Privações dos Tempos!

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Soltando sentimentos e o que traz à memória que guardamos no disco rígido do computador a que chamamos coração, só esperam a oportunidade para virem ao de cima. Foi o caso de evocar as dificuldades que o evolucionismo da vida no país e no mundo nos convenceram que não voltavam. Mas voltaram com força e já não chega falar da crise mas também de enormes sacrifícios, para alguns insuportáveis. Assim a crónica sobre privações dos tempos que pensávamos extintos suscitou um corrupio de mensagens sobre o assunto. Ainda bem, é sinal que não era só conversa fiada. E dizia um leitor: era mesmo assim tal e qual.  

Tinha eu quatro anos, quando a Europa, forte e feia, começou a andar às “cabeçadas”, e então era miséria todos os dias, a toda a hora, como diz o povo de”criar bicho”; em 1956 fiz nove anos e à noite, à luz das velas, disse: “Hoje faço anos”. O meu pai olhou para mim e deu-me o que tinha na mão: A côdea da broa e um pouco de cebola com sal que estava a comer. Foi a melhor prenda de anos que recebi. Tudo se comia, tudo se aproveitava. As roupas eram remendadas. Muitas e muitas histórias existem para ser contadas e fico ao dispor, com um recordar bem triste da caminhada no país e no mundo, onde para a nossa amargadura, a mentira cavalgou festas bem divertidas.

Eis a perspetiva do homem comum. Por outras palavras, o cidadão exemplar, cujo o nome se me “Barreu da memória” no seu livro-testamento, deixou-nos o seguinte recado: incapazes de diagnosticarem a natureza estrutural da crise e presos na teia dos grandes interesses, resistindo às mudanças estruturais, os estados optaram pelo que chamaram saneamento financeiro sobrecarregar as populações pelos impostos e anulação de benefícios. Apertar o cinto como bem diz o povo, “tornar inevitável a degradação do nível de vida”. Privações dos tempos.

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