A minha coluna

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COLECÇÕES DE ARTE NOS DAI HOJE…

Pode ser uma afirmação gratuita, e é… Mas “o pessoal” não percebe nada de arte. Eu ignorante me confesso. Se visito uma exposição e alguém que sabe do assunto me vai dando umas dicas – por sorte tenho perto quem se esforce comigo nessa matéria – não dou o tempo por perdido. Agora se lá for sozinho… ou mal-acompanhado… o melhor é nem lá ir! Eu sei que há alguns que sabem do assunto. Ou dizem saber. E não falo dos artistas, os que criam as tais obras, porque muitos deles passam vidas pouco abaixo do modesto e as obras que criam na maior parte das vezes só valem algum quando os seus criadores já foram desta para melhor. É sempre a partir daí que começam a movimentar milhares entre os que as compram e vendem. A História está cheia de exemplos desses. Mas para não me meter em alhadas e começar a falar aqui do que não sei – no que não seria o único nem o faria pela primeira vez – queria destacar a arte que alguns têm de colocar outros, normalmente com o dinheiro de todos, a pagar a guarda das obras de arte que foram juntando mas que, por terem com elas gasto muito do seu, acabam por argumentar que não têm o suficiente para as guardar devidamente num espaço por si criado. Seu. Que até podiam rentabilizar. E se oferecem como mecenas da cultura pública disponibilizando a visualização dos seus bens. Chegados a este ponto há sempre um poder público que, para dar a ideia de que está a elevar o nível cultural do povo que suporta os orçamentos, arranja um espaço nobre para guardar as tais obras e as mostrar ao público. Que, normalmente, nunca lá vai nem chega a perceber quanto do seu dinheiro lá fica. É claro que nem todos são comendadores nem têm a arte de conseguir empréstimos “milhionários” dando uma pipa de ar como garantia. Mas conseguem convencer o poder público a disponibilizar uns milhares de euros por mês para que a sua arte esteja devidamente acondicionada em espaços devidamente cuidados, vigiados e, claro, disponíveis para o tal público que, na maior parte das vezes, desconhece tudo. A arte, as obras, que lá estão, quanto paga, etc…. E, convenhamos, para conseguir isso também é preciso ter arte…

Balha-me Deus!

AS PEDRAS DAS CABEÇAS DE PEIXE

 É amigo de infância, é sanjoanense e tem uma das maiores coleções conhecidas de … pedras de cabeça de peixe. O Benjamim vive na piscatória Sesimbra. Não será por isso que gosta de peixe mas talvez seja por gostar de peixe que descobriu as pedras na cabeça de muitos deles. São os otólitos que dizem servir para que os peixes se equilibrem ou para os ajudar a orientar. Ou para isso ou outra coisa qualquer. Lá está! Além de arte também não sou especialista em otólitos. Importante mesmo é que o Benjamim tem uma coleção destas pedras e é encontrar alguém que tenha uma coleção dessas pedras. Por isso uma coleção destas tem valor. Muito ou pouco. E o Benjamim tem-na em casa. Num armário com portas de vidro, devidamente catalogadas e disponíveis para serem observadas por quem lá apareça. O Benjamim podia ter pedido à câmara de Sesimbra ou até ao governo uma sala para lhe guardarem a coleção. Mas não. Discreto como é resolveu tomar ele conta da coleção e não importunar os poderes públicos. O Benjamim não tem a arte de quem tem arte…

Balha-me Deus!

MALHADIÇO

Hoje estou malhadiço. Aqui “há atrasado”, no tempo em que a gestão municipal tinha outra cor, um vereador da maioria de então confidenciou-me que tinha ficado estupefacto com o dinheiro que o município gastava mensalmente com a guarda de duas coleções de arte privadas, e sem qualquer contrapartida efetiva para o município. Num tempo em que diversos serviços municipais lutavam com a falta de recursos para trabalhar e até (cúmulo dos cúmulos…) de papel higiénico – dizia-me ele – o valor que a edilidade pagava em eletricidade e manutenção desse espaço era, na sua opinião, “um exagero”. Ainda por cima num espaço que praticamente não registava visitas, embora aqui a o município olhasse para o lado. Criado no tempo do Presidente Castro Almeida com o objetivo de integrar os roteiros dos milhares de turistas que chegariam ao Porto – e chegaram, ao Porto – a verdade é que praticamente ninguém conhecia as tais coleções nem o núcleo onde estavam expostas. Como não se conhecia – nem conhece ainda – o quanto custa aos contribuintes sanjoanenses a manutenção desse espaço. Pode o muito ou pouco ter justificação. E terá. “A arte só dá lucro aos que a comercializam” – dizia-me há dias um dos tais entendidos na matéria. E tem um custo social. Pacífico. Mas, pelo menos, podiam dizer-nos quanto nos custa e que benefícios o município delas recolhe. Será que já teve a oferta, por exemplo, de uma ou outra obra dessas coleções que se espera venha a ter um valor que minimize o esforço financeiro municipal de todos destes anos?

Balha-me Deus!

 

 

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