E apela ao voto nas europeias do próximo domingo

Em contacto com os trabalhadores da empresa Faurecia em S. João da Madeira, a CDU – Coligação Democrática Unitária insurgiu-se, na passada sexta-feira, contra o atual modelo da União Europeia (UE) em que “a mão de obra é vista como uma mercadoria e todas as suas recomendações apontam para uma legislação mais flexível para permitir às empresas o uso da mão de obra como fator de ajustamento às flutuações da procura”.

À entrada da fábrica, acompanhado por Joana Dias, ex-candidata à Assembleia de Freguesia sanjoanense nas autárquicas de 2017, Miguel Viegas defendeu, tanto para Portugal como para o resto da Europa, o “modelo” da Esquerda Unitária Europeia, que promove a valorização do trabalho e das condições de vida das populações”. “Defendemos uma cláusula de não reversão social impedindo a perda de direitos e a convergência dos salários ao nível da Europa”, disse o eurodeputado eleito pelo Partido Comunista Português (PCP), acrescentando: “Em vez de se canalizar milhões para o sistema financeiro e para as grandes empresas do ramo automóvel, queremos a existência de um fundo direcionado para financiar investimento público em áreas tão importantes como os transportes, a energia e o ambiente”.

A UE, “ao promover a livre concorrência no espaço europeu está a colocar trabalhadores uns contra os outros, nivelando por baixo direitos sociais e laborais”. Esta é, em seu entender, uma das situações que, para além de outras, deve levar os eleitores, inclusive os sanjoanenses, a não ficarem em casa e a irem votar nas europeias do próximo dia 26 de maio.

Quanto ao sentido de voto, Miguel Viegas aconselhou, em declarações ao labor, os portugueses a lerem os programas eleitorais e a verem o que cada eurodeputado no Parlamento Europeu fez nestes últimos cinco anos. Na sua opinião, a abstenção é combatida “através de uma campanha de proximidade e com propostas claras”, o que “infelizmente” não tem acontecido. “Pouco se discute a política europeia e as várias propostas dos partidos” e “as televisões [e outros órgãos de comunicação social] dão pouco espaço às questões de política europeia”, sendo assim “mais difícil mobilizar o eleitorado”.

Coligação quer “um melhor aproveitamento dos fundos estruturais”

No que diz respeito à candidatura da CDU, que junta PCP e Os Verdes, “os deputados [que a compõem] irão bater-se por um modelo de cooperação que seja motor de uma convergência social e económica através de políticas públicas”. A começar já “pelo reforço das políticas de coesão e por um melhor aproveitamento dos fundos estruturais, sobretudo em termos da transição energética”. “Como é possível não se ter aproveitado a política de coesão para modernizar a Linha do Vale do Vouga? Como é possível que não se tenham aproveitado os fundos para criação de uma rede de estações de biomassa para viabilizar a limpeza da floresta, combatendo os incêndios e apostando em energias renováveis?”, questionou o comunista que deixa o Parlamento Europeu e vai encabeçar, agora, a lista candidata da CDU às legislativas de 6 de outubro no círculo eleitoral de Aveiro.

“Depois de um mandato positivo cujo mérito deve ser repartido coletivamente por todos os que contribuíram para tal, a direção do PCP propôs-me o desafio de encabeçar novamente a lista pelo distrito”, contou ao nosso jornal, explicando que “isto” se deve à “importância crescente desta região no panorama nacional” e às “reais possibilidades de finalmente Aveiro poder estar representado na Assembleia da República”.

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