diferentes classes de conjunto, com o objetivo de dar aos seus alunos a oportunidade de realizar trabalho de música de câmara de forma regular, e a Classe de Percussão passou a ter um horário semanal para a prática de música em conjunto.

O resultado desse trabalho era apresentado nas audições de final de período na Escola de Música (EM). Ao longo dos anos passaram dezenas de indivíduos por este grupo, que integrava os diferentes alunos de percussão da EM, sendo que em 2017 passou a ter uma formação fixa de seis elementos, integrando os alunos mais avançados. Os restantes passaram a integrar um grupo diferente, com um repertório mais acessível às suas capacidades técnicas e musicais.

O grupo com os alunos mais avançados continuou a colaborar nas atividades da Academia de Música, mas paralelamente a isso tem-se apresentado em diferentes auditórios e salas de espetáculo da região Centro-Norte.

 Projeto junta músicos profissionais e amadores

Os seus elementos são todos profissionais? O Daniel Moreira faz parte do Grupo de Percussão desde o início?

Como professor da EM, coordeno o grupo desde a sua génese, sendo que o João Nuno Silva, o Francisco Ribeiro e o David Almeida também fazem parte dele desde o início, tendo integrado a já referida Classe de Conjunto com 8, 9 e 10 anos, respetivamente. Além destes elementos, também fazem parte o Rui Camões e o Henrique Santos.

Este grupo integra profissionais e amadores, sendo que eu, tendo concluído o Mestrado em Ensino de Música na Universidade de Aveiro (UA), leciono a disciplina de Percussão nas academias da ARMAB, de Oliveira de Azeméis, de Arouca e de S. João da Madeira e no Conservatório de Águeda. O David Almeida frequenta o 1.º ano da Licenciatura em Música na UA e o Rui Camões e o Francisco Ribeiro estão, neste momento, a preparar-se para concorrerem ao ensino superior, também para o curso de Música – Percussão.

O João Nuno Silva e o Henrique Santos têm outros objetivos, sendo que veem a música apenas como um hobby. No entanto, fazem um trabalho sério e de grande mérito, ao nível de qualquer profissional.

O que nos une a todos, neste projeto, é o facto de sermos integrantes da Banda Filarmónica da ARMAB, sermos todos originários da AM e, principalmente, termos construído uma forte amizade ao longo de muitos anos.

Que têm feito desde a formação?

Este grupo foi criando desde o início uma identidade muito própria, pouco comum a ensembles deste género, já que a quase totalidade do repertório que temos apresentado ao longo dos anos foi escrita especificamente para este ensemble. Inicialmente isto acontecia por necessidade, já que o repertório a apresentar tinha que ser adequado à qualidade técnica e ao número de elementos que compunham o ensemble nesse ano letivo e não era fácil arranjar repertório que preenchesse esses requisitos.

Paralelamente a isso, a direção da AM definia temas para as audições, sendo que os que eram apresentados pelos ensembles participantes tinham que seguir a diretriz temática da direção. A título de exemplo, isto fez com que fizéssemos uma adaptação de “Spain”, de Chick Corea, que foi apresentado numa audição cujo tema foi a “Volta ao Mundo”.

A adaptação para grupo de percussão de temas de diferentes origens, como a música orquestral, o jazz, o metal progressivo, a música para orquestra de sopros, entre outros estilos musicais, acabou por se tornar uma imagem de marca para o grupo e um fator diferenciador relativamente a outros ensembles de percussão.

Neste momento, temos vários elementos do ensemble a produzir repertório para o grupo, principalmente agora que fixamos a formação do grupo num sexteto.

Já contam com alguma internacionalização? Geralmente onde atuam?

Como grupo de percussão, nunca tivemos a oportunidade de tocar fora de Portugal, apesar de como elementos do naipe de Percussão da Banda Filarmónica da ARMAB fazermos isso com alguma regularidade. Temos feito alguns concertos em diferentes localidades da região Centro-Norte, nomeadamente em Águeda, Arouca, S. João da Madeira, Paços de Brandão, Oliveira de Azeméis, Albergaria-a-Velha, entre outros. Paralelamente a isso, temos participado nas atividades da Escola de Música da ARMAB.

Têm algum prémio?

O tipo de peças que executamos não é muito adequado para a participação em concursos, que vivem de repertório mais padronizado, sendo que não temos como grupo, pelo menos até ao momento, o objetivo de participar nesse tipo de eventos.

Individualmente, alguns membros deste ensemble já obtiveram prémios em concursos de percussão. Além disso, como membros da Banda Filarmónica da ARMAB já obtivemos uma série de prémios em concursos nacionais e internacionais.

Grupo de Percussão quer fazer cada vez mais concertos fora do seu “habitat natural”

Quais as perspetivas em termos de futuro?

Temos como objetivo a evolução contínua dos elementos do grupo, apresentando repertório cada vez mais complexo e desafiante. E vamos procurar fazer cada vez mais concertos fora do nosso “habitat natural”, que é o Centro Cultural da Branca, onde ensaiamos e nos apresentamos regularmente.

Como surgiu a oportunidade de participarem no Musicatos?

Sendo eu professor na Academia de S. João da Madeira, por ocasião de um concerto de Carnaval, sugeri ao diretor a participação deste grupo, que, apesar de ser externo, podia ter um papel importante para a divulgação do instrumento da percussão pelos alunos da academia. A nossa participação teve um feedback muito positivo, tendo surgido, depois disso, o convite para fazemos um concerto nos Paços da Cultura, integrado no Musicatos.

O que o público pode esperar do recital do dia 30?

Pode esperar um concerto dinâmico, com um repertório diversificado a nível estilístico, e que acreditamos ser interessante para diferentes públicos. Sabemos que temos uma grande responsabilidade por sermos os primeiros a realizar um recital de percussão nesta sala, inserido no Musicatos, mas acreditamos que o instrumento será bem representado, e que as pessoas ficarão mais curiosas acerca deste instrumento tão versátil e interessante, mas ainda relativamente desconhecido para alguns.

É a primeira vez que atuam em S. João da Madeira? Quais os próximos concertos?

Tivemos em 2017 uma participação num concerto realizado no auditório da Academia de Música de S. João. Em 2019, já nos apresentámos no Centro de Artes de Águeda, no Auditório da Escola Básica e Secundária Soares Basto em Oliveira de Azeméis e no Centro Cultural da Branca.

Depois deste concerto nos Paços da Cultura, temos apenas mais um confirmado, dia 7 de abril, no Centro Cultural da Branca, por ocasião do Concerto de Páscoa da Academia de Música da ARMAB. Existem outras possibilidades até ao fim do ano, mas que ainda carecem de confirmação.

 Programa do recital

 

1 – Marching Season (Yanni, arr. Daniel Moreira)

2 – Redline Tango (John Mackey, arr. Rui Camões)

3 – The Dance of the Eternity (Dream Theater, arr. Daniel Moreira)

4 – Spain (Chick Corea, arr. Daniel Moreira)

5 – Swept Away (Yanni, arr. Daniel Moreira)

6 – Pipedream (Animusic, arr. Maikel Van Der Boomen)

 

Grupo de Percussão da ARMAB

 

O Grupo de Percussão da ARMAB é constituído por seis músicos naturais da Vila da Branca (Albergaria-a-Velha), todos eles elementos da Banda Filarmónica da Associação Recreativa e Musical Amigos da Branca (ARMAB).

Paralelamente a esta filarmónica, a ARMAB possui uma Academia de Música (AM) e diversos grupos de música de câmara, entre os quais o Grupo de Percussão da ARMAB, que nasceu em 2010 no seio da AM, da qual continua a fazer parte.

Durante cerca de sete anos apresentou uma formação rotativa, contando com os diferentes alunos de percussão da Academia de Música. Mas a partir de 2017 tornou-se uma formação fixa, passando a integrar os atuais seis membros. Ensaia regularmente no Centro Cultural da Branca e tem a coordenação artística de Daniel Moreira, que também participa no grupo como executante, juntamente com David Almeida, Francisco Ribeiro, Henrique Santos, João Nuno Silva e Rui Camões.

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