“Com o comunicado do Movimento das Forças Armadas ficámos mais descansados por ser um golpe de esquerda e não de direita”, contou Adão Cruz

A sessão “O Papel do Exército na Conquista da Liberdade e o Fim da Guerra Colonial” começou com a gravação do primeiro comunicado das Forças Armadas no dia 25 de Abril de 1974 a ser dada a ouvir a todos os presentes durante a tarde de sábado no auditório do Museu da Chapelaria.

À mesma mesa estiveram os convidados Joaquim Furtado, jornalista que deu voz ao primeiro comunicado das Forças Armadas, e Adão Cruz, médico cardiologista, para conversarem sobre este tema com a moderação de Clara Reis, presidente da Assembleia Municipal.

Joaquim Furtado deu a conhecer a forma como viveu o momento em que sete militares entraram nas instalações do Rádio Clube Português, por volta das três da manhã, levando a um clima de “muita dúvida” perante a informação de que poderia estar a decorrer um golpe por parte da extrema-direita. Só mais tarde, um elemento do exército revelou que o que estava em curso era “um movimento militar para derrubar o regime, fazer eleições, libertar os presos políticos, acabar com a PIDE e acabar com a Guerra Colonial”, deu a conhecer o jornalista aos presentes.

Joaquim Furtado falou sobre o antes e o depois da Guerra Colonial que esteve durante muito tempo envolta num manto de silêncio, o que o levou a realizar a premiada série documental televisiva “A Guerra”.

O médico cardiologista recordou que estava de serviço no Hospital de Santo António no dia 25 de Abril de 1974. “Não sabíamos no que ia dar”, mas “com o comunicado do Movimento das Forças Armadas ficámos mais descansados por ser um golpe de esquerda e não de direita”, contou Adão Cruz.

O médico partilhou ainda a sua perspetiva enquanto esteve no terreno durante a Guerra Colonial. Uma experiência em que foram criadas amizades no meio de um clima de guerrilha e marcado por muitas atrocidades.

A abordagem deste tema é “importante” para perceber o seu papel no Golpe de Estado que derrubou o regime e que permitiu que “os mais jovens não tivessem de passar por esta horrível experiência” que ficou marcada pela censura, pelas prisões politicas, pela tortura e por uma guerra que vitimou muitas pessoas, concluiu Clara Reis.

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