O Serão Poético começou com José Fanha a declamar um dos poemas do livro “A Criança e a Vida” de Maria Rosa Colaço, que ultrapassou as 50 edições e seja “talvez o mais editado em Portugal”.

A escritora, poetisa e professora primária decidiu que ia dar aulas para “um bairro muito pobre e com crianças marginais em Lourenço Marques, (atualmente Maputo) Moçambique, em 1961”, contou José Fanha.

Quando Maria Rosa Colaço disse que “ia trabalhar aqueles meninos com a poesia”, “as pessoas pensaram que era maluca”, relatou o comissário da Poesia à Mesa, continuando que o certo é que “passados alguns meses, aqueles meninos escreveram este livro”.

O Serão Poético é uma das tradições da Poesia à Mesa e voltou a encher, no passado sábado, a Casa da Criatividade com os convidados São José lapa, Mestre António Chainho e Tiago Oliveira. Um dos rostos associados desde sempre a este projeto cultural que conta com 17 edições é José Fanha. Por isso, o comissário da Poesia à Mesa, que é assinalada ao longo do mês de março, sente-se “quase sanjoanense”. E sente muito mais. “É um orgulho ter um homem querido como o Paulo Condessa (também comissário) na loucura de levar a poesia a ser a bandeira de uma cidade”, demonstrou José Fanha.

O Serão Poético ficou marcado por José Fanha e São José Lapa recordarem o tempo em que criaram um grupo de teatro antes do 25 de Abril, os ensaios da censura e olhando para aquela época que viveram com a de então a conclusão é simples: “para o que já vivemos estamos num país maravilhoso”. Para além disso, naquela noite, estiveram com “gente de bem e gente que gosta de poesia”. O mestre António Chainho também contou momentos da sua história como o ter aprendido a tocar a guitarra portuguesa ao ouvir os artistas na rádio. “O meu pai tocava um pouco guitarra, a base do fado, e tocava muito bem, mas ficou por aí. Aquilo que eu ouvia na rádio, pegava na guitarra e tocava com relativa facilidade. Não sei explicar, só sei que sei tocar”, contou o mestre António Chainho que trouxe Tiago Oliveira como convidado de última hora para o Serão Poético, que foi um dos fundadores da banda Polo Norte e com quem tem colaborado.

O Serão Poético contou com a declamação de poemas de poetas portugueses como Ana Paula Inácio, Ary dos Santos, João Silva Tavares, Ondjaki, David Mourão-Ferreira, Matilde Campilho, Emanuel Félix, Herberto Helder, entre tantos outros pelas vozes de José Fanha, Paulo Condessa e São José Lapa, que até cantou um deles, acompanhados do Mestre António Chainho na guitarra e Tiago Oliveira na viola.

Este momento de convergência entre a poesia e a música terminou com a intervenção de José Fanha a relembrar a Jorge Sequeira que “o presidente da câmara tem a obrigação moral, política e humana de continuar em frente com a Poesia à Mesa que é uma festa única de poesia em Portugal” e que “não tem sido reconhecida devidamente pela comunicação social”.

À 17.ª edição, a Poesia à Mesa foi visitada pela primeira vez por uma ministra da Cultura, um sinal de que “a revolução em relação à poesia dos portugueses precisa de crescer”, considerou José Fanha, demonstrando estar de “bem” porque “tivemos (ele, os convidados e o público) como cúmplices deste crime maravilhoso que é a poesia”. O comissário encerrou o Serão Poético com o destaque do papel importante de Suzana Menezes, ex-Chefe de Divisão de Cultura do Município e atual Diretora Regional de Cultura do Centro, na Poesia à Mesa e com uma palavra de saudade ao falecido Alberto Batista.

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