Um orçamento que não valoriza S. João da Madeira

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Depois de ter sido apresentado o orçamento da Câmara Municipal para 2020, percebo o quanto a ambição deste executivo para a cidade fica aquém da ambição dos Sanjoanenses.

Era expectável que no cenário económico em que a câmara se encontra por via das receitas próprias e dos impostos, ou seja, nunca esta câmara recebeu tanto dinheiro, que se apresentassem projetos que pudessem relançar esta cidade, para uma posição de liderança na nossa região. No entanto, o investimento projetado é de uma qualquer câmara em gestão corrente.

Ver no orçamento rubricas que considero de importância fulcral para o desenvolvimento da nossa cidade, com uma dotação de cinco euros é “gozar” com os Sanjoanenses. Ver rubricas como a casa da memória (promessa eleitoral do PS), a pista de atletismo, a reabilitação do Pavilhão das Travessas, a reabilitação das piscinas, a construção dos campos de ténis. Tudo com cinco euros, é no mínimo uma demonstração de desinteresse e, pasme-se do eleitoralismo socialista, constam também, cinco euros para a construção de “Nova Piscina”. Longe vai o tempo que pelo investimento e na obra feita, se via a pujança da autarquia.

Este orçamento espelha que não existe uma estratégia global e que este executivo não consegue imaginar o que será S. João da Madeira daqui a 5 ou mesmo daqui a 10 anos. Existem, na verdade, muitas medidas isoladas, quase todas elas reativas, face à pressão dos Sanjoanenses que não encaixam naquilo que deveria de ser uma visão global e estratégica da cidade.

A nível ambiental, promove-se a utilização de garrafas reutilizáveis pelos alunos Sanjoanenses (e bem!), mas não se preocupam com a pegada de carbono ao comprarem garrafas de plástico que são produzidas na China e percorrem 11.000 km para chegar às mãos desses mesmos alunos.

Promovem a mudança da iluminação pública para LEDS (e bem!|), mas só para cerca de metade do concelho e o restante vamos esperar para ver (se os LEDS iluminarem). Também não estudam o posicionamento das luminárias e nos sítios onde a iluminação estava mal, pois bem, mal continua.

Pergunta para qual não preciso de resposta: quando é que termina o estágio deste executivo? Para quando vamos ver investimento “real” a beneficiar o dia-a-dia dos sanjoanenses?

Sei que a entrada de um novo executivo em qualquer câmara é sempre difícil, quer pela ambientação aos dossiers existentes, quer em relação ao ambiente de trabalho próprio de uma autarquia, que é em muitos aspetos diferente do ambiente empresarial privado. Mas as coisas fáceis e de manutenção fazem-se sempre sem perder o foco no plano geral. Agora pergunto: e esta câmara sabe qual é o plano geral?

O facto de a oposição ter votado contra este orçamento não é como se diz por aí, por causa da não inclusão das nossas propostas é, isso sim, um voto contra a falta de ambição deste executivo PS e é, principalmente, um voto contra o que não consta neste orçamento!

Eu quero mais para a minha cidade!

Ricardo Mota

Presidente da Comissão Política Concelhia do CDS-PP de S. João da Madeira

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