Um serviço que já foi usufruído por cerca de 1.000 utentes em seis meses de funcionamento

O Consultório de Saúde Oral do Centro de Saúde de S. João da Madeira foi oficialmente inaugurado na sexta-feira-passada, dia 15 de novembro, tendo contado com a presença de Marta Temido, ministra da Saúde, Carlos Nunes, presidente da Administração Regional de Saúde do Norte (ARS-N), Miguel Portela, diretor executivo do Agrupamento de Centros de Saúde (ACeS) Entre Douro e Vouga II-Aveiro Norte (que integra os centro de saúde de S. João da Madeira, de Oliveira de Azeméis e de Vale de Cambra), Jorge Sequeira, presidente da câmara, Helena Couto, presidente da junta, entre outras individualidades.

O momento aconteceu uma hora depois do previsto, que era a partir das 17h00, devido ao atraso de outros eventos da agenda da governante que antes inaugurou Consultórios de Saúde Oral em Valbom, São Pedro da Cova e Oliveira de Azeméis.

Relembramos que a Câmara Municipal e a Junta de Freguesia de S. João da Madeira assinaram um protocolo com a ARS-N, no dia 18 de setembro de 2018, que visava a implementação de consultas de saúde oral aos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) inscritos no Agrupamento de Centros de Saúde Aveiro Norte. Na altura em que o protocolo foi assinado, a previsão era de que um dentista estivesse à disposição dos utentes do Centro de Saúde de S. João da Madeira a partir de janeiro de 2019, acabando por ser a partir de maio. Em meio ano de funcionamento, “já usufruíram deste serviço perto de 1000 utentes”, divulgou Miguel Portela.

Os utentes interessados em usufruir deste serviço deverão pedir ao médico de família para serem encaminhados para o mesmo. Os utentes que são isentos de taxa moderadora não pagam nada, que é uma grande faixa dos utilizadores, e quem não é isento paga sete euros de taxa moderadora por consulta.

O Consultório de Saúde Oral funciona com uma médica dentista, uma assistente dentária e uma administrativa, de segunda a sexta-feira, das 9h00 às 18h00. As instalações e o pessoal foram assegurados pela tutela e o equipamento suportado pela câmara e pela junta.

O balanço deste novo serviço é “extremamente positivo não só pela expressão dos números dos utilizadores, bem como pela vantagem que representa para a franja de utilizadores com menores recursos financeiros e que de outra forma não poderiam ter acesso a este tipo de cuidados”, concluiu o diretor do Agrupamento de Centros de Saúde Entre Douro e Vouga II-Aveiro Norteao labor.

Muitos dos utentes foram pela primeira vez na vida ao dentista

No momento de chegada ao Consultório de Saúde Oral estava a sair aquele que seria a último utente do dia. Já no seu interior, em conversa com a dentista e a assistente dentária, ficámos a saber que muitos dos utentes com idades entre os 30 e 80 anos foram pela primeira vez ao dentista.

“É impressionante o progresso que precisamos de fazer na saúde oral”, assumiu Marta Temido.

Depois de esgotada uma outra valência, o cheque-dentista, as pessoas são encaminhadas para o Consultório de Saúde Oral, explicou Miguel Portela, chamando a atenção dos presentes para o facto de que em momento algum “as pessoas sem recursos são mandadas embora quando têm um caso grave e não irão a outro lado”. Algo que a ministra da Saúde ouviu com “uma grande satisfação” e que é o resultado de “uma parceria inteligente” e “muito útil”, completaram Jorge Sequeira e Helena Couto, respetivamente.

“Será difícil encontrar nos últimos anos alguma medida que tenha tido um impacto e um alcance tão importante na vida das populações mais carenciadas do nosso país”, afirmou Miguel Portela, destacando outras “parcerias com ganhos exponenciais para a nossa população” como a recolha de lancetas, o apoio à vacinação infantil e às pessoas sem-abrigo que contam com o apoio do Município.

“Esta é a medida mais emblemática e importante em dois anos de vida autárquica” que representa “uma aplicação do dinheiro público no que realmente é importante ao servir as populações mais frágeis e excluídas”, disse Jorge Sequeira, admitindo ter ficado “impressionando” ao saber que em pleno “século XXI existam pessoas que aguardaram até aos 30, 40 e até 70 anos para terem uma consulta no dentista”. Para o autarca, este é um exemplo de que “quando há vontade política as coisas acontecem”.

“Os cuidados de saúde oral praticamente não existiam até 2008 no Serviço Nacional de Saúde (SNS). Em 2008 foi introduzido o cheque-dentista e foi preciso chegar à anterior legislatura para termos cuidados de saúde oral nos cuidados de saúde primários, nos cuidados de proximidade. Isso é muito importante porque não há boa saúde sem boa saúde oral. Isto (cadeira dentista) é serviço público e estar disponível para fazermos o que esperam de nós. Os nossos serviços públicos têm constrangimentos, mas são bons serviços públicos. Vale a pena reconhecermos aquilo que temos de bom e não desistir de aperfeiçoar o nosso SNS”, Marta Temido, ministra da saúde

 

Município assume gestão do Centro de Saúde

João Rita

Ao longo da cerimónia de inauguração do Consultório de Saúde Oral, Jorge Sequeira relembrou que 2020 ficará marcado por “um momento importante” que é a transferência de competências da Saúde para o Município de S. João da Madeira.

Uma das mudanças é a transferência da gestão do Centro de Saúde para o Município que “estamos a tratar do assunto para que se concretize o desígnio nacional que é o de o de aproximar ainda mais o Centro de Saúde da população”, adiantou o autarca.

Apesar da mudança, “sabemos que continuaremos a ter toda a colaboração da tutela”, afirmou Jorge Sequeira.

A ministra da Saúde esteve reunida com Joaquim Jorge, presidente da câmara de Oliveira de Azeméis, Jorge Sequeira, Miguel Portela e Carlos Nunes antes da inauguração da cadeira dentista em S. João da Madeira. Uma reunião que correu dentro da normalidade e sem novidades, apurou o labor.

 

Centro Hospitalar de Entre Douro e Vouga

Conselho de Administração continua a exercer funções sem novo mandato atribuído

Um dos elementos da comitiva que acompanhava a ministra da Saúde dirigiu-se aos jornalistas para saber se queriam colocar alguma questão a Marta Temido e quando o labor disse que queria saber qual o ponto de situação do Conselho de Administração do CHEDV, esse mesmo elemento ligado à ARS-N deu a entender que esta não é uma questão que pudesse ser colocada. Por isso, lamentamos que só haja margem para as perguntas “certas”. Da parte do labor só podemos dizer que continuaremos a fazer questões cujas respostas sejam do interesse da população.

Uma vez que Miguel Paiva, presidente do Conselho do CHEDV, esteve presente na cerimónia deduzimos que continue a exercer a mesmas funções para as quais foi nomeado em 2015 para um mandato de três anos. A única certeza é que desde 2018 o conselho de administração continua em funções sem que tenha sido reconduzido para um novo mandato. O labor entrou em contacto com o gabinete de comunicação do Ministério da Saúde sobre este assunto, do qual recebeu a resposta de que este processo está “ainda em curso”.

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