A 2ª fase do projeto “Obras para a Cidade”, promovido pelo Centro de Arte Oliva (CAO), arrancou na última terça-feira, voltando a abranger os cinco edifícios públicos já contemplados da primeira vez, mas agora também com as escolas da cidade “debaixo de olho”.

Na visita guiada às “novas” obras de artistas portugueses da Coleção Norlinda e José Lima expostas em locais improváveis, digamos assim, a diretora do CAO, Andreia Magalhães, adiantou aos jornalistas que o próximo passo é fazer chegar este programa também aos estabelecimentos de ensino sanjoanenses. “Estamos a trabalhar com os diretores dos três agrupamentos” de forma a levar a arte contemporânea a, pelo menos, 10 escolas até “ao final do ano”.

Obras de artistas portugueses expostas em locais públicos da cidade

Também até finais de 2019, no átrio da Fórum Municipal está patente uma instalação de 2009 de Carlos Noronha Feio, intitulada “Trying to Reach Point Zero”.  Na Casa da Criatividade, encontra-se uma obra da série Cenário, de Miguel Palma. Na Biblioteca Municipal Dr. Renato Araújo, são exibidos dois desenhos em vitrine, ambos de 1970 e da autoria de Cruzeiro Seixas. Na Academia de Música, pode ser apreciada uma pintura da série “Paisagem Migratória”, de Susanne S. D. Themlitz.  Além destas obras, mantém-se no Mercado Municipal a instalação “Sinais”, do artista moçambicano Jorge Dias, inaugurada aquando da 1ª fase do “Obras para a Cidade”.

Recorde-se que este projeto, cuja primeira fase foi lançada em abril de 2018 pelo Centro de Arte Oliva, visa a apresentação de obras de arte em locais públicos de S. João da Madeira (SJM), tendo como objetivo tornar o contacto e a convivência com obras de arte mais alargados à comunidade. As obras selecionadas são, sobretudo, escultura, instalação e fotografia, sendo todas pertencentes à Coleção Norlinda e José Lima.

“O que falta? Se calhar é chique ir a Serralves e não é tão chique ir ao Centro de Arte Oliva”

Com “Obras para a Cidade”, o executivo municipal liderado por Jorge Sequeira cumpre, assim, “um desígnio” do seu início de mandato. “Queríamos aproximar a arte da população, divulgar a existência desta coleção e do Centro de Arte Oliva”, lembrou o autarca, acrescentando que “a melhor forma de fazer isso é trazer a arte para a rua”, como estão a fazer agora, e, com isso, ir ao encontro de “um desejo” que é também dos colecionadores.

Por falar em colecionadores, José Lima esteve presente no ato inaugural do passado dia 3, mostrando-se muito satisfeito por finalmente a arte estar prestes a “invadir” as escolas. “Estou contentíssimo com isto”, sublinhou, não deixando, contudo, de achar “uma coisa estranhíssima” o facto de “as escolas das redondezas [de Milheirós de Poiares, Romariz, etc..]” irem visitar a Fundação de Serralves e não virem ao Centro de Arte Oliva.

“O que falta? Se calhar é chique ir a Serralves e não é tão chique ir ao Centro de Arte Oliva”, perguntou, defendendo, de seguida, que “temos de puxar pelo Centro de Arte Oliva dentro da região”. “Temos aqui uma zona altamente importante para cativar públicos para a arte contemporânea e isso é um trabalho que tem de ser feito, tem de ser ensinado”, completou.

Secção do Muro de Berlim ainda continua na Oliva

Passado mais de um ano desde a sua chegada a SJM, a secção do Muro de Berlim, instalada no recinto exterior da Oliva Creative Factory, junto à entrada do Centro de Arte de S. João da Madeira, mantém-se no mesmo sítio.

Questionado sobre o assunto, José Lima afirmou que “a câmara está a ter todo o cuidado com esta questão e que está uma arquiteta às voltas com isso. “Em devido tempo se faz uma festinha e se põe aquilo ao público”, disse o colecionador, assegurando que a peça “não vai ficar” ali e que irá para um outro local, “mais nobre”.

“Foi-me prometido isso e tenho a certeza que vai ser feito, porque há pessoas interessadas, inclusive, o presidente da câmara”, afirmou José Lima, sem referir, no entanto, a nova localização da secção.

Coleção Norlinda e José Lima exposta em São Bento

Esta quinta-feira, 5 de setembro, pelas 18h00, é inaugurada na residência oficial do primeiro-ministro a nova exposição da “Arte em São Bento”. Iniciativa que este ano, sob a curadoria de Isabel Carlos, apresenta ao público 34 obras de artistas portugueses provenientes da Coleção Norlinda e José Lima, uma das maiores coleções privadas de arte do país, sediada no Centro de Arte Oliva, em João da Madeira. Podem ser apreciadas até ao final do ano, nas principais salas da residência oficial, desde as mais públicas – sala de receção, sala de audiências, sala de jantar – a espaços de trabalho, ajustando-se à funcionalidade de cada lugar., sendo que a entrada é gratuita.

Depois da Coleção Serralves em 2017 e da Coleção António Cachola/Museu de Arte Contemporânea de Elvas em 2018, é a vez do Palacete de São Bento abrir as suas portas à Coleção Norlinda e José Lima. De acordo com nota de imprensa do gabinete do primeiro-ministro remetida ao labor pela câmara sanjoanense, dois princípios orientaram as escolhas da curadora Isabel Carlos: o equilíbrio entre artistas mulheres e homens, que se traduz numa mostra paritária; e a atenção particular à criação contemporânea, optando por mostrar artistas atuais.

 

Loading Facebook Comments ...

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor, insira o seu comentário!
Por favor, insira o seu nome aqui