A minha coluna

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ESTATÍSTICAS

Há muitos anos que o nosso concelho aparece sempre muito bem classificado em diversos estudos estatísticos sobre o rendimento médio dos cidadãos e a capacidade média que cada um tem, por exemplo, para comprar. Essa classificação na parte de cima da tabela foi recentemente confirmada pelo estudo sobre o poder de compra concelhio referente ao ano de 2017 de acordo com o qual o nosso concelho surge num lugar cimeiro (o quarto) como resultado da análise conjugada de indicadores que vão do IRS ao IMI, dos valores levantados em caixas de multibanco até ao número de veículos vendidos a moradores no concelho, etc. São 16 esses indicadores e quem estiver interessado em saber mais pode obter esse estudo na página do INE em www.ine.pt. É claro que, tal como na história dos dois sujeitos de que a estatística diz terem comido, em média, meio frango cada quando só um é que comeu e o outro ficou a ver, também nesta história do índice do poder de compra há que ter cautela na transposição para a realidade. Basta dar uma volta pelo zona central da cidade e contar o número de lojas fechadas para nos refrear a euforia. E basta observar as que estão abertas e avaliar se o tão elevado poder de compra se nota na frequência e fluxo de compradores. Dinheiro há, pelos vistos e até com uma média que nos orgulha. Mas pelos vistos não circula.

Balha-me Deus!

 

INVEJA

O sucesso de Jorge Jesus no Brasil trouxe recentemente à atualidade, pela sua própria boca, a última palavra que Luís de Camões utilizou n’Os Lusíadas. INVEJA. Assim tal qual. Com “V”. Não com a nossa maneira nortenha de dizer, por exemplo, “há dias estibe in Beja” que transporta sonoridade idêntica. Mas com aquela sonoridade forte e vincada do “v”. Além de ser um dos sete pecados mortais, a inveja traduz um sentimento hostil de alguém para com outrem que tem algo que se gostava de ter. E às vezes é só a capacidade de pensar, de raciocinar, de se expressar que causa noutrem esse mortal pecado. Que muitas vezes corrói mais quem o tem do que o alvo desse sentimento. Não gosto de pessoas invejosas. A inveja é um sentimento muito feio. Mas muito feio mesmo. Tenho um amigo que há dias me confidenciou ter sido durante anos permissivo ao convívio não regular de alguém que, anos depois, descobriu ser um invejoso sarcástico. Explicou-me que essa era uma das cinco tipologias de invejoso. O sarcástico. Pelos vistos o meu amigo, com gosto pela bricolage – tinha até um livro em francês sobre o tema… – resolveu testar as suas capacidades de construtor civil e construiu… um lago. Com peixinhos. Com satisfação mostrou-o ao tal amigo sarcástico que, mirando o lago de várias perspetivas, desatou a rir (sarcasticamente, está-se a ver) e lhe disse com uma voz de locutor de rádio. “Ó pá, o lago não tem as medidas internacionais. E muito menos olímpicas. Não dá para teres aqui um bacalhau!”. É claro que o sarcástico nunca tinha feito um lago. Nem tinha um livro em francês!

Balha-me Deus!

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