O sexto livro de Eva Cruz, “O Leprechaun e a Bailarina”, com edição do jornal labor, foi apresentado no dia 24 de maio, pelas 21h30, nos Paços da Cultura.

A autora, professora de Alemão e de Inglês aposentada, tem “uma coisa rara” que é a capacidade de “gerar unanimidade”, indicou o presidente da câmara, Jorge Sequeira, sobre Eva Cruz que considera ser “uma grande figura da nossa terra” que marcou a diferença por considerar a educação como “um ato de amor” e o ser professora como alguém que tem a capacidade de “mudar a vida dos alunos”.

Por tudo isto e muito mais, é com “muita honra que recebemos a apresentação deste livro que vou tentar devorar esta noite para me inspirar em atos futuros”, revelou Jorge Sequeira, aproveitando a ocasião para saudar os intervenientes essenciais para que Eva Cruz publicasse este livro. Eles são o casal Pedro Silva, diretor do labor, e Graça Oliveira, diretora da Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, pelo seu “papel fundamental na publicação deste livro” e o jornal labor que, “além das atividades correntes de foro local, tem uma intervenção cívica muito importante para a cultura ao editar este livro”, indicou o autarca, destacando a “muita admiração” que tem por Eva Cruz e o “privilégio” de ter estado na apresentação da sua mais recente obra literária.

A admiração de Jorge Sequeira por Eva Cruz é mútua. “Sabe perfeitamente a admiração que tenho por ele por ser uma pessoa inteligente, bondosa e pacífica”, disse a escritora. Ambos acreditam que “ao mudar a escola” podem “mudar o mundo”, tendo, por isso, “uma sintonia muito grande naquilo que pensamos e que sentimos”, salientou Eva Cruz.

A escritora agradeceu a todos os que permitiram a publicação e a apresentação deste livro. A começar por Graça Oliveira pela “gentileza e insistência que teve para comigo”, passando por Pedro Silva pela “gentileza e prontificação para publicar o livro”, pela equipa do labor, por Magalhães dos Santos pela revisão do livro, pela sobrinha “por afinidade” Susana Fernando que fez a capa, pelo sobrinho Manuel Cruz que fez o seu “retrato à Picasso” e por Adão Cruz que é “um irmão de ouro que me apoia em tudo”.  Num agradecimento mais geral englobou os demais familiares e amigos sejam eles de Vale de Cambra, terra onde tem “raízes que não há enxada que arranque”, ou de S. João da Madeira, onde “não tenho raízes, mas plantei muitas sementes que deram fruto”, ou de qualquer outra parte, disse a escritora.

Para apresentar este seu sexto, e pelo que disse último, Eva Cruz convidou as quatro pessoas que apresentaram o seu primeiro na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo que na altura era dirigida pelo Dr. Renato Figueiredo. “Este é o meu último livro” apresentado por – Carmina Figueiredo, Clara Reis, Nelly Santos Leite e Isilda Graça – “quatro amigas de primeira água que me têm ajudado imenso e de uma amizade extraordinária”, revelou a escritora, desvendando de seguida alguns pormenores sobre o título, a capa e o conteúdo da sua mais recente obra literária.

“A bailarina simboliza todas as crianças que passaram na minha vida”

Vamos desconstruir o título “O Leprechaun e a Bailarina” para depois percebermos o sentido de este ter sido criado com “ternura”. “O Leprechaun” é “um feiticeiro, um mágico que faz parte da mitologia e do imaginário irlandês” que é, por um lado, “o símbolo da conquista do sonho” e, por outro, “o único brinquedo” de um dos personagens do livro, explicou Eva Cruz.

A capa tem uma grande esfera verde com pequenos pontos no seu interior e um pequeno ponto no seu exterior. Enquanto a esfera verde estará relacionada com “o Leprechaun, a Irlanda, o mundo, o gigante símbolo do sonho”, o ponto exterior é “a bailarina à procura do sonho neste mundo gigante”, esclareceu a escritora, considerando a capa “lindíssima e elevada ao expoente máximo da simplicidade”.

DF

A “preocupação” deste livro é “a perseguição do sonho e a bailarina simboliza todas as crianças que passaram na minha vida”, acrescentou Eva Cruz. As páginas a preto com letras brancas dizem respeito a “uma espécie de voz off e de meditação da escritora que pode viver a partir do livro”, elucidou Eva Cruz, descrevendo o exterior do seu livro como “singular e particular” e confidenciando que “o interior gostava que fosse igual”.

Este livro tem “como pano de fundo a emigração nos anos 60” e “pode ser considerado um livro homenagem/hino aos emigrantes que partiram com uma mão atrás e outra adiante por esse mundo fora por uma vida melhor”, considerou a escritora que conviveu de perto com pessoas que tiveram de viver a realidade do ter de ser emigrante. A escritora mencionou ainda a dedicatória muito íntima ao seu falecido marido que viu o livro nascer antes de partir e um texto do irmão sobre a sua visão do livro.

“Será sempre com renovada expectativa que esperaremos o próximo”

A Nelly Santos Leite coube traduzir a dedicatória de Eva Cruz ao marido através da música a pedido da própria escritora. Antes de o fazer, Nelly Santos Leite teceu algumas palavras. “Uma das coisas que mais me fascinou nos teus livros é a forma de escrever, a musicalidade da tua escrita. E este livro em especial tem tudo a ver com música. O que sinto no teu livro é o perfume de Schumann e Chopin daí a escolha desses compositores que serão como aromas, simplesmente aromas”, disse Nelly Santos Leite, relembrando que numa “noite de verão em que faziam anos de casados e toquei Schumann. Vou tocar o mesmo para a Eva e o Orlando”. A Carmina Figueiredo coube o papel de desvendar um pouco do enredo do livro. De uma forma muito resumida, que está longe de fazer jus à história, Maria das Dores e António fogem da pobreza, da fome e da miséria em busca de uma vida melhor. Entre os oito filhos está Maria da Luz que será protegida pela madrinha e por António que a cria como se fosse sua filha de sangue. Nem a doença impedirá esta menina de um dia ser bailarina e de cumprir todos os sonhos com a ajuda do Leprechaun oferecido pela madrinha. Apesar de Eva Cruz ter dito que com este livro “fechou o ciclo” da escrita, “será sempre com renovada expectativa que esperaremos o próximo”, destacou Carmina Figueiredo. Da mesma forma pensa Clara Reis. “A sua necessidade de escrever demonstra o contrário do que diz (que não é escritora e que este é o seu último livro)”, contou esta sua companheira de lutas pela melhoria da escola pública. “A tua obra agrada, toca e ensina porque a componente pedagógica nunca te abandona” e a prova disso mesmo está neste livro que proporciona uma viagem em que o leitor veste a pele do outro e sente tudo, desde as alegrias às agruras, do outro, constatou Clara Reis. A sessão terminou com Isilda Graça a ler alguns excertos da obra de Eva Cruz, sempre intercalados com o acompanhamento do piano por Nelly Santos Leite. Perante todos os momentos da noite, “não há dúvida nenhuma que o grande sentimento que aqui predomina é o sentimento da amizade”, rematou Eva Cruz.

 

Livro de Eva Cruz à venda

O sexto livro de Eva Cruz, “O Leprechaun e a Bailarina”, pode ser comprado nos seguintes locais:

  • Jornal labor – Rua Oliveira Júnior, 93
  • Livraria Santo António – Rua Guerra Junqueiro, 123
  • Papelaria Lusíada – Rua Oliveira Júnior, 187
  • Agência de Jornais Ferreira, Rua Visconde, 2347
  • Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, Rua Alão de Morais

Está ainda precisa a sua venda em outros locais que serão anunciados brevemente. Cada exemplar tem o custo de 10 euros. o mais recente livro de Eva Cruz foi oferecido pelo labor às bibliotecas escolares dos agrupamentos de escolas sanjoanenses.

Palavras

Há palavras que não se fazem. Nascem espontaneamente dentro do peito. Porém, muitas vezes, palavras ditas leva-as o vento… Por isso, eu quero deixá-las aqui escritas para que não se apaguem da memória. Aqui ficam simples, sem retóricas, nem ruídos a procurar dizer o que me nasce bem fundo:

DF

O meu agradecimento e gratidão à Câmara Municipal de S. João da Madeira, representante de todos os seus órgãos, ao Jornal Labor, a todos quantos deram o seu contributo da forma mais simples à mais elaborada e aos amigos, porque é de amigos que se trata, que com a sua presença transformaram em poema este bocadinho da noite de vinte e quatro de Maio.

Como se mostra dentro das páginas deste meu pequeno livro, a gratidão é o único tesouro do humilde. “Gratitude is the only treasure of the humble”

Eva Cruz

 

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