Vai ser gerido pelo Trilho, da Santa Casa da Misericórdia

 

Já é oficial, digamos assim: o apartamento cedido pela autarquia à Santa Casa da Misericórdia (SCM) de S. João da Madeira, no Bairro do Orreiro, tendo em vista a reintegração social de pessoas sem-abrigo abre portas “durante o mês de abril”.

A informação foi dada ao labor pela própria SCM, que adiantou ainda que já havia sido aprovado o regulamento interno das regras básicas de funcionamento do apartamento de autonomização em reunião da direção da instituição sanjoanense, na semana transata, e que também “já pintámos” o imóvel cuja gestão caberá ao Trilho – Unidade de Apoio a Toxicodependentes e Seropositivos.

Neste momento, encontra-se a decorrer uma campanha de angariação de eletrodomésticos e mobiliário junto dos sócios e amigos da Misericórdia, bem como “de casas [comerciais] que normalmente colaboram connosco”.

Segundo a edição de janeiro último do jornal A Voz das Misericórdias, os utentes vão poder permanecer nesta casa até ao máximo de dois anos, não pagando renda. No entanto, está previsto que “as despesas da habitação (água, luz, gás, alimentação, etc.) sejam divididas pelos moradores” de forma a criar neles “uma certa responsabilidade”.

Aquisição do Complexo Social de Fajões “valeu a pena”

Em 2018, “ao comprar o Complexo Social de Fajões [antigo Centro Social Dr.ª Leonilda Aurora da Silva Matos, que “se se encontrava declaradamente insolvente”], [a Misericórdia de S. João da Madeira] cresceu pela primeira vez por aquisição”. Até ao ano passado, a instituição só “vinha aumentando a sua atividade com a criação de novos serviços ou a ampliação dos já existentes”, conforme o provedor da SCM informou os Irmãos presentes na assembleia-geral (AG) de sexta-feira passada na qual o relatório de atividades e as contas de 2018 foram aprovados por unanimidade.

De acordo com José António Pais Vieira, “nunca esta Irmandade de Misericórdia adquirira outra instituição” nem tinha ultrapassado “os limites do concelho”. “É certo que já prestava serviços a muitos utentes residentes externamente, mas fazia-o a partir de instalações em S. João da Madeira”, passando desde 2018 a fazer também a partir do Complexo Social de Fajões.

Com esta compra, a SCM passou a oferecer mais respostas sociais, nomeadamente Serviço de Apoio Domiciliário e ainda a prestação de cuidados na área da deficiência. “Foi um salto de gigante que está a fazer crescer a instituição em cerca de 30%”, assegurou o provedor, acrescentando que passado um ano “valeu a pena”.

Para Pais Vieira, a decisão de aquisição “foi acertada”. E nem “um prejuízo tão elevado como o que estamos a apresentar” o faz mudar de opinião, pois “hoje a Misericórdia é maior, tem mais serviços e está melhor preparada para enfrentar as dificuldades que superiormente lhe são colocadas”.

“Estamos convictos de que no exercício de 2019, com a implementação de mais algumas medidas planeadas, se conseguirá gerar o superavit previsto inicialmente, permitindo começar a amortizar a divida bancária que a aquisição implicou”, referiu o líder da Mesa Administrativa da Misericórdia.

Note-se que a SCM fechou 2018 com resultados líquidos negativos na ordem dos 386 mil euros, devido sobretudo ao esforço financeiro despendido com a compra e gestão do Complexo Social de Fajões, mas com meios libertos positivos de cerca de 10 mil euros.

“Apesar da crueza dos números, pode dizer-se que a instituição cresceu, que melhorou a qualidade dos serviços e, como gerou meios libertos positivos, não deteriorou o seu equilíbrio económico-financeiro”, saindo “prestigiada de 2018”, garantiu Pais Vieira.

“As instituições sociais estão a ser esmagadas e muitas estão já em situação de falência”

Quanto às instalações de S. João da Madeira, “os problemas foram similares aos dos últimos anos”. Trata-se de “problemas criados pelos governantes que todos os anos impõem aumentos salariais e não atualizam as suas comparticipações na mesma proporção”, recordou Pais Vieira, prosseguindo: “Há 15 anos as comparticipações do Estado cobriam cerca de 50% dos gastos operacionais das respostas sociais. Atualmente este percentual caiu abaixo de 40%”, sendo que “o diferencial representa uma perda de receita superior a 600 mil euros por ano”.

No entender do provedor, “as instituições sociais estão a ser esmagadas e muitas estão já em situação de falência”, situação que, na sua opinião, não se deve a “má ou menos correta administração”. Por isso, “a Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira, juntamente com as outras Misericórdias do distrito, tem vindo a pressionar a União das Misericórdias Portuguesas para que esta exerça influência junto do Governo no sentido estancar este caminho ruinoso”.

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