Mas só sentirão grande parte dos efeitos desta medida na carteira a partir de 1 de maio

Quatro dias após a entrada em vigor da medida governamental que promete revolucionar o uso dos transportes públicos no país são ainda poucos os sanjoanenses que sabem que também estão abrangidos pelo Passe Único Metropolitano. E os que sabem pensavam que podiam poupar uns “valentes euros” já este mês, o que não está a acontecer. Há, de facto, falta de informação sobre o assunto, por parte tanto de motoristas e utentes das principais empresas de transportes que operam em S. João da Madeira (SJM) que aderiram ao Programa de Apoio à Redução do Tarifário dos Transportes Públicos (PART)como da população em geral.

Na Área Metropolitana do Porto (AMP), a que pertence o concelho de SJM, há operadores onde a utilização do passe único não é ainda possível por falta de validadores. Entre estes está, por exemplo, o Grupo Transdev (ver quadro),no qual a redução de tarifário e a utilização do Passe Único e do passe municipal ou até três zonas (30 euros) ocorrerão apenas a 1 de maio.

S. João da Madeira terá ponto de venda de passes metropolitano

OsTransportes Intermodais do Porto (TIP),entidade que gere a bilhética aplicável neste âmbito, estão a envidar esforços para, até essa data, instalar em SJM um ponto de venda metropolitano, conforme adiantou a autarquia em email enviado ao labor e que Jorge Sequeira confirmou no período de antes da ordem do dia (PAOD) da reunião de câmara desta última terça-feira.

No caso da Auto Viação Feirense (ver quadro), outra operadora privada a trabalhar em SJM, desde o passado dia 1 de abril que o preço dos passes nas linhas que gere não ultrapassa os 40 euros. Os passageiros podem adquiri-losnos pontos de venda da Feirense, não sendo possível, para já, a conexão com outros meios de transporte da AMP.

O Passe Único tem um custo máximo de 40 euros mensais, por pessoa, e permite viajar em todos os operadores de transportes públicos na Área Metropolitana do Porto integrados na rede Andante, como a CP, STCP e Metro. Fora desta rede qualquer passe também não custará mais do que 40 euros.

Ainda dentro do PART,foi também criado um passe municipal, válido para os 17 municípios da AMP, com o custo de 30 euros para viagens dentro do concelho ou até três zonas contíguas.

Destina-se, como esclareceu o autarca sanjoanense no PAOD, a “cidadãos que não se desloquem para toda a AMP”. E, nesse sentido, “foram criadas mais de 100 zonas”. Aliás, “o concelho de S. João da Madeira corresponde a uma zona”.

Passe Único custará à autarquia 22 mil euros neste primeiro ano

E quanto custará a tão propalada “intermodalidade” ao Município de SJM, uma vez que o PART ésuportado pelo Fundo Ambiental e pelas autarquias? Segundo Jorge Sequeira, “para 2019, o investimento total na AMP é de 15 milhões e 490 mil euros”, sendo que “a AMP entra com 2,5% (367 mil euros)”. Ou seja, repartindo este valor equitativamente por todos os municípios, o PART representa, neste primeiro ano, para SJM “um esforço de 22 mil euros”.

Para 2020 foi já acordado “um aumento de 10%”, não se sabendo por enquanto qual será o montante a pagar nos anos seguintes. “A equidade determinará que os critérios sejam diferentes” futuramente, como fez notar o edil.

Custos à parte, para Jorge Sequeira, o PART é “uma aplicação de excelência das verbas do Fundo Ambiental” e “uma medida extremamente importante para a descarbonização e a redução do uso dos transportes particulares”. Na reunião de câmara de 2 de abril, o responsável político fez questão de dizer também que “estamos muito satisfeitos com este processo que ainda está no início, mas que sempre decorreu com o apoio unânime da AMP e em colaboração com a Área Metropolitana de Lisboa e o Governo”.

O orçamento total destinado pelo Governo para a redução do custo dos transportes coletivos é de 116 milhões de euros para todo o país, em 2019.

“Sustentabilidade da medida é preocupante”

A coligação PSD/CDS-PP mostrou não ter dúvidas que esta “é uma medida que vai no sentido certo”. No entanto, é de opinião – e tornou-a pública em sede de executivo municipal – que “a sustentabilidade da medida é preocupante”, tendo em conta que, no futuro, “vai trazer mais encargos” para as câmaras.

Para Paulo Cavaleiro, SJM “devia aproveitar este processo para liderar uma oportunidade de afirmar que no Sul da AMP precisamos de mais transportes públicos”. Sim, porque, em seu entender, “a medida vem compensar aqueles que mais têm”.

O vereador da oposição prosseguiu em defesa da reabilitação da Linha do Vouga: “Esta tem de ser uma evidência nos próximos anos”.

Por falar na Linha do Vouga, Jorge Sequeira reconheceu que “o que pode mudar [de facto] a mobilidade na nossa região é a reestruturação” desta linha ferroviária. Uma séria intervenção na Linha do Vouga é, na sua ótica, “o equivalente a termos aqui uma linha do metro”.

Ainda a propósito, o líder camarário deu nota que houve uma reunião entre a Infraestruturas de Portugal e a Associação de Municípios das Terras de Santa Maria onde se discutiram “cenários” possíveis para a “nova” Linha do Vouga e que “há uma união muito forte dos municípios” em torno deste tema.

Auto Viação Feirense

Nº Linha Designação
19 CORGA DO LOBÃO-S. JOÃO DE MADEIRA
37 MOSTEIRÔ-S. JOÃO DE MADEIRA
38 AROUCA-S. JOÃO DA MADEIRA
52 S.M.FEIRA-S. VICENTE

  

Transdev

Nº Linha Designação
2 Porto – S. João da Madeira (p/ EN1)
3 Arouca – S. João da Madeira (Estação)
8 Fajões – S. João da Madeira (Est.)
14 Fajões – S. João da Madeira (p/ Macieira de Sarnes)
15 Furadouro – S. João da Madeira
23 S. João da Madeira – Vale de Cambra
26 Cabeçais – S. João da Madeira
29 S. João Madeira – S. João Madeira (Circ p/ Milheirós)
36 Oliveira de Azeméis – S. João da Madeira (p/Faria)
37 Oliveira de Azeméis – S. João da Madeira (p/Bustelo)
61 Oliveira de Azeméis – S. João da Madeira
66 SJM – Cucujães (esc.)
67 S. João da Madeira – Cela
72 Pessegueiro do Vale – S. João da Madeira
82 Porto – S. João da Madeira
99 S. João da Madeira – Pigeiros
105 Mosteirô-S. João da Madeira
122 S. João da Madeira – S. João da Madeira (p/ Arrifana)

 

Dois orçamentos participativos em um

“Por razões de economia de esforços”, como justificou Jorge Sequeira na última reunião de câmara, o Município decidiu integrar os orçamentos participativos (OP) da edilidade e da junta de freguesia (JF) passando a haver a partir de agora o Orçamento Participativo de S. João da Madeira (OPSJM). “Há razões para partilhar meios, energias” tendo em vista uma melhor divulgação e, por conseguinte, uma maior participação dos eleitores sanjoanenses, referiu o autarca sanjoanense, acrescentando que é obrigatório “votar em dois projetos” por categoria.

Ao OPSJM, aprovado por unanimidade na passada terça-feira, é atribuída a verba geral de 115 mil euros para financiar os projetos mais votados pelos cidadãos, dos quais 100 mil euros são oriundos do orçamento municipal e 15 mil do da JF.

Do valor global, 15 mil euros destinam-se a financiar propostas no âmbito escolar (OP Escolas, que abrange equitativamente os três agrupamentos escolares da cidade) e 15 mil euros são destinados a projetos ligados à juventude (OP Juventude). Os restantes 85 mil euros custearão ideias de iniciativa geral, dividindo-se nas seguintes categorias: projetos até 15 mil euros serão executados pela JF e projetos superiores a 15 mil euros e até 70 mil euros pela autarquia.

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