Em causa está o Conselho de Administração que terminou o mandato há mais de um ano e a demissão da diretora clínica

As informações de que o Conselho de Administração (CA) do Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga (CHEDV) estaria em vias de ser substituído e de que a diretora clínica Elsa Soares teria apresentado a sua demissão foram avançadas na edição de 13 de junho do labor.

Na altura, onosso jornal contactou diretamente o presidente Miguel Paiva que, confrontado com estas informações, apenas disse: “não tenho nada a falar sobre esse assunto”. “A nomeação dos dirigentes do Ministério da Saúde é efetuada através de Resolução do Conselho de Ministros. Por essa razão, o CHEDV não se pronuncia sobre esta matéria”, acrescentou o gabinete de comunicação como “posição oficial” do CHEDV depois de ter sido confrontado com estas informações pelo labor.

Toda esta situação foi alvo de declarações públicas por parte do Bloco de Esquerda (BE) através de um comunicado enviado na semana passada ao nosso jornal.

Os bloquistas consideram que o facto de o CHEDV continuar com um conselho de administração cujo mandato terminou há ano e meio e sem se saber se será reconduzido ou substituído, “na prática, impede, por falta de legitimidade, que se tomem decisões que não sejam atos de gestão corrente”. Para além deste acresce um outro facto que é este mesmo centro hospitalar estar “sem diretor clínico há dois meses, o que é uma situação que fragiliza a administração “.

Para o BE “a tutela tem que tomar uma decisão sobre a nomeação do conselho de administração e dos membros em falta” porque “o pior que pode acontecer a este centro hospitalar é estar nesta incerteza sobre o seu próprio futuro”.

Neste sentido, o Grupo Parlamentar do Bloco de Esquerda colocou ao Governo, através do Ministério da Saúde, as seguintes questões: “Como justifica que ainda não se tenha tomado uma decisão sobre a recondução ou sobre a substituição do atual Conselho de Administração, uma vez que o mandato da atual administração já terminou há um ano e meio? Não crê que esta situação fragiliza a instituição, impedindo, por falta de legitimidade, a tomada de decisões estratégicas? Qual é a decisão do Governo sobre este assunto? Por que razão o CHEDV está há dois meses sem direção clínica? Por que razão não foi nomeado um novo diretor clínico aquando da saída da anterior diretora clínica? Qual a decisão do Governo sobre esta matéria?”. A estas questões colocadas a 30 de agosto ao Governo, o Grupo Parlamentar do BE ainda não recebeu qualquer resposta até ao fecho da edição do labor.

Por parte das instituições públicas ligadas ao assunto apenas obtivemos silêncio

“O CHEDV é composto pelas unidades hospitalares de Santa Maria da Feira, Oliveira de Azeméis e S. João da Madeira, serve os concelhos de Santa Maria da Feira, Arouca, S. João da Madeira, Oliveira de Azeméis, Vale de Cambra, Ovar e Castelo de Paiva, num total de 340 mil habitantes, e éum Centro Hospitalar de enorme importância, seja pelas unidades que o integram, seja pela diferenciação de cuidados de que é capaz, seja pela vasta população que serve”, indicam os bloquistas, continuando: “épor isso estranho que o atual conselho de administração esteja, na prática, em gestão corrente há cerca de um ano e meio, uma vez que o seu mandato terminou em fevereiro de 2018 e, desde então, não houve nem recondução, nem nomeação de novo Conselho”. Para além disso, “também se estranha que este Centro Hospitalar esteja sem diretora clínica há dois meses”, destacou o BE, afirmando que “a então diretora clínica cessou funções, a seu pedido, no dia 30 de junho de 2019” e que “perante esta demissão e não nomeação de outro diretor clínico, o Conselho de Administração deliberou delegar no Presidente do Conselho de Administração a supervisão e coordenação do Serviço de Informática, do Gabinete de Qualidade e o acompanhamento geral do Hospital de S. João da Madeira, na Enfermeira Diretora a supervisão e coordenação do Serviço de Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho, do Serviço de Gestão de Doentes e do Serviço Social e em dois profissionais que tinham exercido as funções de diretores clínicos adjuntos a prática de atos relativos à gestão clínica”.

O labor questionou o presidente do Conselho de Administração do CHEDV sobre todas estas informações que envolvem o cargo que desempenha e a instituição que gere, mas não recebeu qualquer tipo de declaração até ao fecho da edição.

A postura do silêncio também foi adotada pelo Ministério da Saúde, pela Administração Regional de Saúde do Norte e pelo Município de S. João da Madeira.

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