Num concerto bom de mais para se estar sentado

A voz extraordinária aliada à presença poderosa e um quanto baste provocadora marcaram o segundo concerto do Novembro Jazz dado por Shirley King, filha de B. B. King, o “rei dos blues”, na sexta-feira passada, dia 15 de novembro, na Casa da Criatividade.

Os Budda Power Blues, banda com quem toca sempre que atua em Portugal, e Jasmine Cummingsforam os “parceiros do crime” que foi a mistura explosiva entre o jazz e os blues cometida pela cantora.

Depois de cantar “Rock me baby”, Shirley King agradeceu a todos os presentes por a deixarem ser ela própria, não a filha do B. B. King, e esclareceu que “os blues não são todos tristes. O meu blues é feliz ainda que a música seja triste”.

A certa altura a cantora pediu para ligar as luzes da sala porque queria “sair da escuridão para ver as pessoas”. Nesse momento saiu do palco e entrou na plateia, interagindo permanentemente com o público.

Shirley King cantou “Hoochie Coochie Women” e “Tennessee Whiskey” antes de chamar alguns das pessoas que estavam na plateia. “O trabalho de atuar em palco e entreter o público é difícil, mas não é um problema para mim. Faço a festa em vossa casa”, afirmou a cantora.

Como prova de que “gosto das minhas mulheres e dos meus homens”, chamou um grupo de oito mulheres ao palco e cantou ao seu lado “Rolling on the River”. Uma música dedicada a Tina Turner, cantora que lhe deu voz, e ao seu pai. A seguir, a cantora pediu a oito homens para se juntarem a si no palco antes de dar voz a “Mustang Sally”.

“Se não pões nada lá, não tens nada para retirar” foi uma das mensagens deixada por Shirley King ao público, a quem confessou algumas coisas: “adoro o que faço. Cresci a ver o meu pai a subir ao palco e a atuar. Ele foi um ótimo pai” e “gostava de voltar para o ano” a S. João da Madeira.

O concerto terminou com a cantora a chamar ao palco Irene Guimarães, vereadora da Educação, Paula Gaio, vereadora da Ação social, Gisela Borges, responsável pela Programação e Produção da Casa da Criatividade e Paços da Cultura, Sandra Santos, responsável pela frente de casa e logística administrativa da Casa da Criatividade, e Joana Galhano, diretora dos Museus da Chapelaria e do Calçado, por terem sido responsáveis pela sua presença no Novembro Jazz.

Para Paula Gaio este foi “um concerto memorável” e em nome de Jorge Sequeira, presidente da câmara, “agradeço do fundo do meu coração” pelo “fantástico concerto”.

A última música “The Thrill is Gone (a emoção se foi)” foi dedicada às mulheres que trouxeram a cantora a S. João da Madeira e, mais uma vez, ao seu pai. Esta é “uma das músicas mais famosas dele” e “ninguém o faz como ele”, esclareceu de imediato Shirley King.

Contudo, “quando o vi subir ao palco pela última vez soube que tinha de continuar o legado dele”, confidenciou a cantora, acabando por responder, talvez sem querer, à questão que colocou no início do concerto: “todos querem saber porque é que canto blues”. “Ele não escreveu a canção, mas tornou-a sua”, afirmou Shirley King, pedindo ao público que ficasse em pé porque no que depender de si “The Thrill Never be Gone (a emoção nunca foi”. Depois de ter deixado o palco, a cantora voltaria para cantar “Sweet Home Chicago” depois do público ter pedido insistentemente “só mais uma” música. A atuação da banda Jazz Fever aconteceu momentos antes do concerto de Shirley King na entrada da Casa da Criatividade.

Atuações continuam com Trio e Quarteto de Jazz

Depois dos concertos de Maria João e Shirley King no Festival Novembro Jazz, a próxima atuação é do trio Joana Machado, Marta Hugon e Mariana Norton que vai apresentar o projeto “Elas e o Jazz” amanhã, dia 22 de novembro, pelas 22h00, na Casa da Criatividade. Os bilhetes custam entre cinco e 7,5 euros e podem ser adquiridos nos locais habituais (Casa da Criatividade, Paços da Cultura e Torre da Oliva) e em casadacriatividade.bol.pt. O Novembro Jazz continua com a atuação do Quarteto de Jazz, inserido no ciclo Musicatos (ver notícia nesta edição), este sábado, pelas 21h30, na Casa da Criatividade. A entrada para este Musicatos é, à semelhança dos outros, gratuita. O último concerto do ciclo dedicado ao Jazz conta com a atuação de Jacinta no dia 29 de novembro.

Labor oferece dois bilhetes

O labor oferece dois bilhetes para assistir aos concertos do Festival Novembro Jazz cedidos pelos Município de S. João da Madeira. Os bilhetes serão atribuídos aos primeiros dois leitores que ligarem para o 256 202 600.

 

Município ofereceu chapéu a Shirley King

Patrice Almeida
Patrice Almeida

 

A cantora recebeu um chapéu por parte do Município no fim do seu concerto na Casa da Criatividade.

Depois de colocar o chapéu, Shirley King reagiu: “adorei. Uma linda cidade e gostava de cá voltar”.

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