A exposição “Extravaganza”, com obras da Coleção Treger/Saint Silvestre e curadoria de Antonia Gaeta, pode ser visitada deste a sua inauguração no dia 13 de abril, pelas 21h30, no Centro de Arte Oliva.

A curadora Antonia Gaeta recorre a “´uma certa enciclopédia chinesa´ na qual catalogava de maneira aleatória e subjetiva espécies e formas distintas”, mencionada por Jorge Luís Borges na crónica Empório Celestial de Conhecimento Benevolente, para “explanar as ideias que subjazem e se materializam na exposição Extravaganza”.

“Uma certa estranheza presente nas obras, a obsessão pelo obsceno e o nonsense (sem sentido), a recusa de regras lógicas, vários etcéteras (como diria Borges), as abstrações, o gosto pelo absurdo, o caos, a incongruência e todo o tipo de paradoxos, encontram-se reunidas de forma irreverente e descontínua numa montagem expositiva artificiosa, ambígua e redundante e com muitas paredes brancas”, descreve Antonia Gaeta, continuando com “um sentimento de surpresa que levemente anunciado envolve a exposição: as obras não pertencem a um mesmo género ou a uma determinada área geográfica, nem ao mesmo período histórico. Os artistas são por vezes anónimos, pouco conhecidos ou trabalham sob pseudónimos. Quase analfabetos, sem formação artística ou literária são, no entanto, capazes de trazer uma grande emoção espiritual e criativa através de desenhos e retratos de cenários nunca vistos, fisionomias de difícil catalogação, a repetição obsessiva à mistura com a autoficção e quiçá a promessa de outra identidade”.

Em Arte Bruta é muito difícil separar a história do autor da história da obra. Por isso, os visitantes têm acesso a um documento com uma pequena biografia dos artistas para que possam entender melhor as obras e a um outro com um texto da curadora, ao qual o labor recorreu, em que ela faz questão de mencionar que “todos eles, em maior ou menor medida, tiveram vidas complexas, perdas irremediáveis, acidentes, passaram por carências e privações, fora perseguidos e postos de lado, tiveram experiências multidimensionais e extraterrestres” e “através da criatividade liberta da razão é possível que tenham encontrado as chaves de acesso ao além e porventura, que tenham tido a possibilidade de criar outros vínculos com o corpo e com a mente”.

A exposição “Extravaganza”, com obras da Coleção Treger/Saint Silvestre pode ser visitada até ao dia 15 de setembro no Centro de Arte Oliva.

 

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