Entrevista a Catarina Romão, trabalhadora na área da relojoaria

O que a levou a deixar a sua cidade, o seu país?

A motivação para deixar o meu país foi a necessidade de uma mudança na minha vida, tanto a nível pessoal como profissional. Uma necessidade de recomeçar um novo ciclo.

Onde está a trabalhar?

Trabalho numa empresa de relojoaria (ETA S.A. Manufacture Horlogère Suisse).

“Estou a começar um posto de trabalho no Controlo de Qualidade”

Quais as suas funções na empresa?

Neste momento, estou em fase de transição na empresa. Estou a começar um posto de trabalho no Controlo de Qualidade.

Este foi o primeiro emprego fora de Portugal?

Sim, foi a primeira experiência fora de Portugal.

“No início vim com uma amiga, mas, entretanto, fiquei sozinha”

Foi sozinha?

Não. No início vim com uma amiga, mas, entretanto, passados três meses, fiquei sozinha e fiquei por cá até hoje.

Conhece muita gente? Portugueses e estrangeiros?

Posso dizer que sim. Conheço algumas pessoas de algumas nacionalidades diferentes. É um ponto positivo da Suíça. Há imensas nacionalidades diferentes, o que nos permite conhecer outras culturas e outras tradições de outros países.

Há quanto tempo está a trabalhar na Suíça?

Há 11 anos.

Quais os pratos e bebidas característicos?

Os pratos característicos da Suíça têm sobretudo queijo, como o fondue de queijo ou a raclette.

As bebidas características são bebidas à base de plantas como, por exemplo, absinto ou outras bebidas anisadas. Também têm água ardente à base de variados frutos e o vinho em geral, de muita variedade e qualidade, até porque se trata de um país com vinhas.

“Vivem um pouco fechados no mundo deles”

Quais as tradições?

Uma das tradições mais importantes para o país são os festejos do dia 1 de agosto que simboliza o início da democracia suíça.

Quais os locais emblemáticos?

Os locais emblemáticos são bastante relacionados com a natureza tão variada do país, entre montanha e lagos com paisagens espetaculares.

Também são muito bonitas as partes antigas das cidades que têm uma arquitetura típica e histórica.

“O que mais me surpreendeu foi o facto de ter uma ideia errada”

Como são os habitantes/o povo do local onde está?

O povo deste país é um pouco frio e desligado de afetos. Vivem um pouco fechados no mundo deles.

O que mais a surpreendeu?

O que mais me surpreendeu foi o facto de ter uma ideia errada. Pensava que seria um país muito rural, mas que na verdade é bastante desenvolvido e tem cidades bastante importantes a nível nacional.

“Por incrível que pareça (os compatriotas) são as pessoas que mais nos colocam dificuldades nesta nova realidade”

O que mais custou a adaptar?

No início foi um pouco complicado adaptar-me em relação a outros compatriotas. Por incrível que pareça são as pessoas que mais nos colocam dificuldades nesta nova realidade.

Há alguma expressão típica do local onde está?

Não que conheça.

Que sítios costuma frequentar?

Frequento todo o tipo de locais, mas os que mais gosto são todos os locais à borda de lagos porque adoro água.

“Tenho tido a oportunidade de viajar para pontos do mundo que nunca pensei visitar e não poderia visitar se estivesse em Portugal”

Qual o balanço desta aventura pessoal e profissional?

O balanço é positivo. Durante estes anos conquistei a minha independência financeira, cresci muito pessoalmente, tive vários desafios que consegui ultrapassar e tenho pessoas muito importantes que me rodeiam e são a minha família de coração.

Além disto, tenho tido a oportunidade de viajar para pontos do mundo que nunca pensei visitar e não poderia visitar se estivesse em Portugal.

Do que sente mais falta?

Sinto falta de estar presente nos momentos importantes da minha família e amigos em Portugal. Sinto falta do mar e dos dias solheiros que aqui escasseiam.

“No dia em que não me sinta bem, volto ou procuro outro lugar”

Do que é que sentirá falta, do local onde está, se um dia for para outro país ou regressar a Portugal?

Da boa organização em geral, da visão pragmática que existe nesta sociedade.

Os seus planos passam por voltar a Portugal?

Não, por agora não. Como sempre disse: enquanto me sentir bem vou viver cá. No dia em que não me sinta bem, volto ou procuro outro lugar.

 

Impressão digital

Catarina Alexandra de Almeida Romão, tem 33 anos, é natural de S. João da Madeira e está a trabalhar e a viver na Suíça.

Esta sanjoanense começou os estudos na escola do Parrinho e continuou na EB2,3 e na Escola Básica e Secundária Oliveira Júnior. Depois da formação em secretariado em Portugal, tirou uma outra em relojoaria na Suíça. País para onde Catarina Romão foi depois de sentir uma necessidade de mudança na sua vida, quer a nível pessoal, quer profissional. A sanjoanense trabalha na área da relojoaria há 11 anos na Suíça.

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