“As mudanças não esperam pelos que não mudam. Elas esmagam e passam por cima”, concluiu a convidada Maria Manuel Leitão Marques

“Os Direitos da Humanidade” é o novo tema do ciclo de conferências “Pensar Futuro” iniciado pela Câmara Municipal de S. João da Madeira em 2018.

A primeira convidada deste ano foi Maria Manuel Leitão Marques, até há bem pouco tempo ministra da Presidência e da Modernização Administrativa e recentemente eleita eurodeputada na lista socialista encabeçada por Pedro Marques, que mais do que afirmações colocou questões e provocações sobre a temática aos presentes na sessão realizada durante a tarde de 22 de junho nos Paços da Cultura.

Uma das primeiras observações de Maria Manuel Leitão Marques foi sobre o tema “Os Direitos da Humanidade”. “Imagino que estivessem preocupados e fosse preciso estarmos atentos ao que achávamos que estava adquirido”, analisou a convidada, considerando esta como “uma boa preocupação” porque “os direitos envelhecem e desatualizam-se”.

Maria Manuel Leitão Marques é caracterizada por muitas coisas que podem ser consultadas no seu extenso currículo, mas destacamos uma em particular devido à sua relevância nesta conferência. E estamos a falar do facto de a convidada estar “sempre com um pezinho no passado, um pezinho no presente e a dar um salto no futuro”, tal como disse a própria.

E foi precisamente sobre os desafios do futuro que falou. Eles são a inclusão, a transição e a conciliação, mas podia ter falado de muitos mais. A inclusão é de forma muito resumida o “não deixar ninguém para trás”, sendo que uma das diversas formas de exclusão é a pobreza, constatou Maria Manuel Leitão Marques. Na transição, a convidada mencionou as diferenças entre pessoas de diferentes países, religiões, tradições quando transitam para um outro país que não o seu de origem, a igualdade entre o homem e a mulher e a inclusão digital de forma a que todos, sem exceção, possam fazer tudo o que outros fazem caso queiram fazê-lo, dando como exemplo a Dinamarca que é o país mais digitalizado da União Europeia.

“Todos estamos condenados a estudar até ao fim da nossa vida”

E com um pé no passado, outro no presente e prestes a dar um pulo para o futuro, Maria Manuel Leitão Marques não teve a menor dúvida nem hesitação quando afirmou que “todos estamos condenados a estudar até ao fim da nossa vida”. Assim terá de ser para que possamos acompanhar a transição no meio laboral que está cada vez mais mecanizado. A convidada deu como exemplo uma senhora que era dactilógrafa numa universidade em que ela lecionou e que tinha a função importantíssima de escrever cartas até ao dia em que apareceram os computadores, as pessoas aprenderam a usá-los e deixaram de precisar dos seus serviços outrora imprescindíveis. “O problema é que a transição é muito rápida” e nem sempre “podemos ter tempo para dar a formação” às pessoas, assumiu Maria Manuel Leitão Marques, questionando: “Como podemos criar uma transição justa e sem deixar ninguém para trás?”. Uma das formas poderá ser “a prevenção com o investimento nas profissões de futuro”, considerou a convidada.

A intervenção de Maria Manuel Leitão Marques mencionou ainda a descarbonização que está prevista até 2050 e a erradicação do plástico descartável para chegar uma vez mais à “transição justa” que precisa de ser feita para que os inúmeros trabalhadores ligados a estas e outras áreas não sejam excluídos nem deixem de ter acesso ao direito essencial ao trabalho. A conciliação da vida pessoal e profissional foi o terceiro desafio do futuro mencionado pela convidada, para quem as novas tecnologias trouxeram inúmeros benefícios para o meio laboral, mas esta conexão a tempo inteiro leva a que “trabalhemos mais do que devíamos” seja pelo telefonema e pelo email que recebemos e que depois de vermos não conseguimos ficar indiferentes ao ponto de não respondermos. Entre os desafios deixados por Maria Manuel Leitão Marques a Jorge Sequeira destaque para a inclusão digital e para a criação de um “orçamento do bem-estar” tal como fez a pioneira Nova-Zelândia.

Perante todos estes desafios “temos de tomar conta do futuro” porque “as mudanças não esperam pelos que não mudam. Elas esmagam e passam por cima”, concluiu a convidada. Por isso, “temos de pegar no barco e ganhar rumo”, complementou Maria Manuel Leitão Marques.

 

Programação

Viriato Soromenho-Marques a 28 de setembro

Carvalho da Silva a 12 de outubro

Carlos Fiolhais a 16 de novembro

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