É um facto que o Salário Mínimo Nacional (SMN) tem aumentado nos últimos anos, mas também é um outro facto que continua a ser pouco para que a maioria dos portugueses passe do sobreviver para aquilo que deveria de poder fazer que é viver com qualidade de vida.

Já no ano passado fizemos uma notícia em que tentámos perceber se um jovem consegue sobreviver ou viver sozinho com 650 euros e a realidade é que poderá ou não sobreviver dependendo em grande parte do suporte familiar que poderá ou não ter.

Então se achamos que sobreviver com 650 euros é difícil como é que será com o SMN que passou de 580 em 2018 para 600 em 2019?

Claro que a resposta vai variar de pessoa para pessoa e de agregado para agregado devido às variáveis da equação da vida de cada um.

O que queremos dizer é que quem tem um suporte familiar que tem disponibilidade para apoiar na compra de um meio de transporte ou até de um apartamento e/ou de uma casa tem sempre uma vantagem em relação a quem tem de alugar e/ou comprar sem suporte algum.

Por isso, o exemplo que mais interessa é mesmo aquele que apenas e só pode contar com o rendimento do seu agregado e com mais ninguém.

Então, um casal sem filhos que ganhe o SMN tem um orçamento de 1.200 euros mensais. Como sabemos que o atual mercado imobiliário tem imóveis para arrendar e para comprar a preços inflacionados, este casal encontrou um apartamento de tipologia T2 com uma renda de 325 euros.

A possibilidade de compra de apartamento ou de casa ficou descartada devido ao facto de não  terem bens, não terem um pé-de-meia e não terem fiadores, ou seja, por não reunirem condições para que pudessem contrair um crédito habitação.

Dos 1.200 euros subtraímos os 325 euros da renda, restando 875 euros. Supondo que as despesas de água, eletricidade, gás e internet custam 125 euros, resta 750 euros ao casal.

Os dois trabalham em locais de trabalho diferentes, logo têm dois veículos, e gastam uma média de 100 euros cada um em combustíveis, sobrando 550 euros. A este valor subtraíamos 350 euros para compras em alimentação, bebidas e produtos de higiene pessoal e do lar.

Após o casal retirar os valores anteriormente mencionados para despesas de caráter básico, fica com 200 euros. Um valor que pode ser usado em outras necessidades pessoais como saúde, com o carro ou o lar, em roupa ou calçado, em lazer ou podem ficar guardados para prevenir algum contratempo. Estas contas até nem parecem assustadoras se o mês correr bem, isto é, sem contratempos. E assim sobrevive um casal que ganhe o SMN porque para viver precisava de bem mais.

Se achamos que é complicado para um casal que ganha o SMN, agora imaginemos esse casal com um filho. Só dizemos um porque se imaginarmos mais apenas e só conseguimos admirar quem consegue fazer “das tripas coração” para que não faltem os bens essenciais a nenhum elemento do seu agregado familiar. E acreditamos que são muitos os portugueses que sobrevivem a esta realidade.

E vamos terminar o texto tal como começamos. É um facto que o SMN tem aumentado nos últimos anos, mas também é um outro facto que continua a ser pouco para que a maioria dos portugueses passe do sobreviver para aquilo que deveria de poder fazer que é viver com qualidade de vida.

Se está a ler esta notícia esperemos que não saiba o que isto é, mas por isso mesmo é que deve “vestir” a pele destes portugueses e perceber que muitos só conseguem sobreviver quando aquilo que sempre quiseram, mas nunca conseguiram, foi viver além das necessidades básicas. Somos um país que devia de ser “Superior” não só no ensino, mas nos salários e na qualidade de vida dos seus cidadãos. Por isso, até quando vamos sobreviver em vez de viver?

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