À semelhança do que aconteceu nos resultados nacionais

O PS venceu as eleições europeias do passado domingo também em S. João da Madeira.

O Partido Socialista recebeu 2.766 votos (37,17%), enquanto o PSD recolheu 1.585 votos (21,30%). O BE ficou em terceiro lugar com 774 votos (10,40%), o CDS-PP em quarto com 462 votos (6,21%), o PAN em quinto com 371 votos (4,99%) e a CDU em sexto lugar com 302 votos (4,06%).

Logo a seguir o Nós, Cidadãos com 125 votos (1,68%), o Livre com 109 (1,46%), o Aliança com 92 (1,24%), o PPM.PPV/CDC com 58 (0,78%), a Iniciativa Liberal com 50 (0,67%), o PCTP/MRPP com 46 (0,62%), o P N Renovador com 38 (0,51%), o PDR com 37 (0,50%), o PURP com 31 (0,42%), o PTP com 10 (0,13%) e o MAS com nove votos (0,12%).

Nestas eleições europeias dos 20.104 eleitores inscritos apenas 7.441 (37,01%) foram às urnas, o que traduz uma abstenção de 62,99% (12.663 eleitores), semelhante aos 63% registados em 2014. Entre os votantes, 397 (5,34%) votaram em branco e 179 (2,41%) nulo. Tanto os votantes em branco como os votos nulos diminuíram em relação aos 5,56% e 2,54% registados em 2014, respetivamente.

Os resultados em S. João da Madeira demonstram algumas alterações em relação à preferência dos eleitores nas últimas eleições europeias em 2014. Enquanto o PS mantém o primeiro lugar com um aumento de votos em relação aos 33,55% arrecadados em 2014, o PSD e o CDS-PP se voltassem a concorrer juntos conseguiam 27,51% que é um valor aproximado dos 28,73% que conseguiram ao concorrer juntos como Aliança Portugal.

Uma grande reviravolta acontece a partir do terceiro lugar que era ocupado pela CDU com 8,98% e que passou a ocupar o sexto lugar. O quarto lugar, alcançado pelo fenómeno que foi o MPT de Marinho Pinto com 8,34%, foi ocupado pelo CDS-PP. O Bloco passou do quinto com 4,88% nas ultimas eleições para o terceiro lugar em 2019, sendo a maior reviravolta de todas. Para o lugar de quinta força mais votada entra o PAN depois de só ter conseguido 1,57% dos votos em 2014.

À semelhança do cômputo nacional, os resultados locais demonstram um aumento do número de votos no PS, no Bloco de Esquerda e no PAN e um decréscimo no número de votos na CDU. Relativamente ao número de votos no PSD e no CDS-PP não poderemos fazer uma análise tão rigorosa porque concorreram em conjunto nas últimas eleições.

A maior surpresa destas eleições europeias terá sido mesmo a eleição de um eurodeputado por parte do PAN, Francisco Guerreiro, demonstrando a preocupação dos eleitores em relação à existência de uma agenda “verde”.

 

Reações dos partidos

PS

A reação de Rodolfo Andrade, líder da concelhia socialista, foi de agradecimento“a todos pelo voto de confiança no PS, que tem neste resultado mais uma grande vitória eleitoral na nossa cidade” depois da vitória com maioria absoluta em todos os órgãos autárquicos em 2017. “O PS venceu em todas as secções de voto em S. João da Madeira e com uma percentagem e vantagem superiores às projeções nacionais”, salientou Rodolfo Andrade, indicando ainda a diferença 15,87% entre PS e PSD, em comunicado enviado ao labor.

Para o líder dos socialistas, esta “vitória eleitoral inequívoca não é alheia ao trabalho desenvolvido pelo Governo, mas também pela Câmara Municipal de S. João da Madeira, que continua a conquistar a confiança dos sanjoanenses neste projeto”.

PSD

Apesar de o PSD ter conseguido eleger eurodeputados que vão “defender os interesses portugueses” no Parlamento Europeu, este resultado “não era o que estávamos à espera” muito embora esteja “dentro da linha nacional”, assumiu a presidente Susana Lamas ao labor.

Uma das maiores preocupações dos sociais democratas, à semelhança de outros partidos, está relacionada com a abstenção. “Este distanciamento” das pessoas da política é “muito preocupante” e é “importante não estarmos tão distantes da política”, considerou Susana Lamas.

Daqui em diante é “preciso continuar a trabalhar” em “boas ideias e boas medidas”, “fazer passar a mensagem” e “ser uma alternativa ao PS”, concluiu a presidente do PSD.

BE

A reação ao crescimento do BE nestas eleições europeias, a nível local e nacional, foi de contentamento por parte de Eva Braga, coordenadora desta força política em S. João da Madeira. “Estamos contentes. As eleições europeias são sempre difíceis porque a abstenção é muito elevada e existe uma distância das pessoas em relação à Europa”, afirmou Eva Braga, admitindo que neste distanciamento os partidos têm a sua quota de culpa e elogiando a campanha levada a cabo pela cabeça de lista bloquista Marisa Matias e pelo próprio partido. “Estiveram muito bem, conseguiram falar dos problemas da Europa e fazer uma campanha virada para o que interessa para as pessoas e para o Parlamento Europeu”, considerou a coordenadora do BE ao labor.

CDS-PP

“O resultado ficou aquém do esperado, mas S. João da Madeira sempre se pautou por ser um barómetro do que seria a nível nacional”, assumiu Ricardo Mota, líder do CDS-PP, ao labor.

Apesar dos centristas não estarem “minimamente felizes com estes resultados”, decidiram não perder o seu tempo com lamentações. “Já estamos a trabalhar para as legislativas numa frente não expectável que é o combate à abstenção”, adiantou Ricardo Mota, prevendo que os próximos meses serão “uma longa caminhada para conseguir contornar esta situação (abstenção)”.

PAN

“A noite eleitoral ficou marcada pela preocupante taxa de abstenção, mas especialmente pelo grande resultado eleitoral do PAN”, reagiu Filipe Cayolla, porta voz daComissão Política da Distrital de Aveiro que representa o partido em S. João da Madeira. “O resultado em S. João da Madeira, acompanha o crescimento do partido ao nível nacional. Em comparação direta com as últimas eleições europeias, o Partido subiu mais do que três pontos percentuais (1,57%, em 2014, para os 5% em 2019)”, relembrou Flipe Cayolla, criticando a cobertura que a comunicação social deu ao partido.

Numa análise mais geral, “julgamos que muito do resultado conquistado advém do trabalho extraordinário que as bases do partido têm desenvolvido em cada concelho”, constatou porta voz dacomissão do partido em S. João da Madeira ao labor.

CDU

Os resultados da CDU ficaram “abaixo do esperado. De certa forma, consideramos um resultado negativo” e “estamos a avaliar todos os motivos” que contribuíram para o mesmo, “mas temos a convicção de que tudo fizemos para obter os melhores resultados”, disse Jorge Cortez, deputado municipal, ao labor.

Entre os motivos que poderão ter levado à queda do número de votos nos comunistas estará a “constante desvalorização da CDU por parte dos meios de comunicação social”, criticou Jorge Cortez, referindo-se a notícias que envolveram camaradas do partido e lamentando não existir a mesma visibilidade quando é lançada a polémica e são apurados os factos. De todos os cabeças de lista a estas eleições, o da CDU era “de longe o mais informado sobre os assuntos do Parlamento Europeu”, salientou o deputado municipal ao labor.

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