E depois violada por um homem com antecedentes criminais por tráfico de droga, violação e sequestro

A Polícia Judiciária do Porto identificou e deteve no domingo passado, 8 de setembro, o homem responsável pela morte de Maria Antónia de Guerra Pinho, mais conhecia por irmã “Tona”, que foi encontrada na habitação onde o alegado homicida mora na Rua de Arrifana em S. João da Madeira.

“O detido, após ter conseguido atrair a vítima até ao interior da sua habitação, com o pretexto de lhe oferecer um café por esta o ter transportado na sua viatura até ali, referiu-lhe que com ela queria manter relações sexuais, o que foi recusado”, informou a Polícia Judiciária (PJ) em comunicado.

“Seguidamente, perseguindo a sua intenção, o detido recorreu à força física aplicando à senhora, ao que tudo indica, um golpe de estrangulamento denominado mata-leão que terá sido a causa da morte” e “posteriormente deitou-a sobre a cama e terá mantido relações sexuais”, revelou a PJ.

O suposto responsável pelo homicídio de Maria Antónia de Guerra Pinho de 61 anos é “toxicodependente e desempregado, com 44 anos de idade e antecedentes criminais pela prática de crimes de tráfico de estupefacientes, violação e sequestro”, lê-se no comunicado.

Um crime desumano

Os factos aconteceram durante a manhã de domingo passado quando a Irmã “Tona” saiu de casa para ir à missa e nunca mais voltou.

O alerta a “dar conta de uma morte súbita” numa habitação na Rua de Arrifana foi dado nesse mesmo dia, por volta das 14h30, à Polícia de Segurança Pública que se deslocou de imediato para o local e entregou à Judiciária a investigação do caso, confirmou na segunda-feira de manhã o comissário Hélder Andrade ao labor.

A Polícia Judiciária analisou o cenárioe recolheu objetos encontrados no interior da habitação em que Maria Antónia de Guerra Pinho foi encontrada sem vida. O corpo da vítima foi transportado para ser autopsiado no Hospital de S. Sebastião em Santa Maria da Feira.

Os agentes interrogaram no próprio dia do acontecimento o principal suspeito, que mais tarde acabariam por deter pela autoria dos crimes.

Em menos de 24 horas, a Polícia Judiciária deslindou o caso e os contornos em que aconteceu este crime trágico, por parte de um homem com antecedentes criminais, contra uma pessoa tão querida e acarinhada por toda a comunidade.

As reações sobre o assassinato de Maria Antónia de Guerra Pinho têm-se multiplicado nas redes sociais com a maioria a manifestar o seu sentimento de pesar para com a sua família e com outros a ficarem sem palavras para escrever sobre este crime desumano.

Suspeito fica em prisão preventiva

O suspeito passou as noites de domingo e de segunda-feira numa cela nas instalações da Polícia Judiciária do Porto e foi presente esta terça-feira a um juiz para primeiro interrogatório judicial no Tribunal de Santa Maria da Feira.

O suspeito ficará em “prisão preventiva” pelos crimes de “sequestro, roubo, homicídio qualificado e violação agravada”, confirmou ao início da tarde desta terça-feira fonte ligada ao Ministério Público de Santa Maria da Feira ao labor.

Esta é a mais grave das medidas de coação aplicáveis ao suspeito da prática de crime, só sendo aplicável quando forem inadequadas ou insuficientes todas as outras medidas de coação.

 

Em agosto

Suspeito tentou sequestrar e violar jovem no Parrinho 

 

Mandados de busca e detenção chegaram um dia depois do crime

 

O labor sabe que o suspeito que saiu da cadeia em maio deste ano, depois de ter cumprido 16 anos por dois crimes de violação, roubou o telemóvel e tentou sequestrar e violar uma jovem de 20 anos no dia 14 de agosto, por volta da 1h30, na Rua das Águas no Parrinho.

O agressor apenas não concretizou os crimes de sequestro e violação devido à resistência da jovem e ao aparecimento de uma pessoa que achou suspeita a interação entre a vítima e o agressor.

Apesar do suspeito ter conseguido fugir, a polícia conseguiu chegar até ele e pediu um mandado de busca à sua casa que foi recebido no Ministério Público a 30 de agosto.

O Ministério Público pediu ao juiz de instrução da Feira a emissão de mandados de busca e emitiu um mandado de detenção a 3 de setembro.

O expediente foi mandado para o juiz de instrução criminal da Feira a 4 de setembro e este emitiu mandados de busca e detenção a 6 de setembro, colocando-os nesse mesmo dia na secretaria do tribunal.

Os mandados chegaram à PSP no dia 9 de setembro, um dia depois de Maria Antónia de Guerra Pinho ter sido assassinada e violada pelo homem que agora está preso.

 

Câmara aprova voto de pesar pela morte da Irmã “Tona”

GN

Reunida excecionalmente durante a manhã da passada terça-feira, a Câmara Municipal de S. João da Madeira (CMSJM) aprovou por unanimidade um voto de pesar pelo “trágico falecimento” de Maria Antónia de Guerra Pinho, mais conhecida por Irmã “Tona”, que tanta tinta tem feito correr nos últimos dias. Segundo o presidente Jorge Sequeira, o que ocorreu “foi extremamente penoso”, um acontecimento “absolutamente trágico, que ninguém merecia”.

“Neste momento de luto”, através da proposta apresentada pelo autarca, a CMSJM associa-se “à consternação sentida pelos sanjoanenses, familiares e amigos afetados pelas circunstâncias do seu prematuro desaparecimento”. Realça, ainda, “a importância do trabalho humanitário e a dedicação aos mais fragilizados, aspetos decisivos da missão de vida da freira Maria Antónia Guerra de Pinho”.

O funeral da Irmã “Tona” realizou-se ontem, quarta-feira, pelas 11h00, na Igreja Matriz de S. João da Madeira, tendo o corpo seguido, depois, para o cemitério Prado do Repouso no Porto

 

Sempre sentiu que queria ser “mulher de Deus”

 

Em entrevista ao labor publicada a 13 de outubro de 2016, Maria Antónia de Guerra Pinho conversou sobre o antes e o depois da sua missão de vida como freira que dava nas vistas por se deslocar de mota na cidade.

“Na cidade sanjoanense andou na escola e também trabalhou – ´para aí uns sete, oito anos´ – numa empresa de chapéus e camisas, convivendo ainda com algumas das amigas desses tempos de fábrica. ´Tona´, como todos a conhecem em SJM, sempre sentiu que queria ser ´mulher de Deus´, mas foi apenas em 1979, com 21 anos, que foi para o convento. O facto de pertencer ao Grupo de Jovens Convívios Fraternos acabou por despertar a vontade, até então ´adormecida´, de querer seguir a vida consagrada. Além disso, também estava convicta que a sua vocação não era casar nem ter filhos, como tantas raparigas da sua idade.

Maria Antónia entrou para a Congregação Servas de Maria Ministras dos Enfermos, no Porto, onde as religiosas acompanham os doentes durante a madrugada, em suas casas, gratuitamente, fazendo da noite dia e do dia noite. Depois de trabalhar quase quatro décadas em Espanha e Portugal, esta Serva de Maria regressou à terra natal, onde se encontra agora a cuidar da mãe”, lê-se num excerto da entrevista que Maria Antónia de Guerra Pinho deu ao labor.

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