Trabalho da realizadora Catarina Neves vai estrear no Artbeerfest Caminha deste ano

 

“Perto de 4.000 pessoas” passaram pelo Oliva Beer Mind (OBM), festival internacional de cerveja artesanal que decorreu de 29 a 31 de março na Sala dos Fornos da Oliva Creative Factory (OCF), em S. João da Madeira.

O número de visitantes foi “sensivelmente o mesmo” que o do ano anterior, o que leva Octávio Costa, da organização, a dizer que “sim, correu bem, mas poderá correr muito melhor” nas próximas edições “se houver uma estratégia mais alongada, se começarmos a organizar [o OBM] com três ou quatro meses de antecedência”.

Aliás, em declarações ao labor, o responsável afirmou que, “para o ano, há que trabalhar com mais antecedência com os players locais”, nomeadamente com a câmara municipal (CM) e a OCF. Em seu entender, “faltou comunicação mais forte, mais eficaz, mais eficiente, mais direcionada para certos públicos”, algo que no futuro, conforme garantiu ao nosso jornal, vai ser trabalhado juntamente com as parceiras CM e OCF.

“Novas estratégias à parte”, 2019 foi, então, “o ano de consolidação da ideia para o futuro”. Este OBM contou com 22 expositores, entre os quais 21 cervejeiros nacionais e uma importadora e distribuidora que trouxe para o festival quatro cervejas internacionais.

Octávio Costa referiu, também como pontos a favor desta terceira edição, a animação musical, destacando “Omiri”, tido como dos mais originais projetos de reinvenção da música tradicional portuguesa, e o espaço “kids friendly”. Este último esteve a cargo do Armazém 4, de SJM, e “esteve sempre cheio”.

Da programação, logo no primeiro dia do evento, constaram igualmente a conferência “O que eu andei para aqui chegar!” – uma espécie de balanço da primeira fase da vida do movimento cervejeiro português com a moderação de Daniel Belo, jornalista/locutor da Antena 1 e 3 e um entusiasta e aficionado cervejeiro – e a apresentação pública do projeto de comunicação em comunidade global “Where Beer Meet People” (www.thebeertipster.com).

Já no sábado foi apresentado o vídeo/podcast SOVINA “O Estado da Cerveja” e foram recolhidos registos para o primeiro documentário português sobre o movimento da cerveja artesanal, da autoria de Catarina Neves.

“Interessou-me a paixão e a aparente ‘loucura’ dos cervejeiros”

Embora já conte no currículo com a realização de vários documentários, alguns até já premiados, Catarina Neves é mais conhecida como jornalista. Licenciada em Ciências da Comunicação, pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas, da Universidade Nova de Lisboa, exerce jornalismo desde 1995. Começou na Gazeta dos Desportos e na TSF. Entretanto, integrou a equipa fundadora da SIC Notícias, onde continua a trabalhar. Mas, antes de tudo, também fez rádio, ainda no tempo das rádios piratas (Rádio Sul e Sueste, no Barreiro).

Catarina Neves falou em exclusivo ao labor, dando a saber que isto de realizar documentários é “mais um desafio, que me permite aprender e, de alguma forma, contribuir, espero, para a criação da memória coletiva de um tempo e um modo, num espaço”. “Como jornalista não filmo e o conceito da realização numa reportagem tem contornos diferentes daqueles que estão subjacentes à criação de um documentário”, fez ver a realizadora cujo primeiro filme documental, estreado em 2012, foi “O Alívio dos Apertos”.

A ideia de realizar o primeiro documentário do movimento da cerveja artesanal em Portugal surgiu porque Catarina Neves foi viver para a zona do Beato/Marvila antes das marcas de cerveja artesanal Musa, Dois Corvos e Lince ali se instalarem. Esta “foi, até há bem pouco tempo, uma parte esquecida de Lisboa”, afirmou a realizadora, prosseguindo: “A constatação da aposta daquelas marcas numa espécie de periferia urbana da capital, contribuindo para a revitalização, ainda hoje em curso ali, foi o ponto de partida”.

Além disso, também “interessou-me a paixão e a aparente ‘loucura’ dos cervejeiros que largam trabalhos remunerados e seguros por uma pequena indústria vibrante, mas a dar os primeiros passos como forma viável e principal de vida”.

“Que filosofia está na base deste movimento?” e “qual o pensamento dos criadores da ‘magia’ de uma receita que dá prazer e uma bela desculpa para o convívio para além do verão e do prato de tremoços?” são questões a que Catarina Neves pretende dar resposta com este seu novo trabalho, com estreia prevista para o Artbeerfest Caminha deste ano, agendado para o mês de julho.

A propósito do Artbeerfest Caminha, este festival assim como o Lisbon Beer Week e agora o Oliva Beer Mind fazem parte deste documentário que se encontra “na fase final das gravações”.

A vinda de Catarina Neves ao OBM deveu-se ao facto de querer “reencontrar alguns dos cervejeiros que já tinha filmado, bem como ter outros em ambiente de venda e convívio depois de os ter filmado numa tertúlia no bar O Catraio, no Porto”.

Maternidade é tema de um dos próximos documentários de Catarina Neves

“Há várias ideias à espera de tempo e financiamento. Mas há, pelo menos, um [documentário], que já filmo há dois anos e que, mesmo sem ajudas financeiras (pelo menos até agora!), farei tudo o que for possível para o terminar”, garantiu a realizadora ao labor. “Está ligado ao grande tema da maternidade e da sua impossibilidade”, acrescentou.

 

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