A diferença entre singular e plural

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Há dias tive a ousadia de falar de arte. De várias formas de arte, aliás. Mas desde logo autocondicionado pela ignorância de que, com ironia despercebida, me confessei possuidor. E isso a propósito do Município ter criado condições para ter um espaço destinado à apresentação ou disponibilização ao público de obras de arte. Nesse texto referi-me sempre ao plural – COLEÇÕES – porque o espaço em causa alberga DUAS COLEÇÕES PRIVADAS e não uma. E o texto que escrevi, na minha bendita e irónica ignorância, foi assinado como cidadão e pontual “escrevinhador” neste jornal e não na qualidade de “diretor de pasquim” ou de “pseudointelectual escrevinhador” como fui simpaticamente classificado numa rede social (onde cada “artista” escreve as barbaridades que entender e sem qualquer escrutínio) por um dos coproprietários de uma das DUAS coleções de arte cuja manutenção o Município suporta em montantes até hoje nunca divulgados. Impõe-se, pois, um primeiro esclarecimento: São DUAS as COLEÇÕES de peças de arte (seja lá o que cada um entenda por “arte”) e não uma. Portanto, longe de mim eleger qualquer dos colecionadores até porque, se uns conheço mal, outros conheço demasiado bem. E se uns reagiram com um “aqui del’Rey” e insultos “feissebucais” como se fosse intocável a relação que o Município com eles criou, os outros reagiram de forma civilizada até porque, oriundos de meio cultural diferente, fizeram chegar a indicação de que estiveram sempre disponíveis para gastar “do seu” para ajudar o Município a promover o espaço que os acolheu. O que é um excelente princípio que, aparentemente, não tem sido aproveitado pelo Município. O da partilha de custos. E a promoção é tão mais necessária porque percebi, após a publicação do texto em causa, que a maior parte das pessoas com quem falei – e alguns “homens da política local” – desconhece em absoluto que existem DUAS coleções (privadas) de arte na OLIVA e que ambas ocupam praticamente todo o espaço que o Município criou para lá apresentar obras de arte. Acresce que o meu texto não era dirigido a qualquer dos DOIS colecionadores cujas obras ocupam a OLIVA. O meu texto tinha, como este tem, apenas um objetivo. O de lembrar que tantos anos depois ainda há ignorância completa sobre quanto custa aos sanjoanenses o espaço em causa. E os benefícios que tem produzido. Em surdina há muita gente a colocar estas questões. Com medo não sei de quê! Será assim tanto? Ou será tão pouco que é necessário repensar a dotação? Não se sabe. Pelos vistos ninguém sabe. Até na câmara se estão agora a fazer contas para saber “ao certo” quanto é. E aqui chegados ninguém se deve sentir ofendido. As coleções de arte – seja lá o que cada um entenda isso ser – que estão em permanência na OLIVA, são privadas. Os colecionadores até as podem levar para outro local no final do contrato em vigor. E depois? Nem uma obra pertence ao Município. Talvez por isso aquele espaço nunca possa ser considerado um Museu de Arte Moderna como estaria nos objetivos iniciais. Seria ousadia desmesurada ter pensado nisso? E existe também a perspetiva ou entendimento de que os seus proprietários “fizeram um favor à cidade” em disponibilizá-las para que o público as pudesse apreciar. Há, aliás, quem tenha dúvidas relativamente a essa interpretação. Resta saber se o público sabe que elas lá estão. E parece que não. Tirando a positiva iniciativa pedagógica de levar lá alunos de escolas e alguns grupos em programas municipais, o número de visitantes é desconhecido. São muitos? São poucos? Temos, portanto, um manancial de questões há anos sem resposta. Os executivos municipais nunca as quiseram dar. Se a prometida (pelo presidente da câmara na assembleia municipal) revisão das condições contratuais proporcionar condições de responsabilização financeira solidária com otimização dos gastos do Município e redefinição de estratégia comunicacional todo este alarido à volta do texto do “pseudointelectual escrevinhador” não terá sido dado como perdido.

Balha-me Deus!

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