Este livro é de “uma escrita (…) que não para porque deixa ecos dentro de nós. É uma escrita de infinitos”, descreveu o pai Adão Cruz

 

O primeiro livro de Marcos Cruz foi apresentado pelos pais Adão Cruz e Manuela Coelho durante a tarde do dia 13 de abril na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo.

“Nunca esquecerei os tempos – tempos maravilhosos – que passamos em S. João da Madeira”, disse Manuela Coelho sobre a cidade onde nasceram os seus três filhos com Adão Cruz, mas que ainda muito pequenos foram viver para o Porto.

Por isso, Marcos Cruz tem ligações a determinadas pessoas de S. João da Madeira e não propriamente à cidade em si.

A mãe do autor começou por ler o texto “Respirar Fundo” pela “beleza da sua escrita” e leu muitos outros dos cerca de 200 textos compilados em “Os pés pelas mãos”.

Este texto foi escrito quando Marcos Cruz ainda era jornalista no Diário de Notícias, terá cerca de 25 anos e, por isso, é o texto mais antigo de todos os que foram publicados neste livro.

O pai do autor questionou até que ponto é que os livros devem de ter um título ou até uma capa. A ter um título deve de ser um que “não dê pistas, mas que ajude a despistar” o leitor, tal como dizia Humberto Eco, citou Adão Cruz, levando a que fizesse uma análise do título e da capa do livro do filho.

“Não é um monumento, mas é uma verdadeira obra de literatura. Um livro de coragem por se falar de forma tão aberta. Uma linguagem extraordinária. Consegue usar a palavra de uma forma especial. Uma escrita singular.”, descreveu a tia Eva Cruz

“Os pés – correspondem aos passos da vida que são traduzidos pela escrita – pelas mãos” de Marcos Cruz e a capa é o resultado da imaginação e da transformação de uma imagem da NASA por parte de Manuel Cruz, irmão e ex-vocalista dos Ornatos Violeta, que “diz tudo aquilo que a gente quiser”, revelou Adão Cruz.

Acerca do primeiro livro deste seu filho, “não digo que seja um monumento, mas é um bom trabalho de comunicação. A comunicação é uma comunicação de vida”, considerou o pai.

“Os pés pelas mãos” é “indiscutivelmente filosófico, de uma filosofia singular do dia a dia, é profundamente poético, de uma escrita muito bonita, pessoal, hábil, profunda, aberta e que não para porque deixa ecos dentro de nós. É uma escrita de infinitos”, descreveu Adão Cruz.

O autor foi jornalista durante 20 anos e esteve entre os 120 jornalistas despedidos pelo Diário de Notícias, considerando ter sido despedido por justa causa neste seu livro. Mas o pai tem um entendimento diferente e fez questão de demonstrá-lo durante a apresentação do livro do filho.

“Fiquei frustrado quando li no livro que ele escreveu que tinha sido despedido justamente” porque “ele nunca cedeu a nenhuma manipulação ou medo”, esclareceu Adão Cruz, assumindo que “se estivesse no lugar de quem o despediu também o despedia porque não estava a colaborar com aquilo que queriam”. A intervenção do pai terminou com uma pequena frase de José Saramago escrita ao seu filho: “Não é comum encontrar uma escrita tão sensível e inteligente como a dele” na imprensa.

Para Marcos Cruz “não há mal nenhum em mostrar virtudes, defeitos e incongruências” que é como quem diz que não há problema em metermos “Os pés pelas mãos”.

O autor confidenciou que começa os textos sem saber onde o vão levar porque “é assim que cresço quer enquanto pessoa, quer enquanto alguém que escreve” e “o que me agrada é que as pessoas podem interpretar os meus textos da forma que lhes fizer mais sentido”. Marcos Cruz não escreve para dar respostas, mas para provocar questões. “É isso que gosto de ser, um multiplicador de dúvidas” e “não dou respostas porque não as tenho”, concluiu o autor que tem uma parte de si que é sanjoanense.

 

Exposição de Adão Cruz na Biblioteca até 20 de abril

 

A apresentação do livro de Marcos Cruz aconteceu no local onde estão expostas obras de pintura e de poesia “Como um dia de primavera nos olhos de um prisioneiro” do seu pai Adão Cruz. A exposição pode ser apreciada na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo até 20 de abril. A entrada é gratuita.

 

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