Poetas todos serão, basta haver uma alma sua,

Mesmo uma alma tranquila, neutra ou quase sem emoções,

E expõem essa alma à vista tal qual sem vestes só nua,

E podem fazê-la explodir entre raios e trovões.

Partindo dessa premissa, sua alma desnudada,

Uma vez sem artifícios, roupagens ou ornamentos,

Ele, o poeta, impugnará, preocupado ou descuidado,

Do quanto lhe vem à mente na inspiração dos momentos

E mesmo quando o pulsar dos batimentos é intenso,

O poeta pode aguardar aquela pausa mui breve,

Em que a razão intervém no seu habitual consenso,

De que tudo é controlável, e o denso será mais leve.

Por isso, o poeta mesmo, sem intenção de o ser,

Embora nele a essência, ingénita em qualquer mortal,

Manipule sua mente no sentido que quiser,

Modifica a emoção alterando o original.

Todos nós somos poetas, dentro ferve o turbilhão,

Que pode ser abrandado em cada hora da revolta,

Por muito de imaginado, da alma e do coração,

Ele tudo pode alterar em rotina de ida e volta

Valsa na crista da onda, serena ou vaga alterosa

Sem nada em sua nau, com ventos que bem maneja,

Não se afunda na poesia pois também tem sua prosa

Que não deixa naufragar em qualquer tempo que seja.

Poeta, espécie de nauta, com parte de vagabundo,

Passa a vida a viajar e fá-lo só porque quer,

Nunca viajante completo, que quer ver o fim do mundo,

Volta sempre aquele cais de onde só sai quem quiser.

Foto de Arquivo Labor

Flores Santos Leite

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