Centro de Arte de S. João da Madeira completa hoje 33 anos

Esta quinta-feira, o Centro de Arte de S. João da Madeira (CASJM) completa 33 anos. A nível municipal, segundo informação obtida junto do gabinete de comunicação da câmara, “não está prevista qualquer atividade” tendo em vista assinalar o aniversário deste departamento da Associação Cultural Alão de Morais (ACAM). Mas o labor não quis deixar passar em branco a data e foi ao encontro de Victor Costa.

Foi este professor e artista natural de Guimarães, que casou em S. João da Madeira, que, a convite do vereador da Cultura da altura, Dr. Marques Pinto, arrancou com este projeto pioneiro, com uma vertente formativa e outra expositiva, que pôs S. João da Madeira no mapa da cultura nacional.

A ideia era permitir à população local, em particular aos jovens, o acesso a um universo diversificado de bens e iniciativas culturais no campo das artes plásticas.E assim foi…O Centro de Arte de S. João da Madeira iniciou a sua atividade a 16 de maio de 1986 com a 1.ª Mostra de Arte Contemporânea, que teve a presença do então Presidente da República, Mário Soares.

Victor Costa foi o diretor artístico do Centro de Arte de S. João da Madeira durante 28 anos

“Fomos pioneiros ao trazer a arte contemporânea para S. João da Madeira”, afirmou ao nosso jornal o antigo diretor do CASJM. Segundo Victor Costa, a nível da formação, “contribuímos de uma forma particularmente positiva”, com a fotografia a destacar-se “como a área mais relevante”. Já em termos de exposições “os nomes mais significativos da arte portuguesa” como, por exemplo, Joana Vasconcelos, Pedro Croft ou Manuel Rosa, “passaram por S. João da Madeira”.

Victor Costa foi o diretor artístico do Centro de Arte de S. João da Madeira durante 28 anos e ainda esteve “ano e meio com o Núcleo de Arte da Oliva”. “Fui o primeiro presidente do Núcleo de Arte”, depois de o ex-autarca Manuel Castro Almeida tê-lo convidado para o cargo.

O balanço que faz desses tempos é “claramente positivo”. “S. João da Madeira manteve um espaço aberto com clara influência no meio cultural português e que foi reconhecido por isso”, disse o ex-responsável do CASJM ao labor, garantindo que ultimamente “não tenho acompanhado o trabalho” que tem sido desenvolvido.

“Criou-se um Centro de Arte Oliva quando já havia um Centro de Arte”

Mas apesar de não ter “grande informação” sobre o que por lá se passa, Victor Costa não deixa de lamentar o facto de neste momento haver dois centros de arte.  “Criou-se um Centro de Arte Oliva quando já havia um Centro de Arte”, fez ver, completando: “Existir um centro de arte para alimentar outro centro de arte não me parece muito bom, acho estranho”.

“Centro de Arte está a ser um pouco esvaziado das suas missões”

Alinhando pelo mesmo diapasão, Manuel Ferreira da Rocha, presidente da ACAM, referiu ao labor que “o Centro de Arte de S. João da Madeira está a ser um pouco esvaziado das suas missões”. Uma destas “missões” foi, na sua opinião, “deslocalizada para o Centro de Arte Oliva”. E no que diz respeito à “parte formativa”, “atualmente já não há a procura que havia antigamente, por força, se calhar, da conjuntura geral e de uma maior oferta que há”.

Manuel Ferreira da Rocha ainda opinou que “a partir do momento em que se criou o Núcleo de Arte da Oliva (hoje Centro de Arte Oliva) tudo ficou muito alterado”.

Originalmente, o Centro de Arte de S. João da Madeira esteve instalado no Palacete da Quinta do Rei da Farinha onde funcionou até outubro de 2008. A partir de 2013 passou a estar integrado no complexo da Oliva Creative Factory.

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