Da autoria dos designers Araceli Sancho e Kei Kagami

 

“Araceli Sancho. Narrativas Visuais” e “Kei Kagami. Sem Limites”. A primeira exposição pode ser visitada no Museu da Chapelaria e a segunda, não muito longe dali, no Museu do Calçado até ao próximo dia 29 de setembro. Ambas são uma estreia em Portugal.

Falamos das duas novas mostras temporárias inauguradas no passado sábado no âmbito do ciclo temático “Criar entre mundos. Da cabeça aos pés” que vem sendo promovido pelo Município há algum tempo. Recorde-se que o mesmo projeto camarário já trouxe a S. João da Madeira (SJM) o filipino Harvy Santos, a holandesa Amber Ambrose Aurèle, a espanhola Estibalitz Diaz de Durana Arias e a austríaca Carolin Holzhuber.

Entre outras atividades, o 18 de maio, Dia Internacional dos Museus, foi assinalado na cidade com a inauguração de uma exposição da autoria da espanhola Araceli Sancho, designer de chapéus de alta-costura, e de uma outra do japonês Kei Kagami, arquiteto e designer de moda e de calçado. Houve ainda uma mesa redonda com estes dois criadores estrangeiros

“Narrativas visuais” “sem limites”

Contrariamente a Kei Kagami que desenha sapatos que “têm de ser usáveis”, Araceli Sancho cria chapéus que são “mais para serem vistos e sentidos do que para serem usados”.

No Museu da Chapelaria a artista tem patente 70 verdadeiras peças de arte que mais não são do que formas “de comunicar os meus pensamentos, as minhas memórias, os meus sentimentos e as minhas preocupações”. Para Araceli Sancho, “as peças mais criativas são as que desenho para exposições, competições ou coleções especiais”, pois “aqui sinto-me livre para criar”.

Por sua vez, Kei Kagami orgulha-se “por desafiar o design de forma a tornar possível o impossível”. Em SJM, referiu que, “enquanto designer não comercial (que não cria com intuito comercial), é fantástico e algo que o enriquece as pessoas poderem tirar partido das suas peças quando estão no museu”. Daí o seu agradecimento público à autarquia e ao Museu do Calçado “por esta oportunidade dada aos criadores”.

 

GN

 

“Investimento na cultura” por parte do Município reconhecido

O “impulso” que é dado à cultura em SJM não passou despercebido a Araceli Sancho que, na sessão inaugural, fez questão de fazer referência a isso mesmo. Segundo esta designer natural de Valência, que espera voltar à “cidade dos chapéus” acompanhada pelo marido, “a cultura é o que mantém as raízes e as tradições” de um povo. E por isso enalteceu os sanjoanenses pelo “carinho” que demonstram ter pela cultura, “por saberem de onde vêm e para onde querem ir”.

Mas, minutos antes, já Jorge Sequeira havia tocado no assunto. Depois da atuação do músico Vasco Campos, do Conservatório Superior de Música de Vigo, o presidente da câmara falou do grande “investimento na cultura” que é feito naquele que é o concelho mais pequeno do país. Prova disso é a existência de duas unidades museológicas e ainda do Centro de Arte Oliva.

Também “em defesa da sua dama” – leia-se do município que gere politicamente -, o autarca deu a conhecer, a alguns pela primeira vez, que a “autonomia política” desta “terra de indústria” ficou a dever-se “ao trabalho e aos chapéus”. A “independência” de SJM em 1926 “aconteceu devido a um grupo de industriais da chapelaria”. Aliás, na altura, “existiam cerca de 200 empresas de chapéus”, como lembrou o edil.

Já na reta final desta sua intervenção no Museu da Chapelaria, Jorge Sequeira disse que “esta exposição [‘Araceli Sancho. Narrativas Visuais´] é dedicada a todos os trabalhadores do setor dos chapéus”, inclusive aos que estavam ali presentes.

À noite nos museus

 Na Noite Europeia dos Museus, 18 de maio, as tradições da chapelaria e do calçado de S. João da Madeira foram evocadas num programa que contemplou vários momentos artísticos, como avança o Município em nota de imprensa remetida ao labor.

Por exemplo, na visita noturna ao Museu da Chapelaria, o público pôde testemunhar a dura realidade do dia-a-dia dos operários desta indústria, ao mesmo tempo que assistiu a momentos de dança por entre as máquinas e as obras ali expostas. Todo o espólio exposto foi visitado, com destaque para a recém-inaugurada exposição de Araceli Sancho, em que a designer espanhola interagiu com os mais curiosos, falando sobre a inspiração por detrás do seu trabalho.

Já no Museu do Calçado, conforme descreve o comunicado camarário, os visitantes surpreenderam-se com o criador japonês Kei Kagami a acender uma vela e a tocar uma caixa de som, ambas incorporadas numa das suas mais icónicas criações. Depois, ouviram-se violinos e piano, na sala da unidade museológica que explica as várias fases da produção de um sapato, seguindo-se a viagem pelo túnel do tempo até ao instante final da visita, com novo momento de dança.

 

DR

 

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