A comunidade educativa manifestou-se pela falta de assistentes operacionais existente no Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior (AEOJ), no dia 7 de maio, pelas 8h30, em frente à escola sede.

De acordo com o comunicado assinado pelos presidentes do conselho geral, da Associação de Pais e da Associação de Estudantes do AEOJ, “possuímos um rácio negativo de assistentes operacionais, considerando o quadro de pessoal, a que acresce o facto de termos vários assistentes operacionais de baixa médica prolongada e outros com limitações cada vez mais expressivas, exercendo funções que ultrapassam largamente as suas capacidades” que leva a uma “situação que assume contornos absolutamente incomportáveis no que diz respeito à gestão do expediente diário no que se refere à segurança, higiene e manutenção de todos os espaços escolares”,  lê-se no comunicado, onde é dado nota de que devido à “complexidade da situação, para além de existirem espaços exteriores vedados, com circulação interdita aos nossos alunos, da significativa limitação no atendimento a serviços como o bar, a reprografia e a biblioteca, já foi encerrado o pavilhão gimnodesportivo, impedindo a realização de atividades desportivas, em períodos mais críticos de carência de assistentes operacionais”.

Os responsáveis pelo comunicado destacam ainda que “no passado dia 11 de dezembro, o conselho geral aprovou e enviou uma moção à DGEstE (Direção-Geral de Estabelecimentos Escolares), recomendando a colocação de mais assistentes operacionais no nosso agrupamento, ao que a DGEstE não se dignou a responder”.

O labor questionou a DGEstE Norte no próprio dia da manifestação sobre qual o rácio de assistentes operacionais para este agrupamento, se o mesmo estava a ser cumprido, qual a solução para combater as necessidades relacionadas com a segurança, higiene e manutenção de todos os espaços deste agrupamento, e se recebeu a moção e qual será a sua resposta. No dia seguinte, a DGEstE Norte referiu que para o “esclarecimento solicitado no mail infra, poderá obter informações através do Gabinete de Comunicação (GC) do Ministério da Educação (ME)”. O labor reencaminhou ontem as mesmas questões para o GC do ME, não tendo obtido informação até ao fecho da edição.

“Necessidade existe desde o início do ano letivo”

“Neste momento, estamos com 23 (assistentes operacionais) atribuídos, dois com baixa prolongada,” quando “a escola devia de ter perto de 30 funcionários”, disse Vitor Costa, presidente da Associação de Pais da Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior, pedindo mais “cerca de sete ou oito funcionários” à tutela, em declarações aos jornalistas.

Para Fernanda Pinho, presidente do conselho geral do agrupamento, “na realidade não temos 23 (assistentes operacionais) porque dois estão com baixa e temos provavelmente vários que irão para essa situação por estarem tão exaustos, tão cansados pelas tarefas que lhes são impostas”.  A manifestação sobre esta “necessidade” que “existe desde o início do ano letivo” contou com o apoio da direção do AEOJ. “A direção da escola foi das primeiras a manifestar junto da tutela a preocupação que temos com a falta de funcionários”, afirmou Fernanda Pinho, relembrando que depois de “a escola manifestar essa preocupação”, seguiu-se a aprovação e o envio da moção por parte do Conselho Consultivo à DGEstE que está “sem resposta”.

“A falta de pessoal nesta escola é extremamente visível”, principalmente agora com a baixa de alguns funcionários, levando a alguns constrangimentos na gestão de espaços mencionados pelos responsáveis do comunicado e relembrados por Manuela Martins, representante dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais, também ela assistente operacional na EB2,3 de S. João da Madeira, durante a manifestação à imprensa.

A dirigente sindical confirmou que esta é “uma realidade que se vê por todo o país” e até ao momento “não temos resposta nenhuma por parte do Ministério da Educação”.

“Que venham pessoas novas. Estamos muito desgastadas”

Uma das assistentes operacionais presentes na manifestação foi Emília Pinto, de 56 anos, e que trabalha há 22 na Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior.

“O que vejo é que de ano para ano entram mais crianças, temos 1.450 alunos, e nós vamos envelhecendo e não temos a capacidade que tínhamos quando viemos para cá”, começou por dizer Emília Pinto.

Para esta assistente operacional, “cada vez mais temos mais trabalho, isto está a ser demais e o Governo tem de fazer alguma coisa porque precisamos de pessoas que nos venham ajudar”, pedindo “que venham pessoas novas. As mais novas que temos aqui têm cerca de 40 e as restantes dos 55 para cima. Estamos muito desgastadas”.

 

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