Em vez de ir para o Palacete dos Condes  

Afinal, a Universidade Sénior (US) do Rotary Club de S. João da Madeira (RCSJM) já não vai para o Palacete dos Condes, conforme estava prometido “há vários anos”.

Em reunião extraordinária, a realizar na próxima segunda-feira, após a coligação PSD/CDS-PP ter pedido o adiamento do ponto da ordem de trabalhos esta última terça-feira, vai ser posta à discussão e votação a revogação de uma deliberação camarária com cerca de dois anos dando, na altura, “luz verde” à cedência daquele “edifício icónico da memória sanjoanense” à US.

Em contrapartida, esta “Avenida de Serviço” do RCSJM – leia-se Universidade Sénior –  vai celebrar um novo protocolo, também a ser deliberado em sede de executivo municipal no início da semana que vem, tendo em vista a sua mudança para o edifício na Rua Alão de Morais cedido pela câmara à ACAIS – Associação do Centro de Apoio aos Idosos Sanjoanenses, que fica situado não muito longe das suas atuais instalações na Avenida Benjamim Araújo.

E por falar na ACAIS, o acordo que celebrou em março de 2014 com o Município ficará sem efeito “por mútuo acordo”, “promovendo-se, em termos e condições a fixar, a cedência à ACAIS de imóvel [terreno] sito à Rua Fundo de Vila [ao lado do equipamento que a instituição já tem ali] para ampliação das suas instalações”.

Não obstante ter retirado o ponto da ordem do dia de forma a dar mais tempo à oposição para analisar o assunto, Jorge Sequeira explicou os “detalhes” da proposta.

“Esta solução é verdadeiramente ótima”

Em seu entender, “esta solução [agora encontrada pela edilidade] é verdadeiramente ótima” e “vantajosa”. Primeiro, porque, segundo estimativa da Divisão de Obras Municipais, só para reabilitar o Palacete dos Condes seriam necessários cerca de 517 mil euros, verba de que o Município não dispõe para o efeito. Depois, porque “o novo espaço [edifício na Rua Alão Morais] é mais ajustado em termos dimensionais à atividade da Universidade Sénior” e “implica menores custos de manutenção e operação, designadamente de eletricidade e gás”, argumentou o edil.

Ainda de acordo com Jorge Sequeira, após visita ao tal imóvel da Rua Alão Morais, na qual o RCSJM e a US participaram, verificou-se, “apenas, a necessidade de execução de uma obra de adaptação necessária à criação de uma sala de aula”, intervenção que o Município levará a cabo. O nosso jornal interpelou a ACAIS sobre esta matéria, que não se pronunciou a tempo do fecho da edição.

Mudança para edifício da ACAIS “vista com bons olhos”

A mudança de local é “vista com bons olhos” pela diretora da Universidade Sénior. “Ficamos com menos espaço, mas achamos que vamos ter menos encargos”, afirmou ao labor Susana Silva, para quem “ter menos encargos é que é o mais importante nos dias de hoje”. Note-se que o anterior protocolo previa o pagamento de uma quantia mensal de 600 euros à câmara, enquanto agora, com este novo acordo, o valor a pagar, também por mês, rondará os 200 euros.

Alinhando pelo mesmo diapasão, Manuela Gay, em seu nome e no dos restantes companheiros do clube de serviço, disse concordar com esta alternativa apresentada pelo executivo municipal. Na opinião da líder do RCSJM, “esta mudança trará uma melhoria substancial” em termos de condições físicas e de trabalho para a Universidade Sénior, que até ao momento não existem.

Nesta nova “casa”, que só por ser térrea já é uma “mais-valia”, a US “vai passar a dispor de uma cozinha industrial”, indispensável para o projeto “Sopa Solidária”, e de um espaço exterior que vai dar “para fazer iniciativas engraçadas”, inclusive com outras instituições da comunidade local.

Quanto à sede do Rotary Club, vai continuar a ser na Casa das Associações. Para já, “vamos deixar a Universidade Sénior instalar-se”, assegurou Manuela Gay, não pondo de parte a hipótese de o clube a que preside também se mudar para a Rua Alão de Morais. Aliás, “seria ‘ouro sobre azul’ ter tudo a funcionar no mesmo espaço”, referiu.

 

 Palacete dos Condes reabilitado no âmbito do Programa REVIVE

Estando “sem utilização e acesso público desde 13 de maio de 1990”, a recuperação do Palacete dos Condes desde há muito que se impõe. Ainda mais tendo em conta o seu “valor arquitetónico” “e da sua envolvente” e havendo agora a possibilidade de este edifício emblemático de S. João da Madeira vir a tornar-se um hotel.

Precisamente nesse sentido, e não dispondo de dinheiro suficiente para a obra, o Município de S. João da Madeira vai pôr à discussão e votação, em reunião de câmara extraordinária, a integração do Palacete dos Condes no Programa REVIVE. Trata-se de “uma iniciativa conjunta dos Ministérios da Economia, da Cultura e das Finanças com o objetivo de promover a requalificação e subsequente aproveitamento turístico de imóveis com valor arquitetónico, patrimonial, histórico e cultural”.

No âmbito deste programa governamental, “os imóveis a ele afetos serão recuperados com investimento privado e objeto de concessão de exploração, cabendo ao proprietário – ‘in casu’ à autarquia – definir os termos e condições da concessão”, conforme se pode ler na proposta que vai ser votada na próxima segunda-feira, dia 1 de julho.

Segundo o presidente da autarquia, Jorge Sequeira, “técnicos do REVIVE, que visitaram o edifício, ficaram altamente impressionados com o potencial” do Palacete dos Condes. Já para Paulo Cavaleiro (coligação PSD/CDS-PP) “tudo correrá bem se tivermos algum [privado] interessado. Se não tivermos, só vamos adiar o problema”.

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