A abertura do procedimento eleitoral para os Órgãos Sociais para o biénio de 2019/2021, era um dos pontos mais aguardados da última Assembleia Geral da Associação Desportiva Sanjoanense, realizada no passado dia 20 de maio, mas com as contas ainda por apresentar, Pedro Santos, contabilista do clube alvinegro, deu início aos trabalhos com uma breve explicação relativamente à situação financeira da coletividade. E, de acordo com o mesmo, até á data de 30 de abril o passivo da Associação Desportiva Sanjoanense situa-se nos 377 mil euros, dos quais 104 mil são referentes à dívida a curto prazo, como fornecedores da sede (36 mil euros) e de modalidades (40 mil euros), banca (7 mil euros) e remunerações (21 mil euros).

Já no que diz respeito à dívida a longo prazo a maior fatia pertence a Pedro Ventura, com Pedro Santos a sublinhar que a atual direção já estabeleceu um acordo a sete anos com o antigo presidente para liquidação do valor. Resolução semelhante foi encontrada para também saldar a dívida de 35 mil euros a Vasco Gama, com o pagamento de uma mensalidade ao longo de cinco anos.

Pedro Santos apontou ainda José Manuel Ferreira e Luís Vargas Cruz como credores do clube e sublinhou a redução da dívida do Totonegócio de 270 mil euros para os atuais 25 mil. O contabilista destacou ainda o pagamento mensal de 500 euros ao longo de dois anos, resultado de uma condenação de um processo judicial interposto pelo ex-colaborador do clube Pedro Maia, que reclamava 10 mil euros de salários.

Com o clube à porta de um processo eleitoral, Luís Vargas, presidente da Associação Desportiva Sanjoanense, sublinhou que as “contas de 2018 ainda não estão encerradas”, garantindo, no entanto, que “com algum esforço”, foi possível apresentar na reunião “uma situação mais real da situação financeira do clube até 30 de abril”.

Com 377 mil euros de passivo, o dirigente esclareceu, contudo, que as contas ainda não refletem a entrada de 100 mil referentes à venda de Cádiz, que se encontrava no Vitória de Setúbal e do qual a Sanjoanense detinha 10% do passe. “Costumo dizer que este foi o melhor negócio do clube porque nunca gastou um litro de água nem uma garrafa de gás”, referiu Luís Vargas, pelo facto de o jogador nunca ter vestido a camisola da Sanjoanense, garantindo, no entanto, que, caso seja eleito, o dinheiro da venda será para “abater o passivo, distribuir pelas modalidades e resolver problemas de tesouraria”.

Com um dos pontos altos da reunião a passar pela abertura do processo eleitoral e sendo já conhecidas as candidaturas de Manuel Correia e de Luís Vargas, Luís Miguel Ferreira apelou ao consenso entre os dois no sentido de “tentar encontrar pontos para que, em última análise, a Sanjoanense seja a beneficiada com isso”. “O Manuel Coreia tem boas ideias para o clube, e o Luís Vargas tem o trabalho que já efetuou sendo que um dos seus grandes méritos foi o alívio do sufoco financeiro”, referiu o atual vice-presidente.

Voltando a sublinhar que a sua candidatura “não é contra ninguém nem a pedido de várias famílias”, e que surge por “vontade própria e na defesa intransigente dos interesses e valores da Sanjoanense”, Manuel Correia admite que “a hora é de mudança”. Reconhecendo que se trata de um projeto “bastante difícil”, o candidato explicou, no entanto, que a decisão de avançar com uma lista surgiu após o atual presidente manifestar a sua intenção em não se recandidatar. Contudo, a mudança de posição de Luís Vargas pretende, segundo Manuel Correia, “abafar” a sua lista e torná-lo num “apêndice sem qualquer influência e capacidade de corrigir vícios e propor novas práticas e comportamentos”. O candidato admitiu ter procurado o consenso entre ambas as listas, tendo apresentado algumas condições ao ainda presidente, mas já depois da reunião revelou não ter sido possível chegar a um entendimento.

Já Luís Vargas preferiu não abordar o seu projeto para o próximo biénio quando o prazo para a entrega de listas ainda se encontra a decorrer, esclarecendo, no entanto, que a sua mudança de decisão foi resultado de um apelo das modalidades. “Sempre fui um defensor do ecletismo, da igualdade de género e das modalidades. Quando, em plena reunião de direção, várias modalidades propuseram que me recandidatasse, falou mais alto a Sanjoanense”, explicou Luís Vargas, garantindo que estará “sempre ao lado das modalidades” e que as defenderá “até à última instância”.

Com o prazo para a entrega de listas a terminar amanhã, as eleições estão agendadas para 31 de maio e decorrem, entre as 16h30 e as 21h30, na sede do clube.

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