App “Comércio Nosso” foi apresentada no Dia Mundial do Turismo

 Para já são 49 as lojas do comércio de rua de S. João da Madeira (SJM) que estão representadas na plataforma online comercionosso.pt que, no dia 27 de setembro, foi apresentada, juntamente com a app de realidade aumentada “Comércio Nosso”, nos Paços da Cultura. Mas a ideia é que, no futuro, venham a ser cada vez mais.

Além de uma loja online onde os comerciantes sanjoanenses podem apresentar os produtos e/ou serviços dos seus estabelecimentos, a aplicação para telemóvel (disponível para descarregar em comercionosso.pt/app-cn) permite a descoberta da história de cada um deles, juntamente com informações, contactos e redes sociais onde marcam presença. Tudo isto disponível no “micro site”, como lhe chamou Jorge Sequeira na ocasião, “São João Nosso”.

Contando com financiamento da União Europeia, nomeadamente do fundo Norte2020, este projeto foi desenvolvido no âmbito do “Comércio Nosso” (que também já chegou às cidades de Aveiro, Braga, Lisboa e Porto) pela empresa aveirense Ours e resultou de uma parceria entre o Município e a Associação Comercial de S. João da Madeira (ACSJM). Parceria essa que “já vem do executivo municipal anterior”, lembrou o autarca de SJM na sua intervenção da passada sexta-feira.

GN

Os comerciantes interessados em aderir não têm de ser associados da ACSJM, conforme esclareceu Paulo Barreira ao labor já à margem da sessão. Inicialmente, apenas têm de fazer “um pagamento único para instalação do azulejo” inteligente na fachada do seu estabelecimento. “E depois pagarão se quiserem ter mais serviços [para além dos já contemplados] e, anualmente, a manutenção da plataforma”, acrescentou o presidente da direção da Associação Comercial.

Está assim criada uma resposta para responder às “necessidades que tem o novo consumidor [o consumidor digital]” e que “colmata uma lacuna que já vem desde há algum tempo: o E-commerce, as vendas online”, disse ainda o dirigente ao nosso jornal.

Note-se que o azulejo inteligente, como aquele que se pode ver na entrada das, por enquanto, 49 lojas sanjoanenses aderentes, combina a familiaridade do letreiro tradicional com o potencial dos dispositivos móveis. Uma sinalética interativa conformada num objeto icónico da cultura portuguesa que direciona para uma página dedicada e exclusiva do negócio, com toda a informação útil, galeria de imagens, ferramentas sociais e a história da casa em Português e Inglês.

“Por que não o Turismo Comercial?”

Minutos antes, Paulo Barreira fez questão de recordar, perante um auditório dos Paços da Cultura com muitos lugares vazios, que este “desafio” foi lançado à ACSJM “pelo Município em finais de 2016 e formalizado em maio de 2017”. “O executivo da altura queria criar um instrumento diferenciador que pudesse oferecer uma nova dinâmica ao comércio de proximidade e se aproximar das novas tendências e necessidades do consumidor”, afirmou, apelando, de seguida, ao atual executivo para que “apoie o comércio de proximidade e que tenha a Associação Comercial como uma parceira”.

“O comércio de proximidade é um tecido comercial importante que cria dinâmica no concelho e é bom que assim se mantenha, porque as ruas sem comércio são tristes e sem luz”, referiu.

Na ocasião, o líder diretivo ainda dirigiu “uma palavra de agradecimento” aos comerciantes, “por continuarem a acreditar e a exercer a atividade nesta linda cidade”; à Ours, “por ter escolhido S. João da Madeira”; aos colegas da ACSJM; ao ex-vice-presidente Paulo Cavaleiro, “por ter contactado e acreditado na Associação Comercial para o desenvolvimento desta iniciativa”; e a Alexandra Alves, do Turismo Industrial, pela disponibilidade e pelos conhecimentos partilhados. Por falar nisso, depois do Turismo Industrial, “por que não o Turismo Comercial?”, deixou a sugestão no ar.

“Temos de trabalhar o potencial do Turismo Industrial”

Só no ano passado o Turismo Industrial registou 28.000 visitantes. Um “número impressionante”, mas que mesmo assim não convence Jorge Sequeira, porque muitas destas visitas são oriundas de escolas.

No Dia Mundial do Turismo, o edil defendeu que “temos de trabalhar o potencial do Turismo Industrial”, havendo já “reuniões” “combinadas” “para ver de que modo os visitantes que vêm possam ficar em S. João da Madeira para além do tempo da visita do Turismo Industrial”.

No entender de Jorge Sequeira, “o Turismo Industrial é, pois, uma porta de entrada para os turistas em geral”. Tanto que “queremos que, a partir do Turismo Industrial, os turistas frequentem outros espaços de S. João da Madeira [hotéis, restaurantes, lojas, etc.] e façam despesa”.

Mas o trabalho deste executivo em prol do turismo e do comércio locais não se queda por aqui. Além da app “São João Nosso”, “ferramenta” “com enorme potencial” que “tem de ser divulgada massivamente para que cumpra a sua missão”, têm sido promovidos vários eventos, como o Hat Weekend Festival e o Gin and Street Food Sessions, e “já foi aprovado o projeto de arquitetura” para um novo hotel na Avenida Dr. Renato Araújo.

Também o Palacete dos Condes foi incluído no Programa Revive, sendo que “brevemente vamos lançar uma concessão para que o edifício sirva para fins turísticos e hoteleiros”. Aliás, “hoje mesmo recebemos o estudo de avaliação económica”, informou Jorge Sequeira.

Em três anos, número de turistas subiu de dois milhões para 4,5 milhões

Também Luís Pedro Martins marcou presença na apresentação oficial da app “São João Nosso”. Esta foi a primeira visita institucional que o presidente da comissão executiva da Turismo do Porto e Norte de Portugal (TPNP) fez a SJM, tendo trazido com ele boas notícias.

Depois de agradecer a Jorge Sequeira, por este “ter estado desde a primeira hora na origem e na procura de uma solução para a criação da Entidade Regional” de TPNP, Luís Pedro Martins adiantou que “em pouco mais de três anos”, o número de turistas subiu de dois milhões (2015) para 4,5 milhões (2018). Aumento que se deveu ao facto de “conseguirmos estar ligados a mercados de longa distância”, não dependendo do mercado de Espanha, e também “a um maior investimento na comunicação”.

“Não é por acaso que o país cresceu no turismo. Cresceu quando começaram a promover outras regiões para além do Algarve, Lisboa e Madeira, como o Alentejo, o Centro e o Norte com uma diversidade enorme de produtos turísticos”, fez ver este responsável, segundo o qual “neste primeiro meio ano [do seu mandato] estamos muito próximos das duas noites de estada média na região”.

Por falar em região, Luís Pedro Martins é de opinião – e partilhou-a com os presentes – que é preciso fazer muito mais pelo seu turismo. “Temos de distribuir os turistas [que neste momento se concentram no Porto, Vila Nova de Gaia e Matosinhos] pela região (…). Temos de promover os outros municípios e ainda mais os que estão afastados da porta de entrada”, que é como quem diz do Aeroporto Francisco Sá Carneiro.

Em seu entender, “a loja [da TPNP] do aeroporto não pode estar oito meses com a mesma exposição de Serralves”. Não é que Luís Pedro Martins tenha algo contra a Fundação de Serralves, mas, na sua ótica, outras iniciativas de outros municípios, como é o caso de S. João da Madeira, também devem ser ali mostradas.

Aposta no digital é o futuro   

Se a geração Y, também conhecida por Millennials (nascidos entre 1980 e 1995), já é dependente do digital, a geração Z (nascidos entre meados dos anos 90 até ao início de 2010) vai ser 100% digital tanto na pesquisa como na compra, avisou o representante da Turismo do Porto e Norte de Portugal.

Por estas e por outras razões, na sua ótica, o futuro passa pela aposta no digital e em “coisas autênticas”, como, por exemplo, este projeto da câmara e da ACSJM e o Turismo Industrial.

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