A minha coluna

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TIRO AO LADO

 

O Bloco de Esquerda vive uma tão grande ânsia de protagonismo mediático, eventualmente para compensar a não esperada diminuição do número de votos nas Legislativas, que em certas situações nem cuida de validar a veracidade das acusações que publicamente faz. Na semana passada foi notícia que, em comunicado, o BE iria questionar o Governo sobre a situação que afirmava existir numa empresa “do grupo Carité”, a Brada Shoes, situada na Rua de S. Roque. Referindo “problemas de laboração” – quem os não tem? – o BE afirmava que iria questionar o Governo sobre medidas a implementar “para colocar um fim à situação”. Provavelmente à espera que o Governo faça uma encomenda de sapatos…. Ora, se o BE tivesse tido a preocupação de falar com os responsáveis da empresa teria percebido que a situação muito difícil mesmo era a que se vivia numa empresa ao lado, que encerrou. E que no seio de um grupo de empresas de calçado a movimentação de equipamentos entre diversas unidades para adaptação das linhas de produção a produtos diferentes, sazonais, não é uma situação tão anormal quanto isso. O que é bem diferente de “fugir com as máquinas… A importância que o BE já atingiu na sociedade e perante os eleitores exigiria uma atitude menos primária e mais adulta. Foi mesmo um tiro ao lado.

Balha-me Deus!

 

BEM PREGA FREI TOMÁS!

 

Na Ordem dos Médicos a situação é similar. Descobriram agora, devido a um triste e lamentável episódio, que o tal doutor radiologista já tinha processos há cinco ou seis anos a aguardar avaliação – pelos médicos da Ordem – e que além desse haveria quase mais dois mil – e só na zona sul – igualmente à espera de avaliação e decisão. Assuntos que têm a ver com erros médicos. Que prejudicam sempre os cidadãos e não os doutores. Ora, para quem está, como todos nós, habituado a ver os sucessivos bastonários a pregar nas televisões contra os governos e os ministros da Saúde por episódios que, embora importantes, são muito menos gravosos para os utentes, não deixa de ser curioso verificar que, afinal, nem para dentro de casa olham. E quando um bastonário, líder supremo da classe, frequentemente responsabiliza toda a cadeia hierárquica da política por situações como a insuficiência de meios numa unidade hospitalar, não é fácil entender que, enquanto ocupante do topo da pirâmide na Ordem, não se responsabilize também pelo desleixo e inércia com que os seus pares, em posição inferior na (sua) hierarquia, deixaram andar seis anos quase dois mil processos contra eventuais erros dos médicos sem avaliação, e julgamento. É caso para dizer: “bem prega Frei Tomás…”

Balha-me Deus!

 

MAIS, MAIS … E MAIS!

 

A moda informativa, nos últimos dias, tem sido a “alegada” insuficiência de funcionários nas escolas. E coloquei aspas na “alegada” porque admito que em vários casos tal insuficiência seja mesmo real. Mas, pelo que conheço do funcionamento e comportamento de muita gente na função pública, não aceito facilmente todas as notícias desta moda. Penitencio-me publicamente pela descrença que me domina, mas não acredito nessa informação como verdade absoluta. Li há dias que numa escola secundária de Lisboa, com 1.400 alunos, havia 51 funcionários/auxiliares o que, dizia a notícia “era manifestamente insuficiente”! INSUFICIENTE? Se me dissessem que o número de professores era insuficiente eu acreditava com muito mais facilidade. Agora “auxiliares”? Isto dá um funcionário por quase 28 alunos… Talvez o número de professores nessa escola tenha um rácio bem pior. E nessas notícias falta referir um importante dado: as baixas. Há dias um responsável municipal da cidade manifestava-se espantado com o número de funcionários “de baixa”. Para além das razões de ordem médica, “se um funcionário se chateia com a chefia… mete baixa”! E pronto. Se extrapolarmos estas atitudes para as escolas, não surpreende que o número de funcionários não chegue. Não chegue nunca! Embora tenha consciência de que não se podem comparar situações tão distantes no tempo, esta moda da falta de funcionários fez-me recordar o tempo em que, na Escola Primária “dos bombeiros” – a Dias Garcia – havia quatro classes (hoje turmas) num total de quase 200 crianças e só duas funcionárias. E a Dona Lurdes ainda tinha que andar todos os dias com a carrinha a levar a comida que na cantina dessa escola se confecionava para as outras escolas, onde só havia sítio para comer e não cozinhar! Os tempos eram outros, bem sei. E os professores eram respeitados. Também sei. Mas o famoso “rácio” de número de alunos por “auxiliar” era muito pior do que naquela escola da capital. Ah! E andávamos de batinha branca…

Balha-me Deus!

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