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Vitor Fernandes

Tem 25 anos, é natural de S. João da Madeira e é clarinetista. Vitor Hugo Familiar Fernandes é licenciado pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo do Porto e

mestre pela Haute École de Musique de Genève na Suíça. Este músico sanjoanense venceu o IV Ghent International Competition na Bélgica e conquistou o 2º Prémio no 73º Concours de Genève na Suíça.

 

O que o levou a deixar a sua cidade, o seu país?

Enquanto músico estou sempre em busca de diferentes visões e perspetivas artísticas. Esta foi a grande razão que me levou a sair do país, juntamente com o facto de que na Suíça existe um maior leque de oportunidades para os artistas. Embora esteja a viver no estrangeiro, tenho voltado a Portugal quase todos os meses, pelo que mantenho uma ligação bastante forte com as minhas raízes.

 

Há quanto tempo está na Suíça?

Desde setembro de 2016, há precisamente três anos.

 

Mas foi em busca de alguma oportunidade em particular?

Sobretudo fui em busca de mais conhecimento, de uma forma diferente de ver a música, mas sempre tendo em conta a maior oferta de trabalho para músicos que existe na Suíça e no centro da Europa em geral.

 

“Temos muita qualidade em Portugal, só falta sabermos aproveitá-la”

 

As oportunidades em Portugal são mais limitadas?

Infelizmente sim. Embora seja um país único e fantástico em alguns aspetos, no que toca às oportunidades de trabalho e/ou concertos não é um deles. A oferta é desproporcional à procura e muitas vezes as oportunidades que existem são sempre para os mesmos, mas é um problema que não existe apenas no meio musical.

 

E o reconhecimento da carreira profissional de músico?

O reconhecimento existe sobretudo entre músicos. Os músicos portugueses celebram os feitos uns dos outros, vibram com as conquistas uns dos outros, o que é algo muito especial e que não acontece em muitos outros países. Infelizmente, este reconhecimento tem de partir não só dos nossos colegas de profissão, mas também da população em geral. Temos muita qualidade em Portugal, só falta sabermos aproveitá-la de forma a que os músicos, quando presenteados com uma oportunidade de ir para outro país, tenham vontade de ficar.

 

Onde está a trabalhar?

Sou músico freelancer. Neste momento tenho apostado numa carreira a solo. Portanto, trabalho um pouco por todo o mundo, embora tenha como base a cidade de Genebra.

 

Há quanto tempo está a trabalhar como freelancer?

Comecei a ter uma atividade mais regular enquanto freelancer em 2017, há dois anos.

 

Sanjoanense estreou-se como músico no Dubai e na China

 

Por onde tem passado e atuado?

Anne-Laure Lechat

Um pouco por toda a Europa nos últimos dois anos e também pela Ásia, destacando a minha estreia no Festival de Ljubljana, concertos a solo com a Brussels Philharmonic, Sófia Philharmonic, na Dubai Opera House, Beijing CCOM e Seoul National University.

 

Por exemplo, desde o início deste ano em que países atuou?

Atuei em Paris, Genebra, Lucerne, Beijing, Lanzhou, Hengshui, Shijiazhuang. Até ao final do ano estarei em Taipei, Hong-Kong, Singapura, Wroclaw (Polónia) e Lisboa.

 

Enquanto freelancer no estrangeiro consegue ter alguma estabilidade?

Sim. Não é a estabilidade que teria se tocasse por exemplo numa orquestra, mas a oportunidade de viajar com muita regularidade e poder tocar a solo em diferentes salas, conhecer outras culturas, diferentes músicos, é algo que me traz grande satisfação. Claro que tudo isto é um ciclo e um dia poderei ter vontade de procurar outras experiências.

 

Este é o primeiro emprego fora de Portugal?

Sim, em paralelo com a minha atividade de estudante.

 

Foi sozinho?

Sim.

 

Conhece muita gente? Portugueses e estrangeiros?

Uma das grandes vantagens de viver numa cidade multicultural como Genebra é a de conhecer e ter a oportunidade de privar com gente de dezenas de países e culturas diferentes. Juntamente com a minha atividade profissional, tenho a oportunidade e a sorte de conhecer gente um pouco por todo o lado.

 

“No geral, simpáticos, mas mais fechados do que os Portugueses”

 

Quais os locais emblemáticos?

A cidade velha (vieille-ville), o jet d’eau, o Jardin Anglais…

 

Como são os habitantes/o povo do local onde está?

No geral, simpáticos, mas mais fechados do que os portugueses. Num diálogo não existe o à vontade que por exemplo encontramos numa cidade como o Porto.

 

O que mais o surpreendeu?

A organização e a mentalidade. As pessoas são, no geral, muito diretas, o que ao início pode ser um choque, mas que mais tarde se torna um hábito também nosso e que nos ajuda a ser mais eficientes no nosso trabalho.

 

O que mais custou a adaptar?

Nada foi verdadeiramente difícil, talvez a língua, mas sendo uma língua relativamente próxima do Português torna-se mais fácil.

 

“Tenho tido a oportunidade de conhecer dezenas de países”

 

Há alguma expressão típica do local onde está?

Não que eu conheça.

 

Qual o balanço desta aventura pessoal e profissional?

Muito positivo. Tenho tido a oportunidade de conhecer dezenas de países, fazer o que mais gosto e conhecer muito boa gente pelo caminho. Não podia pedir melhor.

 

Do que sente mais falta?

Da família, dos amigos e da comida. Mas tento sempre voltar a Portugal com frequência para matar as saudades.

 

Do que é que sentirá falta, do local onde está, se um dia for para outro país ou regressar a Portugal?

Se eventualmente voltar a Portugal e parar de trabalhar em diferentes países, sentirei falta da adrenalina de viajar sozinho e de ir à descoberta de novas culturas.

 

Os seus planos passam por voltar a Portugal?

De momento não, mas nunca se sabe o dia de amanhã…

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