Obra poderá arrancar já “no início do próximo ano” 

Na última terça-feira, a câmara aprovou por maioria, com os votos contra da coligação PSD/CDS-PP, o projeto final de “reabilitação e requalificação do centro da cidade de S. João da Madeira” e o lançamento do respetivo concurso.

Esta aprovação aconteceu após a visualização de um vídeo com animações 3D sobre a futura Praça Luís Ribeiro e zonas envolventes, cuja versão final só ficou concluída na segunda-feira anterior, como disse Jorge Sequeira, e uma demorada troca de argumentos entre o PS e a coligação PSD/CDS-PP. Tal como em outras reuniões deste mandato, o assunto voltou a “dividir” o executivo.

Apesar de a oposição ter pedido o adiamento deste ponto da ordem de trabalhos e até ter sugerido a realização de um “referendo local” por entender que “o assunto merecia mais debate”, a intervenção no novo centro cívico da cidade, inclusive na nova Praça, é mesmo para avançar.

A empreitada no valor de cerca de dois milhões e 500 mil euros, maioritariamente suportada por fundos europeus, poderá arrancar “no início do próximo ano”, como adiantou aos jornalistas o vice-presidente José Nuno Vieira já no final da reunião. O seu prazo de execução é de 365 dias.

Trata-se de uma obra que engloba a Praça Luís Ribeiro, Largo de Santo António, Rua Padre Oliveira, Rua da Liberdade, Rua Dr. Maciel, Rua Durbalino Laranjeira, Largo dos Paços da Cultura, Rua 5 de Outubro, incluindo também as ruas do Dourado e Visconde, sendo que estas últimas duas, contrariamente às restantes, “não têm financiamento comunitário”.

Mas há mais. De acordo com o presidente do Município, “a intervenção no centro da cidade não se esgota aqui: temos também o projeto ‘Cidade Inclusiva’” no âmbito do qual está a ser intervencionada a Rua João de Deus”.  Além disso, “estão a ser tomadas medidas para resolver o problema [do terreno] da antiga Polícia” e “estamos a tratar da concessão do estacionamento na Rua Padre Oliveira”.

Para Jorge Sequeira, estão a ser criadas “condições para atrair mais investimento privado” para o centro de S. João da Madeira, sendo este, na sua ótica, “um ponto de partida para um processo de mudança que permite contrariar o abandono” desta zona da cidade.

Jorge Sequeira garante que “projeto foi participado”…

Segundo o líder da autarquia, não só “o projeto foi participado”, como esta proposta da coligação “é impraticável” e “claramente intempestiva”, podendo “pôr em causa o financiamento comunitário”. Mas atenção que Jorge Sequeira deixou claro que esta sua posição “não significa que não respeitemos a opinião popular”. Pelo contrário. Garantiu, em sede de executivo municipal, que “da generalidade da população não vi qualquer discordância do projeto” e que “mantivemos sempre o diálogo com os comerciantes”.

Aliás, como fez questão de lembrar, depois da apresentação do anteprojeto nos Paços da Cultura em novembro de 2018, “reuni várias vezes com delegações de comerciantes” e ainda “com o presidente da Associação Comercial”, o que para Paulo Cavaleiro não foi suficiente. No entender deste social-democrata, para quem “o centro da cidade é de todos” e Jorge Sequeira “não é o dono disto tudo”, “a câmara devia ter feito um estudo estratégico para fundamentar a intervenção que vai fazer”.

… mas não assegura que parque de estacionamento esteja pronto até final do mandato

Do projeto final, destacam-se a proibição de trânsito automóvel na Praça Luís Ribeiro, uma fonte seca como “elemento de atração diferenciador”, a existência de corredores verdes, a adoção de mobiliário único nas esplanadas, a retirada das atuais coberturas, a colocação de piso de granito e a construção de um novo parque de estacionamento com capacidade estimada para 90 lugares, com acesso automóvel pela Rua Júlio Dinis e acesso pedonal pela Rua Padre Oliveira.

E por falar em estacionamento, Paulo Cavaleiro chamou à atenção para que, contrariamente à proposta anterior que previa três parques de estacionamento de proximidade, aprovada por unanimidade e que acabou por ser alterada por este executivo, esta “retira estacionamento ao centro da cidade”. E, ainda a propósito, questionou “se a intervenção do estacionamento estará concluída neste mandato?”.

“Se vai estar feito daqui a dois anos, não posso garantir”, respondeu Jorge Sequeira, acrescentando que “tudo será feito para haver simultaneidade nas intervenções”. De qualquer modo, uma coisa é certa: “Quem vai fazer o parque é o concessionário”.

Recorde-se que, tal como o labor já noticiou oportunamente, o Município optou por “uma solução integrada para o estacionamento automóvel”, através de uma “nova concessão” “em articulação com a dinamização dos dois parques subterrâneos existentes na área de influência da Praça”, nomeadamente o da Rua João de Deus, junto ao Tribunal, e o da Avenida Dr. Renato Araújo, em frente ao Mercado Municipal.

Neste momento, “estamos a negociar com a empresa”, “para resgatar os parques e, depois, incluí-los na concessão”, avançou o responsável político.

 

Associação Comercial “não foi tida nem achada”

Interpelado pelo labor sobre o assunto, Paulo Barreira garantiu que a Associação Comercial de S. João da Madeira (ACSJM) “não foi tida nem achada” a propósito do vídeo sobre o novo centro cívico da cidade que tinha acabado de ser apresentado em sede de executivo municipal.

Segundo o presidente da ACSJM, “a Associação Comercial nunca foi contactada para a apresentação do vídeo” “nem com o propósito de convocar os associados” nesse sentido. “Eu, Paulo Barreira, não fui contactado nem como presidente da Associação Comercial nem como comerciante da Praça”, reforçou a ideia.

Em declarações ao nosso jornal, o dirigente associativo contou que um comerciante lhe disse que “no dia 7, pelas 19h00, tinha sido contactado por telefone para comparecer no dia 8, pelas 11h30, na câmara, para ver o vídeo”. Segundo essa mesma fonte, terão sido apenas três comerciantes que estiveram nessa apresentação, o que, na opinião de Paulo Barreira, “dá a entender que há comerciantes de primeira e comerciantes de segunda”.

“Se a câmara tinha intenção de apresentar o vídeo aos comerciantes tinha feito as coisas de outra forma”, afirmou o líder diretivo, acrescentando que “só convocar alguns comerciantes foi uma escolha e decisão da autarquia que a nós [ACSJM] não nos diz respeito”.

Em reação às afirmações de Paulo Barreira, o Município esclareceu que “o vídeo foi apresentado em reunião de câmara e foi tornado público seguidamente” na sua página do Facebook. Acrescentou que “antes da reunião, o vídeo foi exibido a um grupo de comerciantes que havia solicitado uma audiência ao executivo e que manifestou interesse em ver o vídeo”.

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