Para grande tristeza das crianças e contra a vontade dos pais 

O Teddy “encontra-se bem”, estando atualmente “ao cuidado” de uma das educadoras de infância, que conta “com a colaboração de familiares e amigos que se mostraram disponíveis para apoiar no que fosse necessário”. A garantia foi dada ao labor por Ricardo Figueiró, presidente do conselho fiscal (CF) da Associação de Pais (AP) do Jardim de Infância (JI) das Travessas, depois de o nosso jornal ter sido contactado por uma mãe indignada por a direção do Agrupamento de Escolas Oliveira Júnior (AEOJ) não autorizar a permanência do cão neste estabelecimento de ensino de S. João da Madeira.

Segundo a encarregada de educação, o órgão diretivo “deu o dito pelo não dito” ao concordar com a adoção do Teddy pelo JI e depois, passado cerca de um mês, ao decidir retirá-lo “aos nossos filhos”. Esta mãe chegou mesmo, mal soube do sucedido, a questionar a AP sobre qual a sua “posição” “quanto à questão do Teddy”, conforme email datado de 6 de maio passado a que o nosso semanárioteve acesso.  Na sua opinião, “forçar a saída do Teddy é promover o abandono animal, o que poderá até constituir crime”.

Recorde-se que, aquando da sua deslocação ao JI em abril último para fazer notícia sobre o assunto, o labor foi informado pelas educadoras de infância que o AEOJ havia autorizado a iniciativa e que esta contava com o apoio quer da câmara, quer da AP.

Além disso, como noticiámos em edição anterior, o Teddy veio parar ao JI das Travessas depois de uma visita da veterinária municipal, no âmbito do programa camarário “Os animais e a saúde pública” que faz parte do Projeto Educativo Municipal. Este programa visa educar alunos de todos os níveis de ensino para os cuidados com os animais de estimação. Entre os objetivos principais, está a sensibilização para evitar o abandono e os maus tratos, bem como para a importância de ter um animal de companhia, além da divulgação do Canil Intermunicipal da Associação de Municípios das Terras de Santa Maria, onde o Teddy estava até vir para este JI de S. João da Madeira.

92% dos associados da AP estão “a favor” da adoção do Teddy

Em declarações exclusivas ao labor, Ricardo Figueiró assegurou que, após ter tido conhecimento da “decisão do diretor do agrupamento”, a AP “solicitou uma reunião com o Dr. Mário Coelho no intuito de serem conhecidas as razões que estiveram na base da decisão tomada, na esperança de que, uma vez compreendidas, pudessem ser esclarecidas e plenamente garantidas, exclusivamente ou em colaboração, pela AP”.

De acordo com o líder do CF, “foi demonstrada [na ocasião] a importância que esta iniciativa estava a ter no jardim de infância, na medida em que tinha vindo a reforçar os laços e envolvimento da comunidade escolar em torno de um objetivo comum, cujo impacto, nomeadamente nas crianças, foi extraordinariamente positivo, tanto ao nível pedagógico, como social”. Aliás, “nesse contexto, procurando dar cumprimento à vontade expressa pelos associados (92% votaram a favor e 8% absteve-se), a AP formalizou o pedido de adoção do Teddy perante o Dr. Mário Coelho, procurando, desta forma, salvaguardar todos os direitos e deveres associados, designadamente as despesas veterinárias, alimentares, seguro de responsabilidade civil, entre outras garantias eventualmente exigíveis”. No entanto, e “não obstante os apelos e garantias propostas”, Mário Coelho “manteve a sua decisão quanto à não continuidade desta iniciativa”.

“Inevitavelmente os principais lesados neste processo têm sido as crianças”

Trata-se de uma posição que, como Ricardo Figueiró mencionou ao nosso jornal, a AP respeita, contudo, ainda não perdeu a esperança que Mário Coelho volte atrás relativamente ao que decidiu. Tanto que a associação, “em assembleia-geral, deliberou sobre a intenção de continuar a demonstrar junto da direção do agrupamento a sua intenção de salvaguardar todas as condições necessárias, respetivos direitos e deveres inerentes à adoção formal do Teddy, suportada na reconhecida importância que esta iniciativa assumiu na comunidade escolar que integra o Jardim de Infância das Travessas, particularmente nas crianças”.

E tudo isto porque, como fez ver este elemento da AP, “a saída do Teddy desencadeou todo um conjunto de emoções, inicialmente de incredulidade e surpresa, passando pela desilusão e injustiça daqueles que estiveram direta e indiretamente envolvidos nesta iniciativa, sendo que inevitavelmente os principais lesados neste processo têm sido as crianças, cujo sentimento da perda decorrente do relacionamento afetivo desenvolvido com o Teddy tem vindo a ser particularmente difícil de suprimir”.

“Alegada adoção de um cão pelo JI das Travessas é, na verdade, um ‘não assunto’”

Para Mário Coelho, “a alegada adoção de um cão pelo JI das Travessas é, na verdade, um ‘não assunto’, consequência de uma sequência de mal-entendidos e precipitações por parte dos envolvidos nesta situação”.

Questionado acerca do Teddy, o diretor do AEOJ deixou claro que o cão a que o labor se referia “esteve no JI das Travessas na sequência de uma visita de uma associação local”, altura em que, e “sem grande surpresa, houve a vontade manifestada por algumas crianças (salientando-se o facto de que têm idades compreendidas entre os três e os cinco anos) de permanecer na companhia do cão durante mais tempo”.

Contrariando o que as educadoras de infância tinham referido à nossa reportagem há aproximadamente dois meses, Mário Coelho chamou à atenção, na semana transata, para que “apenas me foi dada a conhecer a visita esporádica e acompanhada do referido cão no contexto do presente ano letivo. Desta forma, nunca foi equacionada a ‘adoção’ de um animal doméstico num estabelecimento de ensino público, tendo em consideração, por um lado, a intolerância alergénica de uma grande parte da população ao contacto com animais e, por outro, questões evidentes relacionadas com a higiene e segurança”.

“Esta situação foi devidamente esclarecida junto da associação de pais, das educadoras e da restante comunidade escolar afeta ao JI das Travessas, pelo que é um tema que está definitivamente encerrado”, rematou o responsável.

Interpeladas a propósito do que se passou, nem as educadoras de infância nem a presidente da AP quiseram pronunciar-se. O mesmo fez a autarquia.

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