Tudo é efémero, transitório, passageiro, uma lufada…

Uma azáfama, uma canseira, que se esvai em nuvem brumosa,

Na espuma branca que o vento leva de uma rajada,

Quando esta nos alvoroça como o frol de linda rosa…

 

Vai-se na leveza alada tudo que é belo e feliz,

Tudo passa neste mundo na rapidez dos segundos;

Foi-se o amor e a felicidade e tudo que a gente quis;

Frágil tudo que é beleza, ora diluída pelos mundos…

 

Toda a beleza da arte, na música ou poesia,

Escoa-se entre as batidas do tempo que está marcado,

Fica somente a memória, tão relativa, eu diria,

Pois até esta é vítima das rotações do passado

 

Ao compasso dos ponteiros, do relógio universal,

Tudo o que é belo ou supremo é recalcado pelo peso;

Esmagado, pó e cinza tornar-se-á afinal

Um passado tão minúsculo, um passado no defeso

 

Talvez fona, mas sem lume, faúlha que se desprende

Das chamas da existência, e volita pelo ar;

Para a geração que vier, luz que já não se acende!

E tão pequena será, mas vale a pena lembrar…

 

Flores Santos Leite

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui