Os dois primeiros residentes moram pela primeira vez em muitos anos numa habitação digna

O apartamento de tipologia quatro cedido pelo Município à Santa Casa da Misericórdia de S. João da Madeira, tendo em vista a reintegração social de pessoas sem-abrigo, em quarto de pensão ou em habitação precária, abriu portas aos primeiros moradores esta segunda-feira, dia 3 de junho, no Bairro do Orreiro.

Neste momento, como apenas dois dos quatro quartos disponíveis estão completamente prontos só lá estão dois moradores, estando prevista a chegada de mais dois assim que os restantes quartos estiveram igualmente prontos.

Uma das curiosidades deste apartamento é que cada um dos quartos tem um “valor”. Eles são a determinação, a perseverança, a serenidade e a mudança. “Os valores que eles devem ter para enfrentar a vida que tiveram e os desafios que vão ter”, constatou Branca Correia, diretora técnica do Trilho – Unidade de Apoio a Toxicodependentes e Seropositivos da Misericórdia que é responsável pela gestão do imóvel que foi equipado com o contributo da própria, do Feltrando e de empresários.

“As duas pessoas integradas já conhecemos, sabemos que têm condições para os desafios que vão ser impostos e estão estabilizadas ao nível do consumo de aditivos”, revelou Branca Correia.

A ideia é que os moradores continuem a usufruir das refeições da cantina social e da lavandaria social da Santa Casa no primeiro mês, mês e meio, e que depois consigam autonomia ao nível das refeições e do tratamento da roupa. Quem tiver algum tipo de rendimento terá de contribuir com uma percentagem para as despesas do apartamento, estando as de água, luz e gás asseguradas pela Misericórdia.

Um dos primeiros objetivos deste apartamento de autonomização será sempre “a inserção das pessoas na comunidade de diversas formas”, indicou Branca Correia.

Um outro objetivo é que os moradores lá permaneçam durante um tempo máximo de um ano, altura em que deverão ter autonomia para irem morar para um outro local próprio ou de arrendamento. Contudo, este prazo não é rigoroso no sentido em que caso algum dos moradores precise de mais tempo não será despejado, e será dada continuidade ao seu processo de autonomização.

Atualmente, o Trilho acompanha “mais de 20 pessoas”, “muitos sem-abrigo e muitos em quarto de pensão, onde não podem cozinhar nem têm as condições de uma casa, ou em habitações precárias”, adiantou Branca Correia aos jornalistas.

Cada um dos moradores do apartamento de autonomização terá “um plano individual de inserção” através do qual “vamos tentar cumprir os objetivos até ao fim de um ano”, explicou a diretora técnica do Trilho, indicando entre eles a formação, o emprego ou o obter o direito de ter acesso à reforma.

Os moradores serão os quatro do sexo masculino porque “existem mais homens do que mulheres nesta situação”, esclareceu Branca Correia.

“Iniciativa é pioneira no concelho”

“Esta iniciativa é pioneira no concelho e é uma resposta inovadora que se insere na política municipal da consolidação de vida de pessoas sem-abrigo e/ou em habitações precárias”, descreveu o presidente da câmara, Jorge Sequeira, elogiando pela mesma a Misericórdia.

Jorge Sequeira não soube indicar o número de pessoas sem-abrigo existentes em S. João da Madeira, dizendo apenas que “o número é flutuante” e essas pessoas são acompanhadas pelos técnicos dos centros comunitários do Município.

Depois de uma visita ao apartamento, o presidente da câmara destacou o facto deste espaço ter sido criado em consonância com a “filosofia de respeito e de consideração pelas pessoas que aqui vão ser acolhidas”.

A Misericórdia em “quase 100 anos de existência desde o início que se preocupou com os mais desfavorecidos da sociedade”, salientou o provedor Pais Vieira, exemplificando que tal está a acontecer com este apartamento que tem o apoio do Município.

“Se correr bem, conversaremos com a câmara municipal para replicar esta solução”, anunciou Pais Vieira aos jornalistas.

Esta é apenas uma de outras colaborações entre a Misericórdia e o Município que “existe e beneficia os sanjoanenses em geral”, concluiu o provedor.

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