Um outro alerta para a defesa pessoal que apenas é precisa devido à existência de violência. Mas não só…

A segunda exposição inserida no ciclo temático “Criar Entre Mundos. Da Cabeça aos Pés” é “(Im)Possibilidades Fantásticas” de Costa Magarakis que tal como Marianne Jongkind é um estreante na apresentação do seu trabalho no Museu do Calçado em S. João da Madeira e em Portugal.

O escultor e artista plástico é grego, vive em Israel e cria peças inspiradas em todo o lado que contam histórias. Entre essas peças estão sapatos abandonados que foram transformados em “sapatos-escultura”.

Costa Magarakis demonstrou estar “muito honrado” por estar no Museu do Calçado e em Portugal, país onde esteve pela última vez no ano passado e desde então que se tornou no seu “local favorito no mundo”.

“Quando deixei Portugal desejei voltar o mais rápido possível e 10 dias depois recebo um email com o convite para participar nesta exposição”, confidenciou o artista plástico aos presentes, revelando que ficou “muito surpreso e emocionado” e reconhecendo que este é um dos casos em que os “sonhos tornam-se realidade”.

Costa Magarakis admitiu que não sabia que existia “um museu como este (do Calçado) em S. João da Madeira” e apenas descreveu-se como “um escultor” que faz “coisas com as mãos” e que não gosta “de falar sobre elas”.

E nem precisou de falar porque de certa forma as suas peças “falam” por si próprias através da inspiração, da causa, da história que levaram à sua criação, provocando o pensamento e a reflexão aos visitantes.

Não é à toa que os “sapatos-escultura” estão divididos pelas temáticas: “Um Protesto Contra a Crueldade Animal”, “Fábula Fantasia”, “O Grotesco é Essencial na Minha Obra”, “A Época Vitoriana como Inspiração”, “Arquétipos na Infância”, “Viajando pelo Mundo”, “Contar uma História” e “Quando a História se Torna Arte”.

Entre os 21 “sapatos-escultura” vamos destacar a história de dois deles, podendo estes e os restantes ser visitados até 3 de maio de 2020 no Museu do Calçado.

Temos “O Sapato Corvo” que é “um alerta contra o fornecimento mundial de penas e penugem. As penas são arrancadas a animais vivos causando-lhes uma dor considerável, sofrimento e cortes profundos. Muitos desses pássaros, paralisados pelo medo, acabam por morrer dos seus ferimentos”, denuncia Costa Magarakis. Também temos o “Amor Doce” que é uma “peça inspirada no filme do ano 1960 Barbarella, de Roger Vadim. Na realidade é um sapato de defesa pessoal”, indica o escultor sobre este “sapato-escultura” que acaba por nos remeter para a temática da violência que tem crescido assustadoramente não só no nosso país, mas em todo o mundo. A relação é muito simples: só existe defesa devido à violência.

Exposição “estabelece relação muito forte entre mim e o vosso país que nunca terminará”

É em Telavive, em Israel, cidade onde vive e trabalha, que Costa Magarakis encontrou “o espaço perfeito para se enraizar” e que “serve-lhe, frequentemente, de inspiração”. “Das suas ruas e espaços públicos recolhe os mais inusitados materiais como sapatos abandonados, brinquedos quebrados, velhas peças de mobiliário, elementos mecânicos ou vidros vintage que incorpora depois nas suas esculturas”, revela Joana Galhano, diretora dos museus, especificando que às mãos dos escultor “os mais variados modelos de sapatos de salto, sapatilhas, grandes botas e até patins transformam-se em objetos híbridos e realistas que simulam o corpo deformado de um animal, curiosos meios de locomoção, elementos arquitetónicos ou até a mais bizarra das criaturas”.

“Somos a capital do calçado em Portugal. Todas as atividades desenvolvidas em torno do calçado” tal como acontece através dos artistas plásticos é “muito importante para a nossa indústria”, afirmou o presidente da câmara Jorge Sequeira.

Esta exposição “estabelece uma relação muito forte entre mim e o vosso país que nunca terminará”, assegurou Costa Magarakis.

 

DR

Escultor doou dois “sapatos-escultura”

Devido à importância que os direitos dos animais têm para Costa Magarakis, este doou dois “sapatos-escultura” relacionados com este tema.

Um deles é “O Sapato Pato”, criado em 2016, em que a biqueira de um sapato de salto alto é a cabeça de um pato com uma corrente no pescoço ligada ao fecho do sapato, com o bico cosido e com a agulha a perfurá-lo. Um outro é “Cloe”, criado em 2017, com o intuito de denunciar os animais que vivem presos.

DR

“A vida em cativeiro é muitas vezes uma sentença de morte para pássaros que podem sofrer de subnutrição, solidão e o stress do confinamento.

É suposto os pássaros voarem e estarem com a própria espécie num habitat natural.

Na natureza, se perderem o primeiro, a maior parte dos pássaros não arranja outro parceiro”, alerta Costa Magarakis.

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