Decisão foi tomada pelo executivo municipal depois de, no início desta semana, ter tirado uma pessoa sem-abrigo da rua 

Na passada terça-feira – em reunião de câmara presidida não por Jorge Sequeira, que se encontrava a representar o Município num encontro da Área Metropolitana do Porto com membros do Governo, mas pelo presidente em exercício José Nuno Vieira -, a vereadora da Divisão de Ação Social, Paula Gaio, fez saber que a autarquia vai “equipar um segundo apartamento de emergência” social na cidade de S. João da Madeira (SJM).

Na base desta decisão está o caso trazido a público, precisamente em sede de executivo municipal, pela munícipe Ana Couto envolvendo uma mulher sem-abrigo que, pelo menos, entre sábado de manhã e a última segunda-feira dormiu ao relento, “enrolada num cobertor junto aos seus pertences”, “frente à casa mortuária” do Hospital de SJM.  “O facto de dormir, ali, naquele sítio tão exposta, pareceu-me um grito de ajuda”, afirmou esta sanjoanense moradora na Avenida do Brasil, acrescentando que perante aquela que lhe pareceu ser “uma situação grave, de emergência social” achou por bem comunicar “à senhora vereadora da área do Município”.  E assim foi.

Linha Nacional de Emergência Social 144 não se aplica a casos deste género

Ana Couto falou com Paula Gaio, que, por sua vez, lhe disse que “a senhora deveria ligar para a Linha [Nacional de Emergência Social] 144, da Segurança Social” e que “também mandaria uma técnica avaliar a situação”.  Acontece que, devido a “um problema de adição e de outros problemas de saúde associados”, a mulher “não apresentava, segundo a técnica da Linha 144, um discurso fluido” e, como tal, “teria que [antes] ser vista num hospital, pois os albergues não aceitam quem não possui um discurso coerente”.

Face então à impossibilidade de a Linha Nacional de Emergência Social resolver o problema (isto já por volta das 21h00) e depois de a Polícia de Segurança Pública (PSP) também se ter deslocado ao local – aliás, foi um dos agentes da PSP que “serviu de intermediário com a técnica da Linha 144” -, “ficou decidido que a senhora ia ser fisicamente avaliada pelos bombeiros e se ‘estivesse ok’ dormiria na rua, como dormiu até segunda-feira, lamentavelmente”, contou a munícipe.

Ana Couto perguntou ao “vice” José Nuno Vieira “se é possível arranjar uma solução provisória a nível municipal para estes senhores [sem-abrigo] não dormirem na rua?”, assim como “será possível uma nova abordagem desta problemática?”.  E ainda antes de terminar esta sua intervenção agradeceu à PSP, cujos “profissionais” “merecem o nosso respeito e a nossa consideração”, e a Paula Gaio, “que, na minha opinião, conduziu muito bem este assunto”.

“Estamos a trabalhar no sentido da sua integração em comunidade terapêutica”

“Através de contactos com o delegado de saúde e o diretor do ACeS [Agupamento de Centros de Saúde], Dr. Miguel Portela, conseguimos que a cidadã aceitasse a intervenção”, referiu Paula Gaio, chamando à atenção para que “ela foi tendo fases de aceitação e negação” até aceitar “ser atendida no Centro de Saúde” e “ser integrada num apartamento de emergência”.

Neste momento, “estamos a trabalhar no sentido da sua integração em comunidade terapêutica”, garantiu a vereadora, que já à margem da reunião de câmara assegurou ao labor que a mulher “ficará no apartamento de emergência até ser encaminhada para uma comunidade terapêutica”, uma vez tratar-se de uma pessoa com “problemas de adição”.

Quanto ao segundo “apartamento de emergência”, será para “dar resposta” não só a casos como este, mas também a outros como, por exemplo, de violência doméstica, destruição de habitação por incêndio, etc..

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