Em maio terminou o Nacional da 2.ª Divisão e a primeira experiência do Dínamo Sanjoanense neste escalão. Como foi a preparação da época?

A época tem muitas vertentes. Se nos focarmos na formação, foi uma temporada em tudo idêntica às outras e com os problemas habituais. Não se registaram grandes saídas nos escalões de formações pelo que não tivemos problemas em formar equipas.

Nos seniores foi bem diferente. Deparámo-nos com alguns problemas e tivemos de correr contra o relógio. Tínhamos apostado na subida de divisão, mas só o primeiro é que conseguia e nós terminamos em segundo e ficamos na expetativa de que isso ainda pudesse acontecer. Só muito mais tarde é que tomámos conhecimento de que iriamos subir e, nesse compasso de espera, sem sabermos o que iria acontecer, não tivemos grande tempo para preparar a temporada a tempo e horas.

Esse compasso de espera, na incerteza de poderem ou não subirem, na eventualidade de alguma equipa desistir, complicou então a preparação da época.

Comprometeu bastante, mas deu para reagir. A preparação foi difícil, mas no final, felizmente, correu tudo bem. Também tivemos um percalço com o treinador que ia assumir a equipa, mas que, entretanto, teve que emigrar e acabou por não vir. Como estávamos numa situação delicada em termos de tempo para a construção do plantel tive que pedir ajuda ao António Duarte, que também acabou por vir ajudar, tal como o Luís Almeida, que assumiu a equipa sénior. Foi tudo preparado em cima do joelho em que só tivemos mesmo a oportunidade para reagir.

O Dínamo veio de um campeonato distrital para a 2.ª Divisão Nacional. Como foi o arranque da época e deparar-se com uma realidade diferente?

Foi uma diferença muito maior do que eu pensava. Nunca por lá tinha passado e eu e o Zé Mário (coordenador da formação) não tínhamos noção que iria ser necessário outra matéria prima. Chegamos à conclusão que podíamos alcançar o objetivo com os atletas que tínhamos, mas iria ser muito difícil. No entanto, depois de algumas desistências fomos obrigados a fazer alguns ajustes e como íamos fazer alterações fomos buscar dois jogadores à liga Sportzone.

Foram esses elementos que acabaram por fazer a diferença e garantir a manutenção?

Ajudaram bastante, mas todos foram importantes na obtenção do objetivo. Os treinadores também têm uma grande parte da responsabilidade pelo sucesso da equipa. Foram muito exigentes e souberam tirar rentabilidade de todos os jogadores, mesmo daqueles que não estavam habituados a estas andanças.

“Temos de dar um passo de cada vez”

A manutenção era o objetivo assumido e foi alcançada a algumas jornadas do fim. No primeiro ano na 2.ª Divisão Nacional isso foi uma surpresa?

O objetivo assumido passava pela manutenção e não era de esperar outra coisa, mas sabíamos que neste campeonato não existem jogos fáceis e que os encontros podem ser decididos nos pormenores. Acho que a diferença é mais a intensidade do que a qualidade, algo a que o Dínamo Sanjoanense não estava habituado. Mas nunca tivemos uma equipa como esta, que demonstrasse esta intensidade e qualidade e isso foi fundamental para o objetivo.

E que balanço faz da primeira experiência na 2.ª Divisão Nacional?

Foi uma boa experiência, onde aprendemos muita coisa e pude perceber que esta divisão é extremamente competitiva. Não é fácil conseguir a manutenção neste escalão e é muito dispendioso, mas acho que é neste patamar que o Dínamo Sanjoanense pode e deve andar.

Mas depois desta excelente época acha que o Dínamo pode começar a sonhar mais alto?

Temos de dar um passo de cada vez. Ainda é cedo para pensar nisso. É certo que, sendo difícil, vamos tentar fazer melhor e isso, por enquanto, passa por ficar entre os dois primeiros lugares.

Esse vai ser, então, o objetivo do clube para a nova época que se avizinha?

A equipa técnica é a mesma, mas fizemos alguns reajustes no plantel com algumas contratações na perspetiva de tentar melhorar, ainda mais, a qualidade do grupo. Vamos tentar fazer o melhor possível, e se os dois primeiros lugares estiverem ao nosso alcance não vamos virar a cara.

Ao nível da formação, o Dínamo terminou a época com duas Taças de Aveiro conquistadas e um título distrital. Que balanço faz dos escalões jovens?

Tivemos um ou outro escalão que poderia ter tido outro desempenho, mas nem todos os anos correm pelo melhor. Temos de ter noção que a formação não é só ganhar campeonatos e o Dínamo tem a fama dos “campeonitos”, pois já conta com 27 títulos conquistados. Mas achamos que, às vezes, é preciso dar um passo atrás para, a seguir, dar dois ou três em frente. É certo que é importante ganhar e é mais fácil trabalhar sobre as vitórias, mas, por vezes, temos de ver outras formas de trabalhar para os jovens de hoje serem os seniores de amanhã. Estamos a fazer alguns reajustes e apostar na nossa formação. Quem sabe se, a médio prazo, não iremos colocar uma equipa da formação num campeonato nacional para melhorar o nível competitivo.

“Esta época tivemos muita coisa nova e que fizemos de forma diferente”

Isso quer dizer que, atualmente, o Dínamo não tem conseguido formar atletas para a equipa sénior?

Neste momento ainda não, mas o nosso trabalho na formação é tentar que os que cá estão possam ser os seniores de amanhã e se possível ter a maior percentagem de jogadores formados no clube. Isso é que é sustentável. Ainda assim, o Dínamo continua a ser um clube com grande qualidade na formação. Três dos sete elementos que fomos buscar para a equipa sénior para a próxima época são atletas formados cá, com oito anos de Dínamo Sanjoanense, mas que andavam por outros clubes.

Esta foi uma época ímpar para o clube que, também pela primeira vez, levou a cabo o Dínamo Futsal Cup. Como surgiu a ideia deste torneio?

Esta época tivemos muita coisa nova e que fizemos de forma diferente. Não foi a questão monetária que esteve em primeiro lugar, mas sim mudar a nossa imagem. Não somos melhores do que os outros, mas queremos distinguir-nos dos restantes. Mas isso já começou na época anterior, quando realizamos um estágio conjunto com os juvenis, juniores e seniores e uma gala de apresentação de todas as nossas equipas.

Este ano tivemos um torneio de futsal que foi mais uma ideia que tivemos para tentar promover a modalidade e o clube.

Para uma primeira edição conseguiram reunir mais de 30 equipas ao longo de três dias de competição. Foi difícil colocar em prática este evento?

Não foi fácil, quer em termos desportivos quer de logística, e o sucesso é resultado de todos os que colaboraram, mas houve um grupo de cinco pessoas (António Moreira, José Mário, António Duarte, Luís Almeida e Joaquim Oliveira) que foi a “espinha dorsal” do evento.

Sentiram falta de algum tipo de apoio?

Ficamos um bocado desiludidos com a Associação de Futebol de Aveiro, que poderia ter dado algum apoio em termos de arbitragem e que para nós era uma ajuda muito grande. De resto não faltou nada. O que a autarquia nos dá, em termos de instalações desportivas, não encontramos em mais lado nenhum do país, pelo que só temos que agradecer à Câmara Municipal de S. João da Madeira.

Paralelamente ao evento realizou-se uma ação de formação, algo que não é habitual ver-se em simultâneo neste tipo de iniciativas.

Foi uma ideia do nosso treinador Luís Almeida, que é uma mais valia para o clube e que dá cursos e está habituado a este tipo de iniciativas. Foi uma ideia que nos agradou bastante e que também contribuiu para melhorar a imagem do Dínamo Sanjoanense.

“É algo nos obriga a estar mais organizados”

Apesar das competições desportivas já terminadas, a época encerrou da melhor forma para o Dínamo Sanjoanense, que recentemente foi reconhecido pela Federação Portuguesa de Futebol como Entidade Formadora Certificada. Esse reconhecimento é o culminar de quê?

De uma reestruturação e de queremos dar outro tipo de condições e credibilidade ao clube, em termos logísticos, desportivos e médicos. É algo nos obriga a estar mais organizados. Temos, por exemplo, de ter a parte desportiva totalmente documentada e de ter uma estrutura médica. Foi o culminar de uma série de reestruturações desportivas e, principalmente, médicas que nos obrigaram a criar outro tipo de condições.

Em termos desportivos, que vantagens traz a certificação para Dínamo?

Dá-nos o direito próprio de competir nos principais campeonatos nacionais e permite-nos celebrar contratos de formação com jovens atletas. O facto de estarmos certificados também poderá ser um incentivo na captação de atletas. Quem estiver atento sabe que uma equipa certificada tem que cumprir certos requisitos e que o clube é obrigado a ter determinadas condições que outro pode não ter. Também sei que há apoios direcionados apenas a clubes certificados.

E quando é que começaram a trabalhar no processo de certificação?

No início da época, quando me apercebi que iria ser obrigatório, a partir da época 2020/2021, estar certificado para poder competir nos campeonatos nacionais.

Parece um bicho de sete cabeças, mas não é. Simplesmente obrigam os clubes a documentarem tudo e a estarem preparados, não só em termos desportivos, mas também clínicos. Essa foi, aliás, a maior mudança e que nos obriga a ter em quase todos os treinos e jogos em casa de todos os escalões de formação um fisioterapeuta. É um sacrifício em termos monetários, mas é uma mais valia para o clube e atletas. Foi também por isso que concorremos ao Orçamento Participativo Municipal para equipar o posto médico do pavilhão Municipal das Travessas.

Proposta que acabou por vencer na categoria Juventude.

Vencemos com 456 votos e tivemos conhecimento da decisão no mesmo dia e poucos minutos depois de termos sido informados da conclusão do processo de certificação.

O objetivo é tratar os atletas do clube, mas ter o posto aberto também à comunidade. Não queremos ganhar dinheiro com isto. Pretendemos que o posto de fisioterapia se autossustentável.

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