É uma das premissas para abrandar, já que não é possível evitar os efeitos da crise climática em todo o mundo

A crise global do ambiente e do clima como desafio maior para os direitos humanos foi o tema abordado por Viriato Soromenho Marques na conferência “Pensar Futuro” realizada ao final da tarde de sábado passado nos Paços da Cultura.

A intervenção do professor catedrático de Filosofia e ambientalista começou com duas premissas: “não há boa terapia sem um bom diagnóstico”; e “pensar globalmente, mas agir localmente”.

O diagnóstico é que estamos a viver uma crise ambiental que resulta de inúmeras alterações climáticas, algumas extremas, que estão a acontecer um pouco por todo o mundo. Aqui a única diferença está entre as alterações que vemos e sentimos e aquelas que não, que vão acontecendo sem darmos por elas, pelo menos, no imediato.

No caso de Portugal, temos os incêndios em que tivemos “19 mil hectares de área ardida numa hora em outubro de 2017”, o que é “uma monstruosidade”, considerou Viriato Soromenho Marques, constatando este tipo de alteração como uma que “sentimos porque vimos” e da qual “fomos vítimas”.

A terapia para este diagnóstico não consiste em encontrar uma “cura”, mas em retardar os avanços da “doença”. E para isso temos todos os acordos mundiais que têm sido criados em defesa do ambiente para que seja possível “corrigir a rota do planeta” em direção ao estado de “HotEarth House” em que é iminente e inevitável uma catástrofe climática. Também temos as ações locais com base no pensamento global.

Nesse sentido, o Município de S. João da Madeira tem levado a cabo ações como a eliminação do plástico nos eventos municipais, a instalação de 1.600 led´s na iluminação pública, a distribuição de 1.600 contentores (com quatro ecopontos) para separação dos resíduos, a entrega de 7.000 garrafas reutilizáveis aos alunos de todas as escolas do concelho e a instalação de dispensadores de água nos estabelecimentos de ensino e equipamentos públicos.

O desafio é “corrigirmos a rota e mantermos as condições de habitabilidade na Terra”, indicou Viriato Soromenho Marques.

E pelo meio tentar contornar, quando não for possível vencer, os obstáculos ligados ao conhecimento, aos governantes, às culturas dos países, à tecnologia e à ciência, ao império do mercado económico e ao sistema internacional.

“Conferir dignidade jurídica ao sistema terra que é o que distingue o nosso planeta dos restantes”

DF

Esta crise ambiental ganhou um rosto, Greta Thunberg, e uma projeção mundial nos últimos meses. Entre as ações em defesa do meio ambiente levadas a cabo pela jovem sueca destaque para o seu discurso na Cimeira da Ação Climática realizada na semana passada na sede das Nações Unidas em Nova Iorque, onde acusou os governantes de estarem a falhar na preservação do planeta Terra e com isso comprometerem o futuro das gerações futuras.

A prova de que o assunto está na ordem do dia não só dos jovens, mas também dos adultos, está nas manifestações ocorridas sexta-feira passada um pouco por todo o mundo, incluindo em Portugal.

O professor catedrático concluiu a sua intervenção com a mensagem de que é preciso “conferir dignidade jurídica ao sistema Terra que é o que distingue o nosso planeta dos restantes”. A conferência ficou ainda marcada por um momento de interação entre o público e o convidado, precisamente, sobre vários temas relacionados com a crise ambiental.

 

Próximas conferências “Pensar Futuro”

Manuel Carvalho da Silva, 12 de outubro

Carlos Fiolhais, 23 de novembro

Ambas às 17h00 nos Paços da Cultura

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