Objetivo é obter dados mais credíveis sobre a poluição de odores e criar regulamentação de controlo da mesma  

 

A apresentação pública do projeto D-Noses realizou-se no dia 14 de maio, pelas 18h30, na Torre da Oliva.

Para além de Jorge Sequeira, presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira, e Carlos Borrego, professor na Universidade de Aveiro e antigo Ministro do Ambiente, intervieram Rosa Arias, da Fundacion Ibercivis (Espanha), entidade coordenadora do D-NOSES, e Vera Neves, Técnica do Ambiente do Município, que abordou o caso de estudo sanjoanense inserido neste projeto.

O D-Noses é um projeto com financiamento no âmbito do Programa-Quadro Europeu para a Investigação e Inovação (Horizonte 2020) que envolve 14 entidades de nove países (Alemanha, Áustria, Bulgária, Chile, Espanha, Grécia, Itália, Reino Unido), sendo Portugal representado pelo município sanjoanense, pelo Serviço Intermunicipalizado de Gestão de Resíduos do Grande Porto (Lipor) e pela Associação Portuguesa de Engenharia do Ambiente (APEA).

Este projeto europeu foi iniciado em abril de 2018 e terá a duração de três anos. Num primeiro momento, o objetivo será capacitar as comunidades locais afetadas pela poluição a recolherem evidências sobre o problema para que depois, em conjunto com os parceiros do D-Noses, seja possível alcançar uma mudança. Num segundo momento, um outro objetivo será a criação de uma regulamentação de controlo de odores. “Existe regulamentação para controlar a qualidade do ar, mas os odores não são caracterizáveis como matéria de qualidade do ar”, disse Jorge Sequeira, continuando: “a União Europeia sentiu este problema e criou este programa para apresentar uma legislação”.

O projeto-piloto de S. João da Madeira terá como “caso de estudo o cheiro a “Casqueira” por causa do processamento de subprodutos de origem animal da empresa Luís Leal e Filhos que está sedeada em Arrifana, Santa Maria da Feira, mas que afeta S. João da Madeira”, deu a conhecer o autarca.

De acordo com Vera Neves, “as queixas (pelo cheiro a ´Casqueira´) existem desde 1970”. “Apesar dos investimentos da empresa” em materiais e equipamentos com o intuito de minimizar os odores, “as queixas continuam a existir”, considerou a Técnica do Ambiente.

O D-Noses pretende “obter dados mais credíveis” sobre os odores ao capacitar a comunidade para classificar os mesmos, indicou Vera Neves, dando a conhecer que tem levado este projeto às escolas, a alunos dos três aos 18 anos, e até à própria empresa Luís Leal & Filhos que é uma das entidades envolvidas no projeto.

“É preciso muito trabalho de todos os envolvidos para resolver o problema dos odores”

E o que são os odores? A “poluição atmosférica que não se esconde e é imediatamente percetível”, explicou Carlos Borrego, esclarecendo que a caracterização deste tipo de poluição é “um problema complexo”.

A caracterização da poluição de odores deve de ser avaliada mediante a frequência, intensidade, duração, ofensidade (medida de agradabilidade) e a localização. E mesmo assim a caracterização pode ser complexa, bastando termos em conta o exemplo dado pelo antigo ministro do Ambiente. Temos a intensidade do odor de uma suinicultura e a intensidade do odor de uma padaria. Em ambos os casos temos “a mesma intensidade, mas a agradabilidade é diferente” porque todos concordamos que “a intensidade do odor da suinicultura é maior do que a da padaria”, indicou o professor Carlos Borrego.

Para a poluição de odores “não existe enquadramento legal em Portugal, mas a Alemanha e a Holanda têm. Eles têm parâmetros científicos e técnicos que permitem medir odores”, deu a conhecer o antigo ministro do Ambiente.

No que diz respeito ao desenvolvimento do projeto D-Noses, “é preciso muito trabalho de todos os envolvidos para resolver o problema dos odores”, salientou Carlos Borrego.

O D-Noses é “um projeto europeu de ciência cidadã que procura estudar a poluição de odores envolvendo a comunidade afetada de forma a resolverem o problema em conjunto”, reforçou Rosa Arios, destacando que é preciso “encontrar uma solução em conjunto com as autoridades locais, nacionais, industrias emissoras entre outros”.

Os interessados em participar neste projeto podem inscrever-se em https://odourcollect.socientize.eue descarregar a aplicação gratuita Odourcollect.

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