Liberdade sim, até para errar

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Não é fácil, é das coisas mais difíceis que os pais vão dando aos seus filhos: liberdade para errar.

Liberdade para baterem com a cabeça na parede, liberdade para estatelarem-se ao comprido, liberdade para se melindrarem, liberdade para aprenderem com os seus próprios erros.

Mas muito mais difícil para os pais é ficarem a assistir impávidos e serenos a um filme que sabem como vai acabar. É só deixá-los entrar na asneira sem a sentença “bem te avisei”. É saber que no final pouco mais podem fazer do que dar aparência que não veem as lágrimas e resistir à tentação de afirmar “eu bem te disse”.

É lembrarem-se de que foi assim com eles que os seus próprios pais tentaram avisá-los de tantos erros que poderiam não ter cometido, é perceberem que afinal a história repete-se, mas com algumas acomodações. É perceberem que o crescimento, seja em que tempo for, se faz sempre por tentativa e erro, implica sempre cair e levantar, chorar e voltar a rir. Até sabemos que poderíamos poupá-los a muita agonia e amargura porque sabemos o que eles (filhos) ainda não sabem.

Mas muito mais sabemos que possivelmente não estaríamos a prestar-lhes um bom exercício de funções obrigatórias, ou seja, um bom serviço.

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