Moradores (des)esperam por uma solução há vários anos e mandatos autárquicos 

Na reunião de câmara da passada terça-feira, Luís Filipe Pinho, acompanhado de três condóminos residentes, trouxe a público aquilo que – já à margem da sessão e à conversa com o labor disse ser “um atentado à saúde pública”.

Em declarações ao nosso jornal, o administrador do condomínio do Edifício Alameda (n.ºs 217 e 147), situado na Rua João de Deus, reafirmou que foram vistas “ratazanas que mais parecem coelhos” “nas partes comuns” do prédio, inclusive nas garagens, e até “a saírem pela fossa”. Os mesmos bichos indesejáveis ou outros da mesma família também já foram avistados a “passear-se” na Praceta Júlio Dinis, nas traseiras do dito prédio construído há cerca de duas décadas, conforme garantiu à nossa reportagem uma das moradoras, dando nota ainda do cheiro nauseabundo que volta e meia tem de suportar à custa de toda esta situação.

Em causa está uma ligação do saneamento à rede pública que, não obstante estar prevista no projeto, nunca chegou a ser feita. Em vez disso, “fizeram uma fossa”, explicou Luís Filipe Pinho, chamando à atenção para que esta recebe os dejetos e detritos de mais de 100 frações. Ainda segundo o queixoso, o Município “deu licença de habitabilidade a cada morador, apesar de o edifício não estar conforme o projeto”.

Problema “já cheira mal” há anos

Não foi a primeira vez que o administrador do condomínio se deslocou ao Fórum Municipal por causa do mesmo assunto. Aliás, pouco depois de este executivo tomar posse em outubro de 2017, reuniu com o presidente para lhe dar a saber o que se passava. Jorge Sequeira “disse-me que ia analisar o projeto e que depois ligava” para “agendar uma nova reunião”.

Acontece que, volvidos cerca de dois anos e novas tentativas de chegar à fala com quem de direito, tudo permanece igual, levando agora Luís Filipe Pinho a voltar a pedir – desta vez em reunião de câmara – uma solução para um problema que “já cheira mal” há vários anos e mandatos autárquicos.

“Estamos a trabalhar no sentido de arranjar uma solução”

Além de confirmar que “efetivamente reunimos já há algum tempo”, Jorge Sequeira adiantou que “a questão foi colocada aos serviços e está a ser ponderada”. “Estamos a trabalhar no sentido de arranjar uma solução”, assegurou ainda a propósito.

 

Programa “Escola Aberta” divide executivo

“Longe de nós fazer concorrência a quem quer que seja”, deixou claro Jorge Sequeira, em resposta a Paulo Cavaleiro, para quem “a câmara tem outras coisas aonde gastar o seu dinheiro” que não no programa “Escola Aberta”.

O vereador da coligação PSD/CDS-PP voltou à carga com o assunto, na reunião da passada terça-feira, chamando à atenção, novamente, para que “a Santa Casa da Misericórdia tem uma resposta igual há vários anos”. E também questionando: “por que, apesar de alertada para a situação, a câmara resolveu avançar?”. Em seu entender, a edilidade deveria ter optado por “fazer uma parceria com a Misericórdia”.

Recorde-se que, ao abrigo do dito programa que registou mais de 60 inscrições e como, aliás, o laborjá divulgou oportunamente, o Município teve dois jardins de infância abertos em agosto com o intuito de criar uma alternativa para os encarregados de educação que trabalham ao longo desse mês e não têm onde deixar os seus filhos.

De acordo com o líder autárquico, “há procura [suficiente] que preenche tanto a oferta da câmara, como a das IPSS”, além de que a autarquia “não pode ter os equipamentos e funcionários em subutilização”. “A câmara criou uma resposta nova, cuja “adesão dos pais foi impressionante”.

Zona da ex-Fundação Salazar vai ter “equipamentos infantis”

Tal como já tinha dito que ia fazer, a oposição apresentou em sede de executivo municipal uma proposta no sentido da construção de um parque infantil no exterior da Rua de Milheirós (ex-Fundação Salazar) “como complemento a uma necessidade constatada junto da população”.

A maioria votou favoravelmente, contudo, alertou para o facto de, dada a limitação do espaço, “a ideia de parque infantil com vários equipamentos não ser possível”. “Os técnicos dizem-me que só é possível colocar lá um ou dois equipamentos [no máximo]”, informou Jorge Sequeira, acrescentando que “já estou a pedir orçamentos” precisamente nesse sentido.

 

Apelo ao civismo e à consciência ambiental

 Presença assídua nas reuniões de câmara, a munícipe Ana Couto chamou à atenção para que, não obstante a cidade dispor de recipientes para o efeito, a separação do lixo “é pouco praticada” por estas bandas, inclusive junto às escolas.

Jorge Sequeira não só confirmou que há, de facto, “situações em que os munícipes violam as leis e os regulamentos”, como também garantiu que “estamos a trabalhar a educação ambiental” e até “para ter um fiscal ambiental”, como o labor noticiou em edição anterior. Trata-se, segundo o autarca, “de uma medida que não está estruturada, mas temos esse desejo”. E, aliás, nesse sentido, já iniciaram o procedimento de elaboração do Regulamento de Utilização, Conservação e Manutenção dos Parques e Espaços Verdes Municipais.

Ainda a propósito, o edil pediu aos jornalistas presentes para apelarem ao civismo e à consciência ambiental: “Apelo para que as pessoas não ajam desta forma!”.

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Ana Couto também veio em defesa das hortas urbanas do Orreiro e de Fundo de Vila. Estas “precisam de revitalização”, uma vez que “são muito importantes” para os “cidadãos” que nelas cultivam. Aliás, no entender da munícipe, além dos produtos da terra que delas se retira, funcionam também como que uma espécie de “terapia” para quem nelas trabalha.

 

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A propósito, o autarca Jorge Sequeira adiantou que ainda “recentemente enviámos cartas aos munícipes que utilizam as hortas”.

Em princípio, já a partir do próximo “mês de outubro”, as reuniões de câmara, à semelhança do que já acontece com as sessões da Assembleia Municipal, vão poder ser acompanhadas em direto, com som e imagem, através da internet. Apresentada pela coligação PSD/CDS-PP, a proposta foi bem acolhida pela maioria socialista, tendo sido aprovada por unanimidade na anterior reunião do executivo.

Entretanto, a sessão que se realizou esta semana, embora não tenha sido transmitida em direto, já foi gravada a título experimental. A gravação foi assegurada pela “prata da casa”, que é como quem diz por elementos do gabinete de comunicação do Município.

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