Autor pretende levar “O rapaz que queria aprender a olhar” “ao maior número de locais”, inclusive às escolas 

 

Depois de cidades como Vila Nova de Gaia, Vila Nova de Famalicão e Braga, “O rapaz que queria aprender a olhar”, editado pela Arqueu Editora, foi apresentado em S. João da Madeira (SJM), terra onde “nasceu a mulher da minha vida”, começou por dizer Vítor Pinto Basto.

Na passada sexta-feira, o escritor regressou à cidade à qual tem ligações familiares para apresentar o seu quarto livro, que percorre um repositório ficcional das memórias que o autor guarda do “absurdo existencial” que foi a ditadura salazarista em Portugal. Contrariamente ao previsto, o jornalista e historiador Germano Silva não esteve presente na sessão, cabendo apenas ao professor, historiador e também “cunhado e amigo” Rui Gomes a apresentação da obra.

Na Biblioteca Municipal (BM) Dr. Renato Araújo, depois do visionamento de um vídeo sobre o Estado Novo e o 25 de Abril, o autor confidenciou que detesta António de Oliveira Salazar e fez saber que esta obra mais não é do que “um ajuste de contas [não só com ele, mas] com os ditadores em geral”, porque estes “perturbam-me”. Além disso, é também “uma espécie de homenagem às pessoas que lutaram tanto e estiveram tanto tempo presas”. “Como é que um regime pode ser tão violento ao ponto de prender jovens estudantes que querem a sua demissão?”, questionou o ex-editor do Jornal de Notícias, que, no exercício das suas funções profissionais, sempre optou por “dialogar, construir, criar pontes” em vez de “exercer o poder com o poder”.

Após ter deixado o jornalismo no ano passado, Vítor Pinto Basto tem andado desde abril último com “O rapaz que queria aprender a olhar” “na mão” a dá-lo a conhecer “um pouco por toda a zona Norte”. E espera chegar igualmente ao Sul “até ao fim do ano”. O objetivo “é levar este livro ao maior número de locais e às escolas”. Sim, porque, em seu entender, só levando os jovens a questionarem é que eles começarão “a ‘olhar’ melhor”.

Como o próprio referiu em SJM, “O rapaz que queria aprender a olhar” “é um livro acentuadamente ideológico de propósito, porque o exercício é levar as pessoas a não calcorrearem caminhos como alguns querem”. Aliás, até se inventarem outros, a democracia ainda continua a ser, na sua ótica, “o melhor dos modelos” políticos.

O autor, com 15 anos de idade aquando da Revolução dos Cravos em 1974, faz no livro “uma viagem através do olhar de um adolescente que precisou de aprender a ‘olhar’ para perceber que a realidade que via escondia outras brutais realidades, com gente na cadeia apenas por querer falar e viver em liberdade”.

Em “O rapaz que queria aprender a olhar”, encontramos “situações invulgares, como a revolta de Salazar contra o Bispo do Porto, D. António Ferreira Gomes, e contra o general Humberto Delgado”. “Os factos que aqui conto aconteceram”, garantiu o escritor, acrescentando que houve “personagens da minha rua colocadas de propósito para dizer que o sistema criava pessoas más”. “Pessoas más” que, note-se, “também existem na democracia”, como salvaguardou o autor.

Além disso, por exemplo, também são focadas as presidenciais de 1958, nas quais em Gaia foram mais os votos em Humberto Delgado do que em Américo Tomás. Mas, contrariamente ao que é mencionado no romance, Vila Nova de Gaia não foi o único concelho onde isso aconteceu, uma vez que “Humberto Delgado [também] venceu as eleições em S. João da Madeira”, como chamou à atenção Irene Guimarães, dando assim uma novidade a Vítor Pinto Basto.

“Livro pode ser útil aos nossos alunos”

A vereadora da câmara não só “viu com bons olhos” a intenção de levar o livro às escolas, como também defendeu que “estes assuntos devem ser falados o mais precocemente possível” e não apenas a partir do ensino secundário. “O livro pode ser útil aos nossos alunos”, afirmou a representante do Município sanjoanense, assegurando que ela e a autarquia estão disponíveis “para o ajudar a entrar nas nossas escolas”, assim como ao autor. A deslocação de Vítor Pinto Basto a estabelecimentos de ensino de S. João da Madeira para falar sobre o seu livro e esta temática é, pois, uma hipótese em cima da mesa.

Para além d’ “O rapaz que queria aprender a olhar”, o também licenciado em Filosofia escreveu “O Segredo de Ana Caio”, “Gente que dói – o conflito basco por quem o vive” e “Morto com defeito”.

 

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