Helena Lestre, antiga costureira da cidade, lança primeiro livro aos 72 anos e garante que não vai ficar por aqui

Este último sábado, Helena Lestre concretizou mais um “sonho” lançando, na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, a primeira obra da sua vida, que começou a escrever aos 65 anos de idade.

A apresentação de “Poesia e Vidas Sentidas” esteve a cargo do médico e poeta sanjoanense, Flores Santos Leite, e foi feita no âmbito de uma sessão em que marcaram presença a presidente da Assembleia Municipal, Clara Reis, as vereadoras Irene Guimarães e Paula Gaio, bem como amigos, familiares e admiradores da autora.

“Poesia e Vidas Sentidas” é, como a própria disse em exclusivo ao labor, “um livro [de poesia] para todos”, desde o mais humilde ao mais letrado. Além disso, parte do seu custo reverte a favor da CERCI de S. João da Madeira, gesto que a escritora de 72 anos também vai ter para com outras instituições sociais de outras cidades nas quais espera vir a apresentar o livro. Oliveira de Azeméis, de onde é natural, e Santa Maria da Feira, onde frequenta a Universidade Sénior (US), estão na rota das apresentações de “Poesia e Vidas Sentidas”.

À conversa com o nosso jornal, Helena Lestre deu-se a conhecer. Nascida em Faria de Cima, na Vila de Cucujães, no seio de uma família numerosa composta por 15 filhos, esta “galega” – como se autodenomina por ser proveniente da “fronteira” entre Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira – sempre disse à sua mãe que queria ser “vendedeira”.

“Ia de Faria de Cima para as Missões [em Cucujães] para aprender costura”

A mãe lá lhe fez a vontade, deixando-a vender fruta. Mas, ao mesmo tempo, também a obrigou a aprender costura. Apenas com 10 anos, Helena Lestre “ia de Faria de Cima para as Missões [em Cucujães] para aprender costura”. E em boa hora o fez, porque, já adulta e a viver em S. João da Madeira depois de ter casado com um sanjoanense, veio a trabalhar como balconista num pronto a vestir. Mais tarde veio a estabelecer-se por conta própria, no mesmo ramo comercial, junto ao antigo Cinema Imperador.

Durante mais de 30 anos, Helena Lestre foi o rosto e a “alma” da conhecida casa Modas M H 3000, onde “atendi e servi muitas pessoas que jamais me posso esquecer”, contou ao labor visivelmente emocionada. Algumas das “vidas sentidas” que encontramos na sua obra cruzaram-se com a sua nos tempos em que foi uma modista de sucesso.

“Aprendi muito com os meus clientes. Eles é que me deram a universidade da vida”, afirmou a antiga costureira, acrescentando que já naquela altura “gostava de escrever, mas não tinha tempo nem para ler tampouco, porque tinha de costurar, atender os clientes e fazer a vida de casa”.

Só há coisa de 10 anos, quando fechou a loja, é que passou a ter tempo. Tanto que foi estudar até ao 9.º ano de escolaridade, aprendeu música, começou a fazer teatro, a cantar num coro, etc..

Helena Lestre não para. “Não baixo os braços”, garantiu ao nosso semanário, dando nota que já tem em mente escrever a sua autobiografia.

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