Assembleia Municipal unânime em voto de pesar e minuto de silêncio pelo falecimento de uma “personagem histórica” de S. João da Madeira

 

A Assembleia Municipal aprovou um voto de pesar pelo falecimento de Manuel de Almeida Cambra. Foi presidente da Câmara Municipal de S. João da Madeira de 1984 a 2001, deputado pelo CDS-PP na Assembleia da República, presidente da Associação Desportiva Sanjoanense, mas não só. Mais do que os cargos que ocupou, Manuel de Almeida Cambra ficou conhecido pela “dedicação à causa pública”, afirmou Clara Reis, durante a apresentação do voto de pesar em nome do órgão que preside, fazendo de seguida uma manifestação pessoal sobre o mesmo assunto.

A “inteligência”, a “visão” e o “empreendedorismo” foram outras das marcas deixadas

pelo presidente Cambra, como era conhecido por muitos, que “preparou a cidade para a sua valorização financeira, social, desportiva e cultural”, descreveu Clara Reis, sobre este que sempre foi “um homem do povo. Com ele viveu e com ele conviveu até à sua última morada”.

Uma manifestação de voto de pesar também teve lugar por parte da concelhia do CDS-PP, partido que Manuel Cambra representou durante os 17 anos de governação de S. João da Madeira e durante a sua prestação como deputado da nação na Assembleia da República.

O deputado centrista Manuel Almeida, eleito pela coligação PSD/CDS-PP, demonstrou estar visivelmente emocionado por diversos momentos ao longo da sua intervenção. “S. João da Madeira está de luto. Faleceu um dos seus filhos mais ilustres enquanto empresário e autarca. A ´menina dos seus olhos´ sempre foi S. João da Madeira, colocando sempre os seus interesses acima dos interesses partidários”, disse o deputado da coligação PSD/CDS-PP.

Manuel Cambra foi “um visionário e um bairrista” no que diz respeito ao “desenvolvimento de infraestruturas do concelho” e foi “um homem de consensos que governou com maiorias relativas”, relembrou Manuel Almeida, considerando que a “ele se deve muito por ter tornado S. João da Madeira num polo de atração no Entre Douro e Vouga” e mencionando essas marcas visíveis deixadas pela sua “mão” que podem ser lidas no texto da reunião de câmara publicado nas páginas anteriores.

O presidente da câmara, Jorge Sequeira, também interveio para dar a conhecer que a câmara municipal tinha aprovado momentos antes em reunião de executivo dois dias de luto municipal, 25 e 26 de junho, como forma de “homenagem e reconhecimento à personagem história de Manuel de Almeida Cambra” cuja governação dos destinos da cidade ficou marcada por ser uma “época de grande prosperidade” e pela sua “dedicação à vida pública”, associando-se assim ao voto de pesar da Assembleia Municipal.

Uma pessoa “com quem tive muitas divergências e a quem dei muitas ‘apunhadelas’ sempre no peito e nunca nas costas”

As últimas palavras sobre Manuel Cambra foram dirigidas por Jorge Cortez, deputado da CDU, que foi vereador com pelouro atribuído durante o mandato de 1984 em que a câmara municipal era constituída por CDS-PP, PSD, PS e PCP. Manuel Cambra foi uma pessoa “com quem tive muitas divergências e a quem dei muitas ‘apunhadelas’ sempre no peito e nunca nas costas, o que não lhe aconteceu muitas vezes durante a sua vida”, esclareceu Jorge Cortez, recordando ter sido “o vereador que mais meteu contra”, mas que sempre manteve com o presidente uma “relação cordial e franca”. Manuel Cambra teve uma governação “muito difícil” com uma câmara municipal “bloqueada” em que “a CDU teve a ponderação necessária para não ir por esse caminho”, relembrou o deputado comunista. Manuel Cambra era dotado de “um dinamismo impressionante. Sonhava com a cidade. Acordava e queria fazer o que sonhava”, descreveu Jorge Cortez, admitindo que ele não tinha só virtudes, também tinha defeitos, como todos nós, terminando com o envio de condolências aos familiares e à família.

O voto de pesar e um minuto de silêncio foram aprovados por unanimidade pela Assembleia Municipal.

 

 

 

 

 

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