Jovem clarinetista é a protagonista de um recital de clarinete e piano que tem lugar nos Paços da Cultura, este sábado, dia 6 de julho, pelas 21h30

Neste momento, como é o seu dia a dia?

Atualmente, encontro-me a encerrar o meu percurso escolar no ensino secundário de Ciências e Tecnologias em paralelo com o Curso Secundário de Música, sendo que, ao longo do ano letivo, fui tendo aulas na Escola Secundária Oliveira Júnior de manhã e, quase diariamente, de tarde até à noite, na Academia de Música de S. João da Madeira (AMSJM).

Como aparece a música na sua vida?

Desde muito cedo, a música despertou a minha atenção. Na verdade, não sei dizer bem quando, uma vez que a música já fazia parte da minha vida nas primeiras memórias que tenho.

Cresci no seio de uma família onde a minha irmã era flautista. O meu pai também cantou num rancho, tendo gosto pela música tradicional, inclusive pelo cavaquinho e harmónica. A minha mãe apesar de não saber ler qualquer notação musical, é frequente ouvi-la trautear várias melodias pelos cantos da casa. Logo, a música teve sempre um papel muito importante na minha vida.

O porquê do clarinete e não outro instrumento?

Desde muito cedo, o clarinete me fascinou. Como a minha irmã fazia parte de uma banda filarmónica, era frequente ouvi-la tocar em orquestra, pelo que fui tendo contacto com os vários instrumentos, principalmente os de sopro e percussão. Porém, foi o clarinete que captou a minha atenção, talvez por ter um timbre com que me identificava.

“É um dos meus desejos continuar a aprender e a aperfeiçoar-me nesta arte”

Quer fazer apenas da música a sua vida? Quais os seus objetivos pessoais/profissionais?

A meio do meu percurso musical comecei a olhar para a música de uma forma diferente, com um possível futuro profissional. Porém, por uma questão de segurança e de alguma estabilidade, e como no final do 9.º ano temos apenas 14/15 anos de idade, optei por estudar música a par do ensino regular.

Decidi tentar enveredar pelo ramo das Ciências e Tecnologias, porém a Música fará sempre parte da minha vida. Contudo, se o futuro permitir, é um dos meus desejos continuar a aprender e a aperfeiçoar-me nesta arte.

É fácil dedicar-se única e exclusivamente à música em Portugal? Ou, na sua opinião, ao se enveredar por este caminho, só se singra no estrangeiro? 

Não é uma questão muito fácil, uma vez que o que sei do assunto é apenas do que ouço falar, já que nunca fui para o estrangeiro para me dedicar à música. No entanto, é possível fazer vida de músico em Portugal, mas não é de todo fácil, visto que não há assim tantas oportunidades nem respostas no mercado de trabalho, o que muito me entristece.

Apesar de jovem, Dilsa Azevedo conta já com “alguns prémios” no currículo

Temos conhecimento que, apesar de muito jovem, já conquistou alguns prémios. Quais foram? E o que representam para si?

Ganhei alguns prémios, mas num âmbito de concursos regionais, sendo um deles no primeiro concurso de clarinete “Prodige”. No final de cada ano letivo, realiza-se também o Concurso de Interpretação da AMSJM, da qual fui aluna durante oito anos e por isso participei em grande parte das edições deste mesmo concurso durante os anos que lá estive, arrecadando sempre algum prémio em cada ano que fui participando.

É a primeira vez que atua em S. João da Madeira? E que participa no Musicatos?

Não, na verdade o local onde já devo ter atuado mais vezes terá sido em S. João da Madeira, uma vez que é a cidade onde moro e onde estudei até ao mês passado, logo foi muito frequente durante o meu percurso musical apresentar-me em espetáculos na Casa da Criatividade ou até em eventos da cidade, fosse com a Academia de Música de S. João da Madeira, com a Orquestra Oliveira Júnior ou até mais recentemente com a Tuna d’ Os Voluntários de S. João da Madeira. Contudo, é o primeiro ano que participo no Musicatos, visto que me encontro a finalizar um ciclo de estudos na área da música aqui na cidade, o oitavo grau de Clarinete.

É “uma grande honra e uma grande responsabilidade partilhar o palco do Musicatos com a professora e pianista Natasha Pikoul”

Como surgiu esta oportunidade de partilhar o palco com Natasha Pikoul?

É, sem dúvida, uma grande honra e uma grande responsabilidade partilhar o palco do Musicatos com a professora e pianista Natasha Pikoul, que me conhece quase desde o início do meu percurso musical e já me tem acompanhado em muitas audições e concertos da Academia de Música de S. João da Madeira.

A professora Natasha já conhece a maneira como toco, assim como eu já estou habituada à sua forma de tocar. Por isso, propus-lhe que partilhasse o palco do Musicatos comigo, pedido que foi aceite com gosto.

O que o público pode esperar do vosso recital do próximo dia 6?

No dia 6 de julho, o público pode esperar deste recital um repertório que incide em estilos que se dividem entre os séculos XIX e XX, pelo que predominarão peças de estilo Romântico e Contemporâneo, viajando desde Gaetano Donizzetti até Joly Braga Santos, entre mais algumas surpresas.

Impressão Digital

Dilsa Azevedo   

Nascida em 2001, Dilsa Azevedo é natural da freguesia de Fermêdo (Arouca), residindo atualmente em S. João da Madeira. Desde tenra idade manifestou gosto pela música, influenciada pela irmã, flautista, que ouvia em concertos e em bandas musicais.

Aos oito anos de idade iniciou o seu percurso musical como clarinetista no Conservatório de Música Terras de Santa Maria (Santa Maria da Feira) e, simultaneamente, na Banda Marcial do Vale. Viria a prosseguir os seus estudos com o ingresso posterior na Academia de Música de S. João da Madeira (AMSJM) aos 10 anos.

Como clarinetista, tem vindo a colaborar com várias bandas vizinhas, dos distritos de Aveiro e de Viseu e a participar em várias masterclasses. Participou em diversos Estágios de Orquestra de Sopros e no ano de 2016, arrecadou o terceiro prémio no 1.º Concurso de Clarinete “Prodige”.

Presentemente, e fora dos seus estudos, frequenta a Banda de Música de Arrifana e a Tuna d’ Os Voluntários de S. João da Madeira. Este ano letivo fez parte também da Orquestra Oliveira Júnior.

Paralelamente aos seus estudos no Curso de Ciências e Tecnologias, frequenta ainda o oitavo grau do Curso Supletivo de Música na AMSJM, “caminho” ao longo do qual tem vindo a obter os mais diversos prémios nos Concursos Internos de Interpretação da dita academia de música.

 

Programa do recital

 

Improviso                                                                   Joly Braga Santos

Reverie et Scherzo                                                    Jules Semler-Collery

Studio Primo                                                              Gaetano Donizetti

   ————– Intervalo—————–

Sonate op.167                                                           C. Saint Saens

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